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Umbanda 9 min de leitura

O que pedir para o caboclo na gira e o que não se pede

O que pedir para o caboclo na gira de umbanda: o campo dele é erva, limpeza e caminho. Veja o que se leva, como se fala com ele, e o que nunca se pede.

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Resumo

Na consulta com o caboclo o fluxo é o inverso do que a pergunta sugere. Você leva o problema e ele devolve uma tarefa: banho, vela, defumação, mudança de postura. A pesquisa que estudou consultas mediúnicas na umbanda chama isso de solicitação e execução dos pedidos realizados pelas entidades, e é assim que os próprios consulentes descrevem.

O campo do caboclo é erva, limpeza, força e abertura de caminho. Ele prescreve banho, chá e ritual, e oferece escuta. O que fica fora do campo dele é o que atinge terceiro, o que atropela a decisão da pessoa e o que é do médico. Uma etnografia de terreiro registra que o caboclo estudado ali não é acionado para atacar, só para defender.

Consulta com entidade não se cobra, e as casas dizem isso por escrito. A saudação confirmada é Okê Caboclo, que vem do Okê Arô de Oxóssi. Vela, charuto e erva são o que costuma acompanhar, e bebida varia tanto de casa para casa que não existe resposta única.

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Quem procura o que pedir para o caboclo costuma chegar à gira com uma encomenda pronta na cabeça. Na prática o fluxo é o contrário: você leva o problema, e ele devolve uma tarefa para você cumprir.

Este guia mostra qual é o campo de trabalho do caboclo, como a consulta funciona de verdade, o que se leva, e o que não se pede. A última parte é a que evita constrangimento.


Na consulta, quem mais pede é a entidade

A pesquisa que estudou de perto as consultas mediúnicas da umbanda nomeia o fenômeno sem rodeio. Luana Silva e Fabio Scorsolini-Comin, na Revista de Estudos da Religião, chamam a categoria de solicitação e execução dos pedidos realizados pelas entidades.

Os consulentes entrevistados descrevem exatamente isso. Um deles conta que a entidade pediu vela para o anjo de guarda e banho de rosa branca, arruda, guiné e manjericão, e que ele fez tudo. Outro resume em quatro palavras: sempre pedem, e eu sempre faço.

Ou seja, você não encomenda um resultado, você recebe uma tarefa. Chegar preparado para anotar o que a entidade indicar rende mais que chegar com uma lista de exigências.

Em outro trabalho, publicado na revista Saúde e Sociedade, os mesmos pesquisadores listam o repertório da consulta: prescrição de banhos, uso de chás, realização de rituais, e o espaço de acolhimento que a conversa abre.


O campo do caboclo: erva, limpeza, força e caminho

O caboclo não trata de tudo, e saber o recorte dele evita pedir a pessoa errada. As fontes de campo convergem: cura, limpeza, quebra de demanda e abertura de caminho.

A etnografia de Jean Favaro, Hieda Corona e Jandir Ramos, apresentada na Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia, descreve os caboclos como mestres espirituais indígenas. Ela registra o ensino do uso de ervas, raízes e sementes para banho, defumação e chá. A erva é o ofício dele.

Na prática da gira, os pedidos que cabem nesse campo são assim:

  • Limpeza e descarrego quando a fase pesou, o corpo cansou e o ambiente ficou denso.
  • Abertura de caminho para trabalho, estudo e mudança.
  • Força e coragem para atravessar uma decisão que já foi tomada.
  • Proteção de casa, de família e de rotina.
  • Orientação sobre um impasse, com a ressalva de que a escolha continua sendo sua.

Quem quiser o retrato completo da entidade, com falanges, nomes e história, encontra em caboclos na umbanda. Aqui o assunto é o que você faz diante dele.

Vale delimitar antes de seguir: o caboclo também existe no candomblé, com fundamento próprio, assunto de candomblé de caboclo. Este texto é de umbanda.


Como a consulta acontece

A cena tem uma ordem, e conhecê-la tira metade do nervosismo. A dissertação de Nícolas Mastrocola Garcia, na Antropologia da UFSC, descreve a gira de caboclo por dentro.

Os médiuns manifestam os caboclos, e a assistência é organizada em fila para receber o passe. O passe vem primeiro e é coletivo. Só depois a consulta acontece, individual, num canto do terreiro, e quem abre a conversa é a própria entidade perguntando o que você quer saber.

O cambone está ali o tempo todo, chamando a fila, acendendo a vela e o charuto, e traduzindo a fala da entidade quando você não entende. Perguntar a ele o que ficou obscuro não é falta de educação. O ofício está explicado em cambone na umbanda.

Sobre duração e ordem da fila, a resposta honesta é que varia por casa, e nenhuma fonte séria crava número. Se quiser saber como o rito inteiro se organiza antes de ir, veja o que é a gira de umbanda.

Anote o que a entidade indicar. O banho, a vela e a defumação que ela pedir são a parte da conversa que continua depois que você sai do terreiro.


O que se leva

Duas coisas diferentes costumam ser confundidas aqui, e a confusão gera constrangimento.

