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São Miguel Arcanjo: quem é e a festa de 29 de setembro

São Miguel Arcanjo: quem é, o que dizem as passagens bíblicas, por que a festa de 29 de setembro virou dos três arcanjos e por que ele não tem orixá fixo.

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Espada de metal e uma balança antiga sobre altar com velas azuis e brancas acesas em luz celeste.

Resumo

São Miguel Arcanjo é o príncipe supremo da milícia celeste, o arcanjo da espada de fogo que venceu Lúcifer e expulsou as forças das trevas para fora do céu sob o brado: "Quem como Deus?".

Reverenciado tanto na tradição cristã quanto no esoterismo e na Umbanda (onde atua junto à linha da Justiça e da Lei de Ogum), São Miguel é o grande guardião espiritual contra ataques psíquicos, magias hostis e perseguições demoníacas.

Sua grande festa litúrgica em 29 de setembro (e sua famosa Quaresma de orações) mobiliza milhões de devotos que clamam pelo corte de amarras energéticas, libertação espiritual e proteção inabalável para suas famílias.

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São Miguel Arcanjo é uma das devoções mais fortes do Brasil e uma das mais mal explicadas. Quase todo texto sobre ele responde na segunda linha que o arcanjo é sincretizado com Ogum, e segue adiante como se o assunto estivesse resolvido. Não está.

Este guia traz quem é São Miguel e o que as passagens bíblicas dizem de fato. Explica por que 29 de setembro virou festa dos três arcanjos, conta a história real da oração atribuída a ele e mostra o motivo de ele não ter um orixá correspondente fixo.


Quem é São Miguel Arcanjo

Miguel é um arcanjo, não um santo canonizado por processo. O “São” que carrega é título de veneração antigo, anterior ao rito formal de canonização. Essa é a primeira precisão que muda o resto do entendimento.

O nome vem do hebraico e tem um detalhe raro: ele é uma pergunta. Mikha’el se decompõe em “quem” mais “como” mais “Deus”, ou seja, “Quem como Deus?”. É uma pergunta retórica cuja resposta é ninguém. A tradição lê nela o contraste entre a humildade do arcanjo e a soberba do anjo que caiu.

Na tradição católica, ele acumula quatro papéis: príncipe da milícia celeste, defensor da Igreja, anjo do juízo e psicopompo, aquele que conduz as almas.

Um dado que costuma surpreender: na hierarquia dos nove coros angélicos, os arcanjos ocupam a terceira e última hierarquia, ao lado dos principados e dos anjos. O chefe das milícias não vem do coro mais alto da lista.


Onde São Miguel aparece na Bíblia

São quatro passagens diretas, e vale conhecer cada uma:

  • Daniel 10,13 e 10,21: Miguel aparece como “um dos primeiros príncipes”, protetor do povo.
  • Daniel 12,1: é chamado de “o grande príncipe” que se levanta em favor do povo.
  • Judas 1,9: a única vez em que a Bíblia o chama literalmente de arcanjo, na disputa pelo corpo de Moisés.
  • Apocalipse 12,7-9: a batalha celeste contra o dragão, a cena mais representada na arte.

Há ainda uma menção indireta em 1 Tessalonicenses 4,16, que fala da “voz de arcanjo”. O verbete da Wikipédia reúne as referências e a iconografia com bom detalhamento.

Um cuidado de leitura importa aqui. O dragão do Apocalipse é figura interna da narrativa bíblica cristã. Ele não tem relação alguma com Exu, com Pombagira, com a quimbanda ou com qualquer entidade das religiões afro-brasileiras. Quem faz essa ponte não está falando de religião, está reproduzindo preconceito.


A balança: o símbolo mais esquecido de São Miguel

A imagem popular mostra o arcanjo de armadura, com espada ou lança flamejante e o dragão sob os pés. Está correto, mas é só metade.

O outro atributo dele é a balança. Em boa parte da arte medieval, a cena central não é o combate: é Miguel pesando as almas no juízo. Esse é o lado de árbitro, não de soldado. É também o que aproxima o arcanjo, no plano simbólico, da ideia de justiça que os terreiros associam a Xangô.

Sobre a cor da vela, a Igreja não define uma cor oficial para São Miguel. O uso popular varia entre vermelho (fogo e combate), azul e dourado. Vale conferir com a sua devoção e com a orientação da sua casa.

Se você quer entender melhor essa escolha, o artigo sobre velas rituais e seus significados explica como as cores funcionam.


29 de setembro: por que a festa virou dos três arcanjos

A data é antiga. Por volta do ano 530, o papa Bonifácio II dedicou uma basílica a São Miguel na Via Salária, em Roma, e as cerimônias começavam em 29 de setembro. A associação da data ao arcanjo é atestada desde o século V.

Até 1969, o dia era só dele. Gabriel tinha 24 de março e Rafael tinha 24 de outubro, datas fixadas no início do século XX. Com a reforma litúrgica que entrou em vigor em 1970, as três festas foram reunidas numa só.

Hoje 29 de setembro é a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Miguel é o defensor, Gabriel é o mensageiro e Rafael é o que cura. A CNBB descreve os três papéis e lembra que muitos fiéis fazem a novena de São Miguel como preparação.

Não confunda com a memória dos Santos Anjos da Guarda, que cai em 2 de outubro. São festas diferentes.

Um ponto que muita gente errou: em setembro de 2025 foi sancionada a Lei 15.219, que incluiu o Dia de São Miguel Arcanjo no calendário oficial brasileiro. A notícia do Senado é clara: o reconhecimento é simbólico e não cria feriado.


A oração de São Miguel Arcanjo e a história real dela

A oração começa com a invocação que quase todo devoto reconhece: “São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate.”

