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Batuque 8 min de leitura

Os Orixás do Batuque: quais são e a ordem da linha

Os orixás do Batuque gaúcho na ordem da linha, de Bará a Oxalá: os nomes próprios da tradição, o que cada um rege, as cores e a variação por nação.

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Fios de conta dos doze orixás do Batuque alinhados por cor sobre esteira, na ordem da linha da nação, sob luz natural.

Resumo

O panteão dos Orixás no Batuque segue uma linha ritualística imutável de rezas e toques que organiza o fluxo de axé no salão sagrado, começando na abertura da porta com Bará e finalizando na paz suprema com Oxalá.

A ordem tradicional da roda de xirê contempla: Bará, Ogum, Oyá, Xangô, Odé e Otim, Obá, Ossanha, Xapanã, Oxum, Iemanjá e Oxalá (com Nana e Ibeji reverenciados em momentos específicos conforme a nação).

Cada divindade possui seu ritmo próprio no tambor de mão, seus cumprimentos cerimoniais e seus pratos votivos, mantendo viva a matriz iorubá e banto adaptada com esplendor no Sul do Brasil.

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Os orixás do Batuque seguem uma ordem própria, diferente da que se vê no candomblé baiano. No Batuque, a religião de matriz africana do Rio Grande do Sul, os orixás são chamados numa sequência ritual que vai do mais jovem ao mais velho, começando sempre por Bará e terminando em Oxalá. Conhecer essa linha é conhecer a espinha dorsal da tradição gaúcha.

Este guia apresenta os orixás do Batuque na ordem da linha, com os nomes próprios que a tradição usa, o que cada um rege e suas cores. Vale uma ressalva desde já: tudo isso varia conforme a nação e a casa, e é assim que deve ser.


O que é a linha do Batuque

No Batuque, chama-se de linha a sequência em que os orixás são saudados e tocados na festa, o xirê gaúcho. Não é uma ordem qualquer: ela segue uma lógica de idade, do orixá mais novo ao mais velho. Por isso a linha abre com Bará, o que movimenta e abre os caminhos, e fecha com Oxalá, o mais velho, o pai da criação.

Costuma-se dividir os orixás em duas classes: os “novos”, que vão de Bará até Obá, e os “velhos”, que começam em Oxum e terminam em Oxalá. Cada orixá tem seu assentamento, sua otá (a pedra que guarda o seu axé) e sua quartinha. Esses fundamentos são cuidados pelo babalorixá ou pela ialorixá, e pertencem ao mundo do iniciado.

Cada pessoa, no Batuque, também tem o seu orixá. É o chamado dono da cabeça, o orixá de frente que rege a vida e o temperamento do filho de santo, muitas vezes acompanhado de um segundo orixá, o adjunto ou juntó. Quem é dessa religião costuma se reconhecer nas características do seu orixá, e essa descoberta acontece no jogo de búzios, com o pai ou a mãe de santo. Se quiser entender melhor esse vínculo, veja como saber qual é o seu orixá.


Os orixás do Batuque na ordem da linha

A tabela abaixo mostra a sequência mais comum da linha, com o nome usado no Batuque, o equivalente conhecido no candomblé e na umbanda, o que o orixá rege e a cor geralmente associada a ele.

Orixá (no Batuque)EquivalenteRegeCor (geralmente)
BaráExuCaminhos, comunicação, encruzilhadasVermelho
OgumOgumFerro, trabalho, guerra, estradasVermelho e verde
OiáIansãVentos, raios, tempestadesVermelho
XangôXangôJustiça, trovão, fogo, pedreirasVermelho e branco
OdéOxóssiMatas, caça, farturaAzul e branco
Otim(par de Oxóssi)Matas e águas, ao lado de OdéVariável
ObáObáLuta, rios, força femininaRosa
OssanhaOssainFolhas, ervas, curaVerde e amarelo
XapanãObaluaêSaúde e doença, cura da peleVermelho e preto
OxumOxumÁguas doces, ouro, fertilidadeAmarelo
IemanjáIemanjáMar, maternidadeAzul claro
OxaláOxaláCriação, paz, fecha a linhaBranco

Os Ibeji, os orixás gêmeos das crianças, aparecem em algumas casas como orixá próprio dentro da linha e, em outras, são tratados de outra forma. É um bom exemplo de como a sequência não é rígida.

A linha do Batuque não é igual em todo lugar. A ordem dos orixás, as cores e até a presença de alguns deles mudam conforme a nação e a casa. O que vale sempre é o fundamento do seu terreiro, e quem ensina isso é o seu pai ou mãe de santo.


