Joia Mística Laroyê
Batuque 10 min de leitura

Ossanha no Batuque: o orixá dono das folhas e da cura

Ossanha no Batuque é o orixá das folhas e do omieró. Veja cores, dia, saudação Eu-Eu, comidas, ferramentas, adjuntó e o sincretismo que varia por casa.

#ossanha no batuque #batuque #ossanha #orixás do batuque #orixá das folhas #rio grande do sul
Molho de folhas verdes e uma haste de ferro com pássaros, símbolos de Ossanha, o dono das folhas no Batuque.

Resumo

Ossanha (Ossaim) é o senhor supremo de todas as folhas sagradas, das ervas medicinais e do mistério da cura no Batuque, divindade sem a qual nenhum ritual ou feitura de santo pode se realizar.

Representado mitologicamente como o orixá de uma perna só que habita o coração da mata virgem, Ossanha guarda o segredo litúrgico para despertar o axé vital (o sangue vegetal) adormecido nas plantas.

Seus pratos rituais incluem fatias de cágado de batata-doce frita no azeite de dendê, feijão fradinho e folhas medicinais picadas. Suas contas mesclam verde e amarelo ou verde claro, sendo o protetor dos médicos, botânicos e curadores.

Tem alguma dúvida?

Fale com a Joice Mística, nossa guia espiritual, ou pergunte a outra IA.

Perguntar à Joice Mística Tire dúvidas sobre orixás, banhos e rituais

Ou pergunte a outra IA

10 min de leitura

Tem uma conta que quase ninguém faz nas casas do Sul. Antes de qualquer obrigação, alguém precisa ir à mata buscar folha. Sem essa folha, o resto não acontece.

Ossanha no Batuque é o dono desse segredo. Ele rege as ervas, as matas e a cura, e é dele o axé que vive no banho de folhas maceradas. Nenhum outro orixá é assentado, nenhuma cabeça é feita, sem que as folhas dele entrem antes.

Este guia reúne a ficha de Ossanha no Batuque gaúcho: posição na linha, cores, dia, saudação, comidas, ferramentas e sincretismo. E registra, sem maquiar, tudo que muda de nação para nação.


Quem é Ossanha na linha do Batuque

No Batuque, os orixás são chamados numa sequência fixa chamada linha. Ossanha entra depois de Obá e antes de Xapanã, no ponto em que a linha deixa os orixás novos para trás.

Essa posição é de passagem. Ele fica entre a classe dos novos e a dos velhos, e o lugar intermediário combina com a função dele: servir a todos os outros.

Vale a ressalva desde já. Algumas fontes colocam Ossanha antes de Obá, e a ordem varia por casa. Quem quiser o panorama completo encontra a sequência usada aqui em os orixás do Batuque.

O domínio dele é bem delimitado. Ossanha rege as folhas litúrgicas e medicinais, as matas, o segredo da planta e a cura. No corpo humano, a leitura corrente no Sul entrega a ele os ossos, os nervos e os músculos.

Diz o fundamento que sem folha não há orixá. É a forma mais curta de explicar por que Ossanha atravessa todo o culto, mesmo sem ser o primeiro da linha.


Ficha técnica de Ossanha no Batuque

ItemNo Batuque
NomeOssanha (também Ossânha, Ossãe)
Regênciafolhas, ervas, matas, cura, segredo da planta
Posição na linhadepois de Obá, antes de Xapanã
Classeorixá de meio de linha
Coresverde e amarelo na Ijexá
Número7 e seus múltiplos
Guiacontas verdes e amarelas alternadas
Diasegunda-feira na maioria das casas
SaudaçãoEu-Eu
Comidaspipoca branca, linguiça de porco frita, figos e apetê de batata
Ferramentascoqueiro de metal, muleta, bisturi, cágado, moedas e búzios
AdjuntóOxum Demum na maioria dos registros
Sincretismovaria por casa: São Roque, São Cristóvão, São Judas Tadeu, São José

O assentamento se faz sobre a otá, a pedra que guarda o axé do orixá. O detalhe da louça, das ferramentas e do que vai dentro é fundamento de casa, e não se aprende pela internet.

A muleta é a ferramenta mais reconhecível dele. Ela vem do atributo mítico da perna única, e reaparece na dança, quando o orixá se apoia de um lado só.


