A gira de quimbanda é a sessão em que Exus e Pombagiras, o Povo de Rua, descem para trabalhar: ouvir, aconselhar, limpar e abrir caminhos. Ela também é chamada de gira de esquerda, e carrega fama pesada por causa de um preconceito antigo que confunde Exu com o diabo cristão. Não é isso.
Este guia mostra o que acontece de verdade numa gira de quimbanda: o que é a gira de esquerda, as etapas do ritual do começo ao fim, o que se oferece e como se portar quando você visita uma casa.
O que é a gira de quimbanda
A gira de quimbanda é a reunião ritual dedicada aos Exus e Pombagiras. Enquanto a umbanda organiza suas giras em torno de caboclos, pretos-velhos e erês, a quimbanda trabalha com o Povo de Rua: entidades que dominam a comunicação, as encruzilhadas, a força e o trabalho.
Antes de qualquer coisa, é preciso desfazer a confusão mais comum. Ao contrário do que o preconceito cristão repete, Exu não é o demônio das tradições abraâmicas. Ele é a entidade dos caminhos e da comunicação, o primeiro a ser saudado para que os trabalhos aconteçam. A quimbanda é uma religião brasileira de raízes bantu e iorubá, com estrutura e liturgia próprias, e merece a mesma naturalidade que se dá a qualquer fé.
“Laroyê, Exu! Salve a Pombagira!” A saudação abre a roda e reconhece quem chega para trabalhar.
Se você ainda está se situando na tradição, vale começar pelo panorama geral em o que é a Quimbanda, que explica origem, reinos e o lugar de Exu e Pombagira.
Gira de esquerda e gira de direita: a diferença
Na linguagem dos terreiros, os trabalhos se dividem em direita e esquerda. A divisão entre esquerda e direita organiza campos de atuação, não é juízo moral: esquerda não quer dizer “do mal” nem direita “do bem”.
- Gira de direita: caboclos, pretos-velhos, erês e outras linhas da umbanda, com trabalho mais voltado à cura, ao conselho e ao acolhimento.
- Gira de esquerda: Exus e Pombagiras, especialistas em resolver questões concretas da vida na rua, na justiça dos caminhos, na proteção e na quebra de demandas.
Muitas casas fazem as duas, em dias distintos. Segunda-feira e sexta-feira são comuns para os trabalhos de esquerda. Quem quiser entender por que umbanda e quimbanda não são a mesma coisa encontra o contraste completo em diferença entre umbanda e quimbanda.
As etapas de uma gira de quimbanda
Cada casa tem seu fundamento, e nenhum roteiro descreve todas. Ainda assim, uma gira de esquerda costuma seguir uma sequência reconhecível, do preparo ao despacho.
1. Firmeza da Tronqueira
Tudo começa na Tronqueira, a casa de Exu na entrada do terreiro. O dirigente firma velas, saúda os guardiões e pede licença para abrir os trabalhos. É a porteira espiritual da casa: nada entra sem passar por ali. O funcionamento dessa guarda está detalhado em o que é a tronqueira.
2. Defumação
Em seguida vem a defumação do espaço e das pessoas presentes. A fumaça de ervas limpa o ambiente, dispersa energias densas e prepara os médiuns e os consulentes para a chegada das entidades.
3. Pontos cantados de abertura
Os pontos cantados são os cânticos que invocam e saúdam Exu e Pombagira. Ao som do atabaque e das palmas, eles marcam cada fase da gira e chamam as entidades para a roda. O ponto não é enfeite: é linguagem ritual que abre e conduz o trabalho.
4. Chegada das entidades
Com a roda aquecida, as entidades incorporam nos médiuns preparados. A chegada de um Exu ou de uma Pombagira tem gestual próprio, riso, saudação e forma de se apresentar. Cada entidade tem seu nome, sua linha e seu jeito, de Tranca-Ruas a Maria Padilha.
5. Consultas e trabalhos
É o coração da gira. As entidades atendem os consulentes um a um, dão passes, orientam, indicam banhos, firmezas e oferendas. Aqui se tratam questões de proteção, caminhos fechados, justiça e amor, sempre no campo do preparo espiritual.