O que torna o Batuque diferente

Quem conhece o candomblé ou a umbanda nota particularidades na forma como o Batuque cultua seus orixás. Algumas delas são a marca registrada da tradição gaúcha:

  • Bará abre tudo. Ele é o Exu do candomblé, mas no Batuque é cultuado exclusivamente como orixá, e não como entidade de rua. Nenhum trabalho começa sem saudá-lo primeiro. Veja mais em quem é Bará.
  • Odé e Otim formam um par. O que no candomblé é o orixá Oxóssi, no Batuque se desdobra em dois caçadores que vivem juntos, Odé e Otim.
  • Xapanã é o nome do senhor da cura. O orixá das doenças de pele e da saúde, conhecido como Obaluaê ou Omulu noutras tradições, no Batuque atende por Xapanã ou Sapatá.
  • Xangô é o centro. O Batuque já foi chamado de “religião de Xangô”, tamanha a importância dele. Na nação Oyó, Xangô e Oiá são saudados como o rei e a rainha que sustentam a casa, e muitas casas guardam o seu nome e o seu fundamento como o coração do terreiro.

São esses nomes próprios e esses arranjos que dão ao Batuque a sua identidade, distinta de qualquer outra religião de matriz africana.


Batuque, candomblé e umbanda

É comum confundir o Batuque com o candomblé, mas eles são tradições diferentes. O candomblé nasceu na Bahia. O Batuque é a expressão própria do Rio Grande do Sul, com sua liturgia, sua língua ritual e sua ordem da linha. Como resume o antropólogo Norton Corrêa, referência no estudo do tema, não se trata de um “candomblé do sul”, mas de uma religião com visão de mundo própria.

A organização por nações, como Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô, também é central, e está detalhada no artigo sobre as nações do Batuque. Cada nação tem suas particularidades de ordem e de culto.

Há ainda a Linha Cruzada, surgida no Rio Grande do Sul em meados do século XX, que reúne numa mesma casa os orixás do Batuque e as entidades da umbanda, como exus e pombagiras. Hoje, boa parte das casas gaúchas é de Linha Cruzada, enquanto o Batuque que cultua só os orixás é uma das vertentes da tradição. Para entender melhor as divindades em geral, vale ler o que são os orixás.


O xirê: a festa onde a linha ganha vida

A ordem dos orixás não é só uma lista para estudar. Ela acontece de verdade na festa, o xirê, quando o terreiro se reúne ao som dos tambores para saudar cada orixá na sua vez. Os toques chamam um a um, do mais novo ao mais velho, e os filhos da casa dançam recebendo a vibração de cada divindade.

É no xirê que a teoria vira axé. O tambor, conduzido pelo alabê, marca o ritmo próprio de cada orixá, e a roda responde com os cantos na língua ritual. Bará abre a festa garantindo que os caminhos estejam livres, e a sequência segue até Oxalá, num crescendo que recolhe toda a comunidade.

Cada orixá tem ainda a sua data e os seus festejos ao longo do ano. Quem quiser situar essas celebrações dentro do calendário das religiões afro-brasileiras pode consultar o calendário dos orixás, lembrando sempre que, no Batuque, as datas e os costumes também variam conforme a nação e a casa.


Perguntas frequentes

Quais são os orixás do Batuque?

Os principais são Bará, Ogum, Oiá (Iansã), Xangô, Odé e Otim, Obá, Ossanha, Xapanã, Oxum, Iemanjá e Oxalá. Em algumas casas, os Ibeji também entram na linha. A relação e a ordem podem variar conforme a nação e o fundamento de cada terreiro.

Quantos orixás são cultuados no Batuque?

Costuma-se falar em doze orixás na linha do Batuque, de Bará a Oxalá, embora a conta mude um pouco conforme a casa, sobretudo pela presença ou não dos Ibeji e pelo desdobramento de Odé e Otim. O número não é uma regra fechada na tradição.

Qual é a ordem dos orixás na linha do Batuque?

A linha vai do orixá mais novo ao mais velho. Começa por Bará, segue por Ogum, Oiá, Xangô, Odé e Otim, Obá, Ossanha e Xapanã, e termina com os mais velhos, Oxum, Iemanjá e Oxalá. A sequência exata varia conforme a nação.

Qual a diferença entre Batuque e candomblé?

O candomblé é a religião de matriz africana nascida na Bahia, e o Batuque é a tradição própria do Rio Grande do Sul. Embora cultuem orixás em comum, têm liturgias, nomes e ordens diferentes. O Batuque não é uma versão do candomblé, e sim uma religião autônoma.

Quem é Bará no Batuque?

Bará é o orixá que corresponde ao Exu do candomblé, o senhor dos caminhos e da comunicação. No Batuque, porém, ele é cultuado apenas como orixá, e é sempre o primeiro a ser saudado, pois abre os caminhos para que os demais possam ser chamados.


Onde encontrar artigos para os orixás

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para honrar os orixás do Batuque:

  • Guias e contas: nas cores de cada orixá
  • Quartinhas e alguidares: para os assentamentos
  • Velas coloridas: vermelha, branca, amarela, azul e mais
  • Imagens dos orixás: para o seu altar

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Referências

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