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Quimbanda 7 min de leitura

Gira de quimbanda: como funciona a sessão de Exu

A gira de quimbanda é a sessão de Exu e Pombagira. Veja o que é a gira de esquerda, as etapas do ritual, o que se oferece e como se portar na casa.

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Tronqueira à meia-luz com velas vermelhas e pretas, charutos, taça de bebida e capa vermelha, fumaça densa no ar.

Resumo

A gira de Quimbanda é a sessão ritualística consagrada exclusivamente à manifestação, firmeza e trabalho dos espíritos guardiões da Esquerda — Exus de Lei e Pombagiras de fundamento.

O ambiente litúrgico é preparado com toques ritmados e vigorosos de atabaques, cantigas de exu (pontos cantados de esquerda), defumações densas com resinas e ervas quentes e assentamentos na tronqueira ativados com azeite de dendê e aguardente.

Nessas sessões realizam-se desobsessões graves, cortes de magias destrutivas, fechamentos de corpo e orientações diretas aos consulentes, sempre sob a rigorosa disciplina e preceitos do sacerdote responsável.

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A gira de quimbanda é a sessão em que Exus e Pombagiras, o Povo de Rua, descem para trabalhar: ouvir, aconselhar, limpar e abrir caminhos. Ela também é chamada de gira de esquerda, e carrega fama pesada por causa de um preconceito antigo que confunde Exu com o diabo cristão. Não é isso.

Este guia mostra o que acontece de verdade numa gira de quimbanda: o que é a gira de esquerda, as etapas do ritual do começo ao fim, o que se oferece e como se portar quando você visita uma casa.


O que é a gira de quimbanda

A gira de quimbanda é a reunião ritual dedicada aos Exus e Pombagiras. Enquanto a umbanda organiza suas giras em torno de caboclos, pretos-velhos e erês, a quimbanda trabalha com o Povo de Rua: entidades que dominam a comunicação, as encruzilhadas, a força e o trabalho.

Antes de qualquer coisa, é preciso desfazer a confusão mais comum. Ao contrário do que o preconceito cristão repete, Exu não é o demônio das tradições abraâmicas. Ele é a entidade dos caminhos e da comunicação, o primeiro a ser saudado para que os trabalhos aconteçam. A quimbanda é uma religião brasileira de raízes bantu e iorubá, com estrutura e liturgia próprias, e merece a mesma naturalidade que se dá a qualquer fé.

“Laroyê, Exu! Salve a Pombagira!” A saudação abre a roda e reconhece quem chega para trabalhar.

Se você ainda está se situando na tradição, vale começar pelo panorama geral em o que é a Quimbanda, que explica origem, reinos e o lugar de Exu e Pombagira.


Gira de esquerda e gira de direita: a diferença

Na linguagem dos terreiros, os trabalhos se dividem em direita e esquerda. A divisão entre esquerda e direita organiza campos de atuação, não é juízo moral: esquerda não quer dizer “do mal” nem direita “do bem”.

  • Gira de direita: caboclos, pretos-velhos, erês e outras linhas da umbanda, com trabalho mais voltado à cura, ao conselho e ao acolhimento.
  • Gira de esquerda: Exus e Pombagiras, especialistas em resolver questões concretas da vida na rua, na justiça dos caminhos, na proteção e na quebra de demandas.

Muitas casas fazem as duas, em dias distintos. Segunda-feira e sexta-feira são comuns para os trabalhos de esquerda. Quem quiser entender por que umbanda e quimbanda não são a mesma coisa encontra o contraste completo em diferença entre umbanda e quimbanda.


As etapas de uma gira de quimbanda

Cada casa tem seu fundamento, e nenhum roteiro descreve todas. Ainda assim, uma gira de esquerda costuma seguir uma sequência reconhecível, do preparo ao despacho.

1. Firmeza da Tronqueira

Tudo começa na Tronqueira, a casa de Exu na entrada do terreiro. O dirigente firma velas, saúda os guardiões e pede licença para abrir os trabalhos. É a porteira espiritual da casa: nada entra sem passar por ali. O funcionamento dessa guarda está detalhado em o que é a tronqueira.

2. Defumação

Em seguida vem a defumação do espaço e das pessoas presentes. A fumaça de ervas limpa o ambiente, dispersa energias densas e prepara os médiuns e os consulentes para a chegada das entidades.

3. Pontos cantados de abertura

Os pontos cantados são os cânticos que invocam e saúdam Exu e Pombagira. Ao som do atabaque e das palmas, eles marcam cada fase da gira e chamam as entidades para a roda. O ponto não é enfeite: é linguagem ritual que abre e conduz o trabalho.