Para a casa vai o donativo e o material de gira: vela, fita, charuto, insumo de ritual e alimento não perecível para a caridade que a casa faz. Isso é contribuição com o terreiro, não é oferta ao caboclo.

Para o caboclo vai a oferenda, que é outra coisa. Acontece fora, na mata, na cachoeira ou onde a casa indicar, e sempre com indicação do dirigente. Não se monta oferenda de mata por conta própria depois de ler um texto na internet.

O repertório que as fontes registram é enxuto: frutas, flores, charuto, mel, água de fonte e vela. A cor mais citada é o verde, e há casas que usam a cor do orixá da falange, o que costuma remeter a Oxóssi.

Sobre bebida, a divergência é grande demais para virar regra. Favaro registra um caboclo que bebe cerveja preta, e a Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo menciona charuto e cerveja para alguns. Outras casas registram vinho ou suco natural, e há casas que não trabalham com álcool. Quem define é a entidade e a casa.

Se a tarefa que voltar for banho, a defumação para limpeza e o banho de sete ervas são os pontos de partida mais comuns.


Como se fala com ele

A saudação confirmada em mais de uma fonte é Okê Caboclo, que vem do Okê Arô de Oxóssi, orixá da mata e regente da linha.

Há quem saúde pela vibração do orixá da falange, mas isso varia de casa para casa e não tem registro firme. Na dúvida, use Okê Caboclo e observe o que a casa faz.

Fale o problema com objetividade. E se a entidade indicar algo que você não vai conseguir cumprir, diga na hora, porque prometer o que não se vai fazer é pior que recusar.


O que não se pede

Esta é a parte que quase ninguém escreve, e cada item aqui tem fonte.

  • Mal a terceiro. A etnografia de Favaro registra que o caboclo estudado não é acionado para incitar ataques espirituais, apenas para se defender deles. Defesa é o campo, ataque não é.
  • Amarração e trabalho para prejudicar alguém. A Confraria dos Pretos Velhos de Umbanda declara nas diretrizes que não faz trabalho de amarração nem nada que prejudique o próximo.
  • Que a entidade decida por você. O Colégio Espiritualista de Umbanda Caboclo Pery orienta que a consulta sirva ao esclarecimento e ao fortalecimento da autonomia, e que o médium evite incentivar dependência.
  • Interferir no livre-arbítrio de outra pessoa. O Terreiro de Umbanda Pai Maneco é direto: a lei do livre-arbítrio é imperiosa, e nem a entidade protetora contorna a escolha de quem escolheu.
  • Testar a entidade. Mentir na consulta para ver se ela acerta é prática relatada e desgastante, como conta o texto consulta é coisa séria.
  • Diagnóstico e prognóstico médico. Nem o caboclo substitui o médico, nem a consulta substitui o tratamento.

Sobre esse último ponto, a melhor formulação veio de um adepto entrevistado na pesquisa da Saúde e Sociedade. Ele diz que o médico trata o físico, os médiuns tratam o que está no íntimo, e que ter os dois acompanhamentos é um conjunto. Os pesquisadores concluem que o terreiro apareceu ali como espaço de integração, não de oposição ao cuidado formal.


Perguntas frequentes

O que se pede para um caboclo na umbanda?

Limpeza, descarrego, abertura de caminho, proteção, força para atravessar uma fase e orientação sobre um impasse. Fora do campo dele ficam pedidos que atingem terceiros e questões de saúde que são do médico. E lembre que boa parte da consulta é a entidade pedindo, com banho, vela ou defumação para você cumprir depois.

Como se saúda o caboclo na gira?

A saudação registrada em mais de uma fonte é Okê Caboclo, que deriva do Okê Arô de Oxóssi, orixá da mata. Algumas casas saúdam pela vibração do orixá da falange, mas isso varia. Se estiver visitando pela primeira vez, use Okê Caboclo e acompanhe o que a casa faz.

O que o caboclo bebe?

Não há resposta única, e as fontes divergem de verdade. Uma etnografia registra um caboclo que toma cerveja preta, uma federação menciona charuto e cerveja para alguns, outras casas registram vinho ou suco natural. Há ainda casas que não trabalham com bebida alcoólica. Quem define é a entidade e a casa.

Precisa pagar para consultar com o caboclo?

Não. As casas afirmam isso por escrito, e a Confraria dos Pretos Velhos declara atendimento gratuito para consulta, passe e trabalho espiritual. Existe variação real, registrada em pesquisa, mas a norma declarada é a gratuidade. A contribuição está em primeira vez na umbanda.


Onde encontrar o que a consulta costuma pedir

Na Joia Mística Laroyê você encontra o material que aparece nessas fontes:

  • Velas verde e branca, de palito e de sete dias
  • Charuto para a gira e para a oferenda
  • Ervas frescas e secas para banho e defumação
  • Defumador e carvão
  • Guia verde e imagem de caboclo para o congá de casa

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Se você ainda não sabe qual entidade caminha com você, o teste da entidade é a porta de entrada. O banho que a consulta costuma devolver tem guia em qual banho tomar.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

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R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
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