O mastruz é uma das ervas de cura mais conhecidas do Brasil, e ao mesmo tempo uma das mais mal usadas. A mesma folha que o povo toma como chá de saúde guarda um composto que exige respeito e mão leve.
Este guia mostra para que serve o mastruz na tradição afro-brasileira e na medicina popular, como preparar o banho, o chá e a defumação, e os cuidados sérios que a planta pede. Nada de promessa de cura milagrosa, e sim uso consciente.
O que é o mastruz e seus nomes
O mastruz é a planta Dysphania ambrosioides, antes classificada como Chenopodium ambrosioides. É uma erva anual de cheiro forte e marcante, que cresce fácil em quintal e terreno baldio por todo o país.
Ela atende por muitos nomes conforme a região. Os mais comuns são:
- Erva-de-santa-maria e mentruz, os nomes mais espalhados fora do Nordeste.
- Mastruço, matruz e mentraz, variações do mesmo nome.
- Lombrigueira e erva-formigueira, apelidos que já entregam o uso mais antigo contra vermes.
O verbete erva-de-santa-maria na Wikipédia lembra que o nome popular é dado a mais de uma espécie, então na hora de comprar ou colher vale confirmar que é a Dysphania ambrosioides, a folha de cheiro forte e sabor amargo.
Mastruz na umbanda: a erva de cura de Omulu
Na tradição afro-brasileira, o mastruz entra no ervário da cura. Por isso muitas casas o consagram a Obaluaê e a Omulu, o orixá da saúde e da doença, aquele que fere e sara com a mesma mão. Quem quiser conhecer o orixá antes da erva pode ler quem é Obaluaê e Omulu.
O mastruz é usado em banhos de saúde e regeneração, para levantar o astral de quem está adoentado ou abatido, e também no amaci, o banho que firma e liga a cabeça ao guia, explicado em o que é amaci. A energia dele é de restauração, de recompor o corpo e o campo depois de um baque.
A cura de Omulu não é a promessa de milagre. É o cuidado, a paciência e o respeito ao tempo do corpo. A erva ajuda a harmonizar, não substitui o remédio nem o médico.
Vale uma nota de honestidade: a lista de ervas de Omulu varia de casa para casa. Algumas incluem o mastruz, outras trabalham com gervão, assa-peixe ou babosa. O costume do seu terreiro tem sempre a palavra final. Agosto costuma ser o mês dedicado a Obaluaê, uma boa época para os trabalhos de saúde, como mostra a página do mês de Obaluaê.
Para que serve o mastruz na saúde
Na medicina popular, o mastruz tem uma folha de currículo longo, e boa parte dele já foi estudada. A base fitoterápica Fitoterapia Brasil reúne os usos tradicionais mais citados da Dysphania ambrosioides.
- Vermífugo: é o uso mais antigo. O composto ascaridol age contra vermes intestinais, e daí vem o apelido de lombrigueira.
- Cicatrizante: as folhas amassadas em compressa são usadas no povo para ajudar a fechar feridas e contusões.
- Anti-inflamatório: aparece ligado ao alívio de dores nas juntas, como nos casos de artrose.
- Respiratório: o chá é uso tradicional em quadros de bronquite e tosse.
- Digestivo: tomado depois de refeições pesadas para ajudar a digestão.
Segundo o portal Tua Saúde, o chá é a forma mais segura de uso, porque tem concentração bem menor do princípio ativo do que o óleo essencial. Ainda assim, nada disso dispensa acompanhamento. O mastruz acompanha um tratamento de saúde, nunca toma o lugar dele.
Como usar o mastruz: banho, chá e defumação
O mastruz aparece em três formas principais no dia a dia de quem trabalha com a erva.
Banho de saúde
- Ferva 1 litro de água e desligue o fogo assim que levantar fervura.
- Junte um punhado de folhas frescas de mastruz e tampe por dez minutos.
- Coe e deixe amornar. Tome primeiro o banho de higiene comum.
- Derrame do pescoço para baixo, nunca na cabeça, firmando a intenção de saúde e renovação.
- Não enxágue e se seque com toalha limpa, sem esfregar.
A cabeça, o ori, tem tratamento próprio no amaci, feito com orientação da casa. Para escolher a companhia certa de outras folhas, vale ver o banho de sete ervas e a diferença entre ervas quentes e frias.
Chá
O chá se faz com uma colher de folhas secas para uma xícara de água fervida, abafado por dez minutos. Tome no máximo meia a uma xícara por vez e não repita por muitos dias seguidos. Menos é mais com o mastruz.