O dono do omieró: por que nada começa sem Ossanha

Aqui mora o ponto que a maioria dos textos deixa passar. O omieró, também chamado de abô, é a água sagrada feita com folhas maceradas. Ele lava a cabeça, lava o assentamento e lava as ferramentas.

Essa água é a base material de quase toda obrigação. Sem ela não se faz cabeça, não se assenta orixá e não se cumpre iniciação. E quem responde pelas folhas é Ossanha.

Por isso os antigos dizem que ele não é o sétimo item de uma lista de doze. Ele é a condição para que os outros onze recebam o que precisam.

Na prática do dia a dia, isso aparece em três lugares:

  • Nas obrigações de cabeça: o amaci e o omieró abrem o processo
  • Nos assentamentos: as ferramentas e a otá são lavadas em folha antes de tudo
  • Nos banhos e defumações: cada erva pertence a um orixá, e o conjunto pertence a Ossanha

Se você quer entender como as ervas se organizam por orixá fora do quarto de santo, o banho de sete ervas mostra essa lógica de forma acessível.

Uma ressalva honesta fecha a seção. O preparo do omieró é matéria de iniciado, com corte, reza e ordem próprios de cada casa. Este artigo explica o que a coisa é, não ensina a fazer.


Comidas, ferramentas e adjuntó

A comida votiva mais citada para Ossanha reúne pipoca branca, linguiça de porco frita e figos. Aparece também o apetê, batata inglesa amassada com dendê, chamado no Sul de epô.

Algumas casas registram couve refogada no dendê com farofa. Como quase tudo no Batuque, o cardápio segue o fundamento da casa.

As ferramentas formam um conjunto reconhecível:

  • Coqueiro de metal: representa a mata e as folhas
  • Muleta: o apoio da perna única
  • Bisturi: a faca do corte da folha e da cura
  • Cágado: o bicho ligado ao segredo e à paciência
  • Moedas e búzios: presentes em quase todos os assentamentos

Adjuntó é o termo do Batuque para orixás cultuados juntos, assentados no mesmo espaço e recebendo obrigação em conjunto. Ossanha faz adjuntó com Oxum Demum na maior parte dos registros gaúchos.

Há casas que registram outra combinação, com Iemanjá Bocí. Nenhuma das duas anula a outra, porque adjuntó é arranjo de casa e não regra geral.


O que muda de nação para nação

O Batuque tem cinco nações historicamente relevantes: Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô. O antropólogo Ari Pedro Oro, da UFRGS, registra a Ijexá como predominante hoje e a Oyó como quase extinta no estado.

Quem procurar uma resposta única sobre Ossanha vai achar informação conflitante. O conflito é real, e faz parte da religião.

ItemVersões registradas
Coresverde e amarelo na Ijexá; verde e branco na Cabinda e em casas Jeje-Ijexá
Diasegunda-feira na maioria; sexta-feira em casas Jeje-Ijexá
Posição na linhadepois de Obá na leitura mais usada; antes de Obá em outros registros
SincretismoSão Roque, São Cristóvão, São Judas Tadeu, São José

O sincretismo merece um cuidado extra. Ele nasceu como estratégia de sobrevivência do culto diante da repressão, e não como equivalência teológica.

Ou seja, Ossanha não é São Roque. Ossanha é orixá do Batuque, e São Roque é santo da Igreja Católica. A associação protegeu o culto num tempo de perseguição.

A Sociedade Africana Reino de Xangô, casa gaúcha tradicional, registra o sincretismo com São Roque e a cor verde. Outras casas registram outros santos, e cada informação vale dentro do seu fundamento. Para entender por que isso acontece, vale ler as nações do Batuque.


Ossanha no Batuque e Ossaim no candomblé ketu

Esta é a confusão mais comum, e ela tem explicação simples. O Batuque é uma religião própria do Rio Grande do Sul, formada no século XIX. Ele não é candomblé nem umbanda, como mostra o trabalho de Oro sobre as religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul.

O mesmo orixá aparece com nome e ficha diferentes em cada tradição. A Wikipédia registra as variações de grafia, incluindo Ọ̀sányìn em iorubá, Agué no jeje e Katendê entre os bantos.