4. Chegada das entidades

Com a roda aquecida, as entidades incorporam nos médiuns preparados. A chegada de um Exu ou de uma Pombagira tem gestual próprio, riso, saudação e forma de se apresentar. Cada entidade tem seu nome, sua linha e seu jeito, de Tranca-Ruas a Maria Padilha.

5. Consultas e trabalhos

É o coração da gira. As entidades atendem os consulentes um a um, dão passes, orientam, indicam banhos, firmezas e oferendas. Aqui se tratam questões de proteção, caminhos fechados, justiça e amor, sempre no campo do preparo espiritual.

6. Encerramento e despacho

No fim, os pontos de saída agradecem e despedem as entidades. O dirigente encerra a firmeza da Tronqueira e, quando há oferenda, ela é despachada no ponto certo. A casa volta ao repouso até a próxima gira.


O que se oferece numa gira de Exu e Pombagira

As oferendas variam por entidade e por casa, e quem define é sempre o dirigente. No repertório mais comum aparecem velas vermelhas e pretas, marafo (a bebida), charutos e cigarros de palha, farofa de dendê, e, para as Pombagiras, taças, rosas vermelhas e perfume.

Nada disso funciona como transação automática. A oferenda é gesto de respeito e de conexão, não pagamento por resultado garantido. Para entender o que cada guardião costuma pedir e onde entregar, veja oferenda para Exu.

Regra de ouro do visitante: não se leva nem se entrega oferenda por conta própria dentro de uma casa. A orientação vem sempre do dirigente ou da própria entidade na consulta.


Como se portar numa gira de quimbanda

Você não precisa ser iniciado para assistir a uma gira aberta, mas precisa de postura. Alguns cuidados que toda casa espera:

  • Chegue com respeito e roupa discreta. Muitas casas pedem branco ou cores sóbrias; pergunte antes.
  • Saúde ao entrar. Um “Laroyê, Exu!” sincero basta. Reverencie a Tronqueira de fora, sem tocar em assentamentos.
  • Não fotografe sem permissão. Filmar médiuns e altares sem autorização é falta grave.
  • Silêncio e atenção. Nada de conversa paralela durante os pontos e as incorporações.
  • Na consulta, seja honesto e ouça. A entidade orienta; cabe a você seguir ou não, com responsabilidade.
  • Não peça garantia. Trabalho sério é preparo espiritual, nunca promessa de milagre com data marcada.

Quem trata Exu e Pombagira com a mesma dignidade que daria a qualquer entidade religiosa é bem recebido. O preconceito fica na porta.


Perguntas frequentes

O que é uma gira de quimbanda?

É a sessão ritual da quimbanda dedicada aos Exus e Pombagiras, o chamado Povo de Rua. Nela, as entidades incorporam nos médiuns para dar passes, consultas e orientações. Também é conhecida como gira de esquerda, em contraste com a gira de direita da umbanda.

Qual a diferença entre gira de esquerda e gira de direita?

A gira de direita reúne caboclos, pretos-velhos e erês, com foco em cura e conselho. A gira de esquerda reúne Exus e Pombagiras, especializados em proteção, justiça dos caminhos e questões concretas. A divisão marca campos de atuação, não uma oposição entre bem e mal.

Pode ir numa gira de quimbanda sem ser do santo?

Em giras abertas, sim. Basta chegar com respeito, saudar ao entrar, manter silêncio durante os pontos e as incorporações e seguir a orientação da casa. Práticas mais internas e trabalhos de fundamento são reservados a quem tem função no terreiro.

O que se oferece numa gira de Exu?

Depende da entidade e do fundamento da casa. Costumam aparecer velas vermelhas e pretas, marafo, charutos, farofa de dendê e, para as Pombagiras, taças, rosas e perfume. A composição é definida pelo dirigente, nunca por conta própria do visitante.

Como se comportar numa gira de Exu e Pombagira?

Chegue com roupa discreta, saúde ao entrar, não fotografe sem permissão e fique em silêncio durante os trabalhos. Na consulta, seja honesto e ouça a orientação. Trate as entidades com a mesma naturalidade que daria a qualquer tradição religiosa.


Onde encontrar velas, charutos e itens de trabalho

A gira acontece na casa, conduzida pelo dirigente. O que a Joia Mística Laroyê oferece são os itens de uso corrente da vida religiosa:

  • Velas vermelhas e pretas: nos tamanhos de uso ritual
  • Marafo, charutos e cigarros de palha: itens de oferenda ao Povo de Rua
  • Imagens e ferramentas de Exu e Pombagira: tridentes, ferraduras e peças de firmeza
  • Ervas secas e frescas: para defumação e limpeza do espaço
  • Rosas, taças e perfumes: para as oferendas de Pombagira

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