A história documentada é esta. Em 1884, o papa Leão XIII tornou obrigatórias as chamadas Orações Leoninas ao fim da missa rezada. Em 1886, ele acrescentou a esse conjunto a oração a São Miguel. Ela foi rezada ao fim das missas até 26 de setembro de 1964, quando a instrução Inter Oecumenici a suprimiu. Em 24 de abril de 1994, João Paulo II recomendou que os fiéis não abandonassem a prática.

Circula muito a história de que Leão XIII teria escrito a oração após uma visão. Aqui vale honestidade: não há registro histórico oficial dessa cena. O relato chegou até nós por terceiros e é tratado como tradição devocional, inclusive por parte da imprensa católica. O que está documentado são as datas e o uso litúrgico.

O texto completo é de domínio público e pode ser lido nas fontes católicas e no verbete próprio da Wikipédia. Optamos por não reproduzi-lo inteiro aqui, porque a redação padrão usa termos da cosmologia cristã que, fora de contexto, já foram usados para atacar religiões de matriz africana. Devoção sim, brecha para intolerância não.


São Miguel na umbanda e no candomblé: o sincretismo que não aconteceu

Aqui está a resposta que falta na internet. São Miguel Arcanjo não tem um orixá correspondente consolidado.

Diferente de São Jorge e Ogum ou de Santa Bárbara e Iansã, que se firmaram em quase todo o Brasil, o arcanjo entrou nos terreiros como arcanjo mesmo.

Há uma razão histórica para isso. O sincretismo luso-brasileiro se organizou na correspondência entre santo canonizado e orixá, a partir de imagens, festas de calendário e atributos visíveis. Miguel não é santo canonizado e não tem biografia terrena. Além disso, os lugares simbólicos que ele poderia ocupar já estavam tomados pelos pares que se consolidaram antes.

O resultado é uma variação honesta de casa para casa:

  • Algumas casas o aproximam de Ogum pela espada e pela função de guerreiro. A relação é descrita como paralelismo, não como identidade.
  • Outras o aproximam de Xangô Aganju pelo eixo justiça, autoridade e balança.
  • Na umbanda esotérica, sistematizada por autores como Lourenço Braga (1955) e W. W. da Matta e Silva (1956), os arcanjos ganham função doutrinária clara dentro das linhas. Isso é uma corrente específica, não a umbanda inteira. Para o quadro geral, veja as 7 linhas da umbanda.
  • Muitos terreiros simplesmente o cultuam sem sincretismo nenhum, com vela, água e oração.

No candomblé a situação é outra. Boa parte das casas hoje rejeita o sincretismo de forma explícita, e o entende como resquício de perseguição, não como teologia. Não existe par consolidado com São Miguel. Aparece, de forma pontual e não normativa, uma associação com Logun Edé, citada em textos sobre orixás que ficaram sem correspondente católico claro. É variação, não regra.

Vale lembrar sempre: o sincretismo foi estratégia histórica de sobrevivência, não equivalência teológica. Povos escravizados usaram imagens católicas para seguir cultuando sob perseguição. Quem afirma que existe uma resposta única para São Miguel está inventando.


Perguntas frequentes

Quem é São Miguel Arcanjo?

É um arcanjo, não um santo canonizado por processo. Na tradição cristã, ele é o chefe das milícias celestes, defensor da Igreja e condutor das almas no juízo. Aparece no Antigo e no Novo Testamento. O nome vem do hebraico e significa “Quem como Deus?”, uma pergunta retórica cuja resposta é ninguém.

Por que 29 de setembro é o dia de São Miguel?

A data remonta ao século VI, quando o papa Bonifácio II dedicou a ele uma basílica em Roma, com as cerimônias começando em 29 de setembro. Até 1969 o dia era só de Miguel. Depois da reforma litúrgica, a data passou a ser a festa conjunta dos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

São Miguel Arcanjo é sincretizado com qual orixá?

Não existe um par consolidado. Algumas casas o aproximam de Ogum pela espada, outras de Xangô Aganju pela balança da justiça, e muitas o cultuam como arcanjo, sem sincretismo. Isso acontece porque ele não é santo canonizado e os lugares simbólicos já estavam ocupados por São Jorge e Santa Bárbara.

Quem escreveu a oração de São Miguel Arcanjo?

O papa Leão XIII, que a acrescentou em 1886 às Orações Leoninas rezadas ao fim da missa. O uso obrigatório terminou em 26 de setembro de 1964 e a devoção foi retomada como prática recomendada por João Paulo II em 1994. A história da visão que teria inspirado o texto não tem registro oficial.

29 de setembro é feriado no Brasil?

Não. A Lei 15.219, sancionada em setembro de 2025, incluiu o Dia de São Miguel Arcanjo no calendário oficial brasileiro, mas em caráter simbólico. Não há feriado, não há suspensão de expediente e o Estado segue laico. É reconhecimento cultural de uma devoção popular.


Onde comprar imagem e vela de São Miguel Arcanjo

Na Joia Mística Laroyê, você encontra os artigos de devoção para a data e para o altar de casa:

  • Imagens de São Miguel Arcanjo: em resina e gesso, vários tamanhos
  • Velas vermelhas, azuis e douradas: palito, sete dias e velões
  • Medalhas, terços e escapulários: para uso pessoal e devoção diária
  • Incensos e defumadores: mirra, olíbano e alecrim para o preparo do ambiente
  • Quadros e oratórios: para montar o cantinho de oração

Visite nossa loja física em Extrema-MG ou receba em casa com entrega para todo o Brasil. Se tiver dúvida sobre o que combina com a sua devoção ou com a sua casa, fale com a gente pelo WhatsApp.


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