Toda doutrina tem uma obra que a inaugura. Para o espiritismo, essa obra é O Livro dos Espíritos, publicado por Allan Kardec em 1857. Foi ali que a curiosidade das mesas girantes virou um corpo organizado de ideias, com método, estrutura e finalidade moral.
Este guia explica o que é O Livro dos Espíritos, quem o escreveu, como ele está estruturado nas quatro partes, quais são os cinco pilares da doutrina que ele apresenta e por onde começar a leitura. É a porta de entrada para entender o espiritismo na fonte.
O que é O Livro dos Espíritos
O Livro dos Espíritos é a primeira das cinco obras básicas da codificação espírita, aquela que apresenta os princípios da doutrina de forma sistemática. O título original em francês é Le Livre des Esprits, e o subtítulo já anuncia a proposta: conter os princípios da doutrina espírita.
A obra não é escrita como um tratado comum. Ela se organiza em perguntas e respostas: Allan Kardec formulou centenas de questões sobre Deus, a alma, a vida após a morte e as leis morais, e registrou as respostas obtidas dos Espíritos por meio de diversos médiuns. O resultado é um livro que se lê quase como um diálogo, tema por tema.
Desde o lançamento, O Livro dos Espíritos apresenta o espiritismo sob três aspectos ao mesmo tempo: ciência, pelo estudo dos fenômenos; filosofia, pelas consequências morais; e efeitos religiosos, pela dimensão de fé e consolação. Kardec insistia que a doutrina não fosse tratada como dogma, mas como algo a ser compreendido pela razão.
Quem escreveu O Livro dos Espíritos
O autor é Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804–1869), um educador francês de sólida formação racionalista, ligado à pedagogia de Pestalozzi. Quando começou a se interessar pelos fenômenos das mesas girantes, ele já era um homem de método, e foi justamente esse rigor que mudou tudo.
Na Europa de meados do século XIX, as mesas girantes eram moda e curiosidade: reuniões em que móveis pareciam se mover e responder perguntas. A maioria via aquilo como passatempo ou truque. Rivail resolveu investigar com seriedade. Reuniu, comparou e analisou milhares de respostas, descartou contradições e organizou o que sobreviveu ao crivo da razão.
Foi desse trabalho de observação e análise que nasceu a doutrina. Kardec não inventou o espiritismo; ele o codificou, dando forma lógica ao que os Espíritos ensinavam.
Ao adotar o nome Allan Kardec para assinar a obra, Rivail separou o educador do codificador. O Livro dos Espíritos foi o primeiro passo, e a ele se seguiriam outras quatro obras que completam a Codificação.
A estrutura: as quatro partes do livro
O Livro dos Espíritos se divide em quatro partes, que conduzem o leitor da origem de todas as coisas até a aplicação prática da doutrina na vida.
- Livro Primeiro As Causas Primárias: trata de Deus, da criação, do universo e do princípio vital. É a base: de onde tudo vem.
- Livro Segundo Mundo Espírita ou dos Espíritos: aborda a natureza e a origem dos Espíritos, a encarnação, a reencarnação e as relações entre o mundo espiritual e o mundo material.
- Livro Terceiro As Leis Morais: apresenta as leis divinas ou naturais, como as leis de trabalho, de conservação, de sociedade, de progresso, de igualdade, de liberdade e a lei de justiça, amor e caridade.
- Livro Quarto Esperanças e Consolações: discorre sobre as penas e os gozos terrenos e futuros, mostrando a face consoladora da doutrina.
Essa sequência não é aleatória. Ela parte da causa primeira (Deus), passa pela natureza dos Espíritos e por como devemos viver, e termina no sentido último de tudo: a esperança.
Os cinco pilares da doutrina espírita
Ao longo das quatro partes, O Livro dos Espíritos assenta os princípios que sustentam toda a doutrina. São cinco pilares:
- A existência de Deus, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas.
- A imortalidade da alma, que preexiste ao corpo e sobrevive à morte física.
- A reencarnação, ou pluralidade das existências: o Espírito evolui por vidas sucessivas.
- A pluralidade dos mundos habitados, ou seja, a vida e a evolução não se restringem à Terra.
- A comunicabilidade dos Espíritos, a possibilidade de troca entre encarnados e desencarnados pela mediunidade.
Atravessando todos eles está a lei de causa e efeito e o princípio do progresso moral. Para o espiritismo, cada Espírito caminha, vida após vida, rumo ao aperfeiçoamento, e colhe o que planta. Vale um cuidado importante: a reencarnação, na doutrina, é sempre em corpos humanos. O Espírito não regride a formas animais.
Quantas perguntas tem e por onde começar
Um detalhe costuma gerar dúvida: quantas perguntas o livro tem. A resposta exige precisão. A primeira edição, de 18 de abril de 1857, trazia 501 perguntas. A edição definitiva, refundida e ampliada em 1860, chegou a 1.018 perguntas e respostas e é essa a versão que se estuda hoje, embora algumas edições numerem 1.019. Sempre que ouvir “mais de mil perguntas”, é da edição de 1860 que se fala.
O Livro dos Espíritos é também o ponto de partida natural para quem quer estudar a doutrina. Ele inaugura o chamado pentateuco kardequiano, o conjunto das cinco obras básicas, nesta ordem:
- O Livro dos Espíritos (1857) os princípios
- O Livro dos Médiuns (1861) a parte prática e mediúnica
- O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) a moral cristã à luz da doutrina
- O Céu e o Inferno (1865) a justiça divina
- A Gênese (1868) ciência e religião
Começar pelo primeiro é começar pela raiz. Depois dele, muitos leitores seguem para o Evangelho no Lar e o estudo em família.
Perguntas frequentes
O que é O Livro dos Espíritos?
É a primeira das cinco obras básicas do espiritismo, publicada por Allan Kardec em 1857. Apresenta os princípios da doutrina em forma de perguntas e respostas, tratando de Deus, da alma, da reencarnação e das leis morais, sob os aspectos científico, filosófico e religioso.
Quem escreveu O Livro dos Espíritos?
Allan Kardec, pseudônimo do educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804–1869). Ele não inventou o espiritismo: aplicou seu método racional às respostas obtidas dos Espíritos e as organizou em doutrina, tarefa que chamou de codificação.
Quantas perguntas tem O Livro dos Espíritos?
A primeira edição, de 1857, tinha 501 perguntas. A edição definitiva, de 1860, ampliou o número para 1.018 perguntas e respostas, e é essa a versão estudada atualmente. Algumas edições modernas numeram 1.019.
Quais são as quatro partes do livro?
São: As Causas Primárias (Deus e a criação); Mundo Espírita ou dos Espíritos (natureza dos Espíritos e reencarnação); As Leis Morais (as leis divinas ou naturais); e Esperanças e Consolações (o sentido consolador da doutrina).
Por qual livro de Allan Kardec devo começar?
Por O Livro dos Espíritos. Ele é a base de toda a Codificação e apresenta os princípios que as outras obras aprofundam. Depois dele, a ordem natural segue para O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Onde encontrar as obras de Allan Kardec
Na Joia Mística Laroyê, você encontra o apoio para o seu estudo em casa, sempre com respeito à doutrina:
- O Livro dos Espíritos: a obra fundadora, em edições de estudo
- As demais obras básicas de Kardec: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese
- Livros psicografados: clássicos de Chico Xavier para o estudo em família
- Velas brancas: para os momentos de prece e concentração
- Incensos suaves: para harmonizar o ambiente de leitura e reflexão
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Referências
- Wikipédia: verbete sobre O Livro dos Espíritos
- Wikipédia: verbete sobre Allan Kardec