6. Encerramento e despacho
No fim, os pontos de saída agradecem e despedem as entidades. O dirigente encerra a firmeza da Tronqueira e, quando há oferenda, ela é despachada no ponto certo. A casa volta ao repouso até a próxima gira.
O que se oferece numa gira de Exu e Pombagira
As oferendas variam por entidade e por casa, e quem define é sempre o dirigente. No repertório mais comum aparecem velas vermelhas e pretas, marafo (a bebida), charutos e cigarros de palha, farofa de dendê, e, para as Pombagiras, taças, rosas vermelhas e perfume.
Nada disso funciona como transação automática. A oferenda é gesto de respeito e de conexão, não pagamento por resultado garantido. Para entender o que cada guardião costuma pedir e onde entregar, veja oferenda para Exu.
Regra de ouro do visitante: não se leva nem se entrega oferenda por conta própria dentro de uma casa. A orientação vem sempre do dirigente ou da própria entidade na consulta.
Como se portar numa gira de quimbanda
Você não precisa ser iniciado para assistir a uma gira aberta, mas precisa de postura. Alguns cuidados que toda casa espera:
- Chegue com respeito e roupa discreta. Muitas casas pedem branco ou cores sóbrias; pergunte antes.
- Saúde ao entrar. Um “Laroyê, Exu!” sincero basta. Reverencie a Tronqueira de fora, sem tocar em assentamentos.
- Não fotografe sem permissão. Filmar médiuns e altares sem autorização é falta grave.
- Silêncio e atenção. Nada de conversa paralela durante os pontos e as incorporações.
- Na consulta, seja honesto e ouça. A entidade orienta; cabe a você seguir ou não, com responsabilidade.
- Não peça garantia. Trabalho sério é preparo espiritual, nunca promessa de milagre com data marcada.
Quem trata Exu e Pombagira com a mesma dignidade que daria a qualquer entidade religiosa é bem recebido. O preconceito fica na porta.
Perguntas frequentes
O que é uma gira de quimbanda?
É a sessão ritual da quimbanda dedicada aos Exus e Pombagiras, o chamado Povo de Rua. Nela, as entidades incorporam nos médiuns para dar passes, consultas e orientações. Também é conhecida como gira de esquerda, em contraste com a gira de direita da umbanda.
Qual a diferença entre gira de esquerda e gira de direita?
A gira de direita reúne caboclos, pretos-velhos e erês, com foco em cura e conselho. A gira de esquerda reúne Exus e Pombagiras, especializados em proteção, justiça dos caminhos e questões concretas. A divisão marca campos de atuação, não uma oposição entre bem e mal.
Pode ir numa gira de quimbanda sem ser do santo?
Em giras abertas, sim. Basta chegar com respeito, saudar ao entrar, manter silêncio durante os pontos e as incorporações e seguir a orientação da casa. Práticas mais internas e trabalhos de fundamento são reservados a quem tem função no terreiro.
O que se oferece numa gira de Exu?
Depende da entidade e do fundamento da casa. Costumam aparecer velas vermelhas e pretas, marafo, charutos, farofa de dendê e, para as Pombagiras, taças, rosas e perfume. A composição é definida pelo dirigente, nunca por conta própria do visitante.
Como se comportar numa gira de Exu e Pombagira?
Chegue com roupa discreta, saúde ao entrar, não fotografe sem permissão e fique em silêncio durante os trabalhos. Na consulta, seja honesto e ouça a orientação. Trate as entidades com a mesma naturalidade que daria a qualquer tradição religiosa.
Onde encontrar velas, charutos e itens de trabalho
A gira acontece na casa, conduzida pelo dirigente. O que a Joia Mística Laroyê oferece são os itens de uso corrente da vida religiosa:
- Velas vermelhas e pretas: nos tamanhos de uso ritual
- Marafo, charutos e cigarros de palha: itens de oferenda ao Povo de Rua
- Imagens e ferramentas de Exu e Pombagira: tridentes, ferraduras e peças de firmeza
- Ervas secas e frescas: para defumação e limpeza do espaço
- Rosas, taças e perfumes: para as oferendas de Pombagira
Visite nossa loja física em Extrema-MG ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil. A Joice ajuda você a escolher conforme a orientação da sua casa.