Defumação
Seca e queimada com outras ervas, a folha entra em defumações de limpeza e saúde do ambiente, no mesmo espírito da defumação para limpeza da casa.
Cuidados e contraindicações do mastruz
Aqui está a parte que nenhuma lista de chá caseiro deveria pular. O mastruz é potente justamente porque é forte, e forte demais faz mal.
Atenção: o ascaridol do mastruz é tóxico em dose alta. O óleo essencial da planta pode afetar o fígado, os rins e o sistema nervoso. Nunca use o óleo essencial por conta própria e nunca aumente a dose achando que cura mais rápido.
Guarde estes limites, todos apontados pelas fontes de fitoterapia:
- Gestantes e lactantes não devem usar. A planta pode provocar contrações e é contraindicada na gravidez.
- Crianças pequenas fora. As fontes marcam idade mínima, então na dúvida não dê a criança pequena.
- Quem tem problema de fígado, rim ou audição evita. A toxicidade do ascaridol pesa mais nesses casos.
- Sem uso prolongado. Poucos dias por vez, com intervalo, nunca um chá diário sem fim.
Efeitos de excesso incluem dor de cabeça, náusea, vômito e, em casos graves, lesão de fígado e rim. Diante de qualquer dúvida, procure um médico ou farmacêutico. A erva é aliada do cuidado, não atalho.
Mastruz e losna: duas ervas de Omulu
As duas folhas caminham com Omulu, mas fazem trabalhos opostos, e confundir uma com a outra é erro comum.
A losna é a erva do corte. Amarga e severa, ela purga, seca e afasta, própria para descarrego pesado e ruptura de vícios, como explica o artigo sobre a losna. É a mão firme de Omulu que arranca o que apodrece.
O mastruz é a erva da restauração. Depois que a losna corta, o mastruz ajuda a recompor, a fechar a ferida e a levantar o astral. É a mão que sara. Numa leitura simples: a losna limpa o terreno, o mastruz replanta.
Perguntas frequentes
Para que serve o mastruz?
O mastruz serve, na tradição, como erva de cura e regeneração ligada a Obaluaê, usada em banhos de saúde, amaci e defumação. Na medicina popular, é conhecido como vermífugo, cicatrizante e anti-inflamatório. Sempre como apoio ao cuidado, nunca como substituto do médico.
Mastruz pode tomar todo dia?
Não é recomendado. O mastruz tem ascaridol, um composto tóxico em dose alta ou uso prolongado. O certo é tomar pouco, por poucos dias, com intervalo. Chá diário sem fim pode sobrecarregar o fígado e os rins. Na dúvida, converse com um profissional de saúde.
Qual o orixá do mastruz?
Em muitas casas o mastruz é consagrado a Obaluaê e Omulu, o orixá da cura e da saúde, pela energia de regeneração da folha. Mas a associação varia de terreiro para terreiro, e algumas casas o ligam a outros orixás. O costume da sua casa tem a palavra final.
Como fazer banho de mastruz?
Ferva um litro de água, desligue e junte um punhado de folhas frescas. Tampe por dez minutos, coe e deixe amornar. Depois do banho comum, derrame do pescoço para baixo, firmando a intenção de saúde. Não enxágue e evite a cabeça, que tem tratamento próprio.
Grávida pode usar mastruz?
Não. O mastruz é contraindicado na gravidez e na amamentação, porque a planta pode provocar contrações e o ascaridol é tóxico. Gestantes que buscam um banho de acolhimento devem procurar ervas frias e suaves, sempre com orientação da casa e do médico que acompanha a gestação.
Onde comprar mastruz e ervas de Omulu
Na Joia Mística Laroyê, você encontra ervas frescas e secas para banho, chá e defumação:
- Mastruz e ervas de saúde: folhas para banho e defumação de Omulu
- Losna e ervas de descarrego: para limpeza profunda antes da restauração
- Combos de banho de sete ervas: prontos, separados por finalidade
- Velas brancas de Omulu e Oxalá: para firmar a intenção de cura
- Defumadores e carvão: para a defumação de saúde do ambiente
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Referências
- Fitoterapia Brasil: ficha da planta medicinal Dysphania ambrosioides, com usos e toxicidade
- Tua Saúde: artigo sobre para que serve o mastruz, preparo e contraindicações
- Raízes Espirituais: texto sobre as folhas e ervas de Omulu na umbanda
- Wikipédia: verbete erva-de-santa-maria, com a espécie Dysphania ambrosioides