A reencarnação no espiritismo é a lei natural pela qual o Espírito imortal renasce em um novo corpo, tantas vezes quantas forem precisas, para continuar a sua evolução. Ela não é um castigo nem uma roleta do acaso: é a oportunidade que cada um recebe de aprender, reparar e crescer, vida após vida, até alcançar a perfeição moral.
Este artigo explica o que é a reencarnação segundo Allan Kardec, por que renascemos, a diferença entre missão, provação e expiação, e como a lei de causa e efeito dá sentido às desigualdades da vida. E desfaz, pelo caminho, alguns mitos comuns sobre o tema.
O que é reencarnação no espiritismo
No Espiritismo, o corpo é apenas a vestimenta temporária do Espírito, que é o verdadeiro ser, imortal e criado por Deus. Quando o corpo morre, o Espírito não deixa de existir: ele apenas se desliga da matéria e, mais tarde, volta a nascer em um novo corpo. A esse retorno à vida física damos o nome de reencarnação.
Allan Kardec tratou do tema em O Livro dos Espíritos, no capítulo sobre a pluralidade das existências. A ideia central é simples: uma só vida é curta demais para explicar tudo o que somos, e insuficiente para que o Espírito atinja a perfeição. São muitas vidas, encadeadas, cada uma somando ao que já fomos.
O Espírito não recomeça do zero a cada nascimento. Ele traz consigo o progresso já conquistado, na forma de tendências, aptidões e da própria consciência. É por isso que há crianças naturalmente boas e talentos que parecem vir “de berço”.
Por que reencarnamos
A reencarnação existe por causa de uma lei maior: a lei do progresso. Nenhum Espírito foi criado perfeito. Todos nascem simples e ignorantes, e caminham, ao longo do tempo, rumo ao aperfeiçoamento moral e intelectual. Esse caminho não caberia em uma vida só.
Reencarnamos, então, por alguns motivos que se somam:
- Aprender: cada existência traz lições que a anterior não deu conta de ensinar.
- Reparar: o que fizemos de errado pode ser corrigido em novas oportunidades.
- Servir: ajudar os outros e contribuir para o bem coletivo também faz o Espírito crescer.
Esse processo tem um fim. Quando o Espírito atinge a plenitude e não precisa mais da matéria para evoluir, ele se torna um Espírito puro e cessa a necessidade de reencarnar. Até lá, o renascimento é uma bênção, não uma punição.
Reencarnação, ressurreição e metempsicose não são a mesma coisa
Muita gente confunde reencarnação com outras ideias parecidas. Vale separar cada uma:
- Reencarnação: o Espírito volta em um corpo novo, numa nova vida, para continuar a evoluir. É o que ensina o Espiritismo.
- Ressurreição: a volta do Espírito ao mesmo corpo que havia morrido. O Espiritismo não defende isso no sentido literal.
- Metempsicose (ou transmigração): a crença de que o Espírito humano poderia renascer em corpo de animal, como castigo. O Espiritismo rejeita essa ideia: o Espírito nunca regride.
Esse último ponto é importante. Na doutrina espírita, a evolução é uma escada que só sobe. Um Espírito humano jamais reencarna como bicho, porque isso seria retroceder, e a lei do progresso não retrocede. Veja mais sobre o assunto no verbete sobre a reencarnação.
Missão, provação e expiação
Nenhuma reencarnação acontece por acaso. Antes de renascer, e com a ajuda de Espíritos mais elevados, cada um escolhe, dentro de certos limites, o tipo de vida que vai viver. Há três grandes razões para uma encarnação:
- Missão: Espíritos mais adiantados que voltam para ajudar a humanidade, no ensino, na ciência, na caridade. É a minoria.
- Provação: a vida escolhida como um teