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Umbanda 9 min de leitura

O que preto velho gosta de ganhar: café, fumo e vela

O que preto velho gosta de ganhar: café, fumo de rolo, vela branca e preta e flores. Veja o dia de levar, onde deixar o agrado e o que não se oferece a ele.

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Agrado a preto velho num congá: xícara de café, cachimbo de barro com fumo de rolo, velas branca e preta acesas, ramo de arruda e flores brancas.

Resumo

O agrado mais tradicional ao preto velho é o café, item que aparece tanto na lista institucional do Santuário Nacional da Umbanda quanto na cobertura de imprensa da data. Ao lado dele vêm o fumo de rolo, o cachimbo, as velas branca e preta, o ramo de arruda e a comida simples de roça.

A bebida é o ponto onde as casas mais divergem. Há registro acadêmico de bebida doce com álcool, como cachaça com mel e vinho suave, e há muita casa que não trabalha com álcool nenhum, onde o agrado é café ou água. Quem decide é o dirigente, e cerveja não se oferece.

O dia da semana mais citado é a segunda-feira, e a data anual é 13 de maio. Parte do meio umbandista defende mudar essa data para 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares. O agrado se deixa no congá ou no ponto que a casa destinar, e o que não é biodegradável se recolhe depois.

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O que preto velho gosta de ganhar cabe numa mesa simples: café, fumo, vela e flor. É agrado de gente da roça, e a simplicidade é o ponto, não uma limitação de orçamento.

Aqui você vê o que se oferece, o que ele bebe, em que dia se leva, onde deixar e o que não se leva. Quem é a entidade e como ela trabalha está em pretos-velhos na umbanda.


O que se oferece a um preto velho

O café é o agrado mais associado a eles, e é o mais seguro quando você não tem orientação da casa. Ele aparece na lista de alimentos da Casa dos Pretos-Velhos do Santuário Nacional da Umbanda, que é a maior referência institucional aberta sobre o tema.

O que vem junto com ele, com registro em fonte:

  • Fumo de rolo, cachimbo e cigarro de palha, os objetos de trabalho da entidade.
  • Velas branca e preta, que são as cores da linha das Almas. O uso das cores está em velas rituais.
  • Comida simples de roça, como bolo, fubá, milho, batata doce, tapioca e mandioca.
  • Ramo de arruda, a erva com que o próprio preto velho benze na gira.
  • Terço ou rosário, que acompanha a entidade nas consultas.
  • Flores brancas e amarelas, conforme o costume da casa.

Repare no que essa lista não tem. Não tem pipoca, que é comida de Obaluaê e tem página em pipoca de Obaluaê, e não tem vela roxa, que aparece em blog e não em fonte. Quando a internet mistura o agrado de uma entidade com o de um orixá, quem passa vergonha no congá é o devoto.

Preto velho não é orixá. É espírito de ancestral que viveu aqui, e que trabalha sob a irradiação de um orixá. O agrado dele é o de uma pessoa mais velha da família, não o de uma divindade.


O que preto velho gosta de beber

Café. Essa é a resposta curta, e é a única que se sustenta em toda casa. O restante muda, e vale conhecer a variação antes de sair comprando.

A pesquisa de Lourival Andrade Júnior, da UFRN, registra a oferta de bebidas doces aos pretos-velhos, como cachaça com mel ou melado e vinho suave. É prática documentada, e não é regra universal.

Do outro lado existem muitas casas que não trabalham com bebida alcoólica em nada. Nessas, o agrado é café, água ou suco, e insistir no vinho é desrespeito, não devoção. A antropóloga Melina Sousa Gomes, da UFC, resume o cenário ao escrever que cada centro de umbanda tem um modo de funcionamento próprio, o que dá aos terreiros grande heterogeneidade.

A conclusão prática é simples. Se você tem casa, pergunte ao dirigente antes de levar qualquer bebida. Se não tem, leve café.


O fumo, o cachimbo e a defumação

O fumo não é vício da entidade, é ferramenta. A fumaça do fumo de rolo e do cigarro de palha defuma: limpa o ambiente e a pessoa que está sendo atendida. Por isso o cachimbo aparece na mão do preto velho em quase toda descrição séria da gira.

A pesquisadora Lívia Lima Rezende, em estudo publicado na revista Afro-Ásia da UFBA, lista rosário, cajado e cachimbo entre os instrumentos que acompanham os pretos-velhos nas conversas e nos trabalhos. São objetos de ofício, como a bengala e o toco.

No agrado doméstico, o fumo entra como oferta: um pedaço de fumo de rolo ao lado da xícara, ou o cachimbo de barro deixado no congá. A defumação do próprio ambiente é outro assunto e está em como fazer defumação para limpeza.


O dia de levar o agrado

Segunda-feira é o dia da semana mais citado, e o Santuário Nacional da Umbanda registra assim. Boa parte das casas soma à segunda os pretos-velhos e as Almas, ponto que já aparece em dias da semana dos orixás.

A data anual é 13 de maio, a assinatura da Lei Áurea, em 1888.

E aqui entra uma discussão que o meio umbandista trava há anos, e que quase nenhuma página menciona. Parte dos intelectuais e militantes defende mudar o Dia de Preto Velho de 13 de maio para 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares. O argumento é direto: a data da abolição celebra uma liberdade concedida, e a de Zumbi celebra uma liberdade conquistada. Andrade Júnior registra esse debate como um dos mais atuais entre umbandistas.

Você não precisa tomar partido para levar o café. Mas saber que a discussão existe mostra que preto velho é memória de resistência, e não personagem de folclore.


Onde deixar e como entregar

Existem três lugares que as fontes sustentam, e a escolha depende de onde você está na religião.

  1. No congá de casa. É o caminho de quem não tem terreiro. Uma xícara de café, uma vela acesa em recipiente próprio e uma flor bastam. A montagem do congá está em como montar altar de umbanda.
  2. No terreiro, no ponto que a casa destinar. O Santuário Nacional da Umbanda, por exemplo, mantém uma Casa dos Pretos-Velhos, com espaço próprio para depositar a oferenda.
  3. Ao pé de uma árvore, imagem tradicional do preto velho sentado no banquinho ou num tronco.

Sobre o cemitério e o cruzeiro das almas, a resposta honesta é que isso é assunto de fundamento e de dirigente, e a destinação muda de casa para casa. O tema aparece em calunga grande e calunga pequena, e não é coisa que se resolva por artigo.

Duas regras valem em qualquer lugar, e as duas vêm da orientação do Santuário. Acenda a vela dentro de um veleiro, nunca solta no chão, pelo risco de incêndio. E volte depois para recolher xícara, copo, vidro e o que não se decompõe. Deixar lixo na natureza não é oferenda, é sujeira.


O que não se leva

A lista negativa é curta e resolve a maior parte dos erros.

  • Cerveja e destilado forte. Melina Sousa Gomes registra a regra do terreiro em uma frase: não se deve ofertar cerveja a um preto velho, nem uísque a uma princesa. Cada entidade tem gosto ligado à própria história.
  • Álcool em casa que não trabalha com álcool. Quem decide é o dirigente, sempre.
  • Animal morto ou sacrifício em espaço público, prática vedada nos locais de oferenda do Santuário.
  • Vidro, plástico e isopor abandonados no ponto de entrega.
  • Agrado como barganha. Café não é pagamento por pedido atendido, e nenhuma oferta obriga a entidade a nada.
  • Tratamento de folclore. Sotaque caricato, apelido infantilizado e tom pitoresco são desrespeito a uma figura que carrega a memória da escravidão brasileira.

Se você ainda não sabe qual entidade se aproxima de você, o quiz descubra sua entidade serve como porta de entrada curiosa. Ele não substitui consulta em casa séria.


Perguntas frequentes

O que o preto velho gosta de ganhar?

Café em primeiro lugar. Junto dele vêm fumo de rolo, cachimbo, velas branca e preta, ramo de arruda, flores brancas e comida simples de roça, como bolo de fubá e batata doce. A lista muda conforme o preto velho da casa, e o dirigente confirma o que aquela entidade recebe.

O que preto velho gosta de beber?

Café é o consenso. A pesquisa acadêmica registra também bebidas doces em algumas casas, como cachaça com mel ou melado e vinho suave. Muitos terreiros, porém, não trabalham com álcool nenhum, e nesses o agrado é café, água ou suco. Pergunte antes de levar bebida.

Qual é o dia de preto velho na semana?

Segunda-feira é o dia mais citado, e muitas casas reúnem nele os pretos-velhos e a linha das Almas. A data anual é 13 de maio, ligada à Lei Áurea, e parte do meio umbandista defende transferir a comemoração para 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares.

O que preto velho fuma?

Fumo de rolo no cachimbo de barro e cigarro de palha, e em algumas casas o charuto. A fumaça tem função de defumação: limpa o ambiente e a pessoa atendida durante o trabalho. Não é consumo recreativo, é ferramenta de ofício, como o rosário, o cajado e a bengala.

O que se pede para um preto velho?

Conselho, paciência e limpeza de caminho, na linguagem da própria umbanda. O que não se faz é tratar o agrado como moeda de troca por resultado com prazo. A relação é de respeito à ancestralidade, e não contrato com entrega marcada.


Onde comprar o material do agrado

Na Joia Mística Laroyê você encontra o que as casas costumam pedir para a linha:

  • Fumo de rolo, cachimbo de barro e cigarro de palha: os objetos de ofício
  • Velas branca e preta: avulsas, de sete dias e palito
  • Arruda fresca e seca, e ervas de benzimento
  • Defumador e incenso: para a limpeza do ambiente
  • Guias branca e preta e semente de lágrima de Nossa Senhora: cores e contas em guia de contas na umbanda
  • Imagem de preto velho, terço e rosário: para o congá de casa

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Uma palavra final. O agrado ao preto velho é barato de propósito, e nenhum item caro vale mais que a xícara de café posta com respeito. A loja fornece material, e o resto é da sua casa.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

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R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

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