ItemBatuque (RS)Candomblé ketu
NomeOssanhaOssaim, Ossãe
SaudaçãoEu-EuEwé ó, Ewê Assá
Coresverde e amareloverde e branco
Símbolocoqueiro de metal e muletahaste de ferro com sete pontas e um pássaro
Sincretismovaria: São Roque, São José, São CristóvãoSão Benedito na leitura mais difundida

Repare no detalhe da saudação, porque é o erro mais frequente. “Ewé ó” é do candomblé baiano. Num terreiro de Batuque, a saudação é Eu-Eu.


O mito da perna única e o segredo das folhas

Ossanha aparece na tradição como figura de uma só perna, apoiada numa muleta. Quando se manifesta, dança sobre essa perna, e quem frequenta a casa reconhece o gesto de imediato.

O mito mais contado explica por que as folhas deixaram de ser posse exclusiva dele. Ossanha guardava todas as ervas numa cabaça e não dividia o segredo. Iansã levantou um vento forte, a cabaça se abriu, e as folhas se espalharam entre os orixás.

Desde então, cada orixá tem suas ervas. Mas o segredo do uso ficou com Ossanha, e por isso ele é consultado antes de qualquer trabalho com folha.

Duas leituras erradas circulam por aí. A perna única não é defeito nem castigo: é atributo mítico, tratado com naturalidade na religião. E a folha de Ossanha não substitui remédio nem tratamento médico, porque o campo dele é o preparo espiritual.


Perguntas frequentes

Qual o dia de Ossanha no Batuque?

Na maioria das casas gaúchas, o dia é segunda-feira. Em casas de Jeje-Ijexá aparece o registro de sexta-feira. Não existe resposta única, porque o dia acompanha o fundamento da nação. Confirme sempre com seu pai ou mãe de santo antes de firmar qualquer vela.

Qual a saudação de Ossanha?

No Batuque do Rio Grande do Sul, saúda-se Eu-Eu, também grafado Eueu. A forma “Ewé ó” que circula na internet vem do candomblé ketu, e significa algo próximo de “salve as folhas”. As duas são corretas, cada uma dentro da sua tradição.

O que Ossanha come?

As comidas mais citadas são pipoca branca, linguiça de porco frita, figos e apetê, que é batata inglesa amassada com dendê. Algumas casas incluem couve refogada no dendê com farofa. O cardápio exato faz parte do fundamento de cada casa e varia bastante.

Qual a diferença entre Ossanha e Ossaim?

É o mesmo orixá lido por tradições diferentes. Ossanha é a forma do Batuque gaúcho, com saudação Eu-Eu e ferramenta de coqueiro e muleta. Ossaim é a forma do candomblé ketu, com saudação Ewé ó e a haste de ferro com sete pontas e um pássaro.

Por que Ossanha tem uma perna só?

A perna única é atributo mítico do orixá, ligado ao segredo e à mata. Ela aparece na muleta entre as ferramentas e no gesto da dança, quando o orixá se apoia de um lado. Não é deficiência nem punição, e sim marca de identidade dentro da tradição.


Onde comprar artigos para Ossanha

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que a casa pede para firmar e cuidar de Ossanha:

  • Ervas frescas e secas: guiné, arruda, alecrim, espada-de-são-jorge e folhas de mata para banho
  • Guias de contas verdes e amarelas: montadas no padrão do orixá, prontas para o pai ou mãe de santo cruzar
  • Ferramentas em metal: coqueiro, muleta e bisturi no tamanho de quarto de santo
  • Alguidar de barro e quartinha: para assentamento e para arriar comida
  • Velas verdes e brancas: e dendê, pipoca e milho para as obrigações

Visite nossa loja em Extrema-MG ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Com este artigo, a série dos doze orixás do Batuque fica completa no blog. Para quem quer se aprofundar na religião afro-gaúcha, a obra de fundamento segue sendo O Batuque do Rio Grande do Sul, de Norton F. Corrêa.


Referências

Compartilhe este artigo

Ajude mais pessoas a encontrar este conteúdo.

Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

Venha conhecer a Joia Mística Laroyê

Velas, ervas, imagens, guias e tudo para a sua fé, com o atendimento de quem entende. Tire suas dúvidas pelo WhatsApp ou faça uma visita.

R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

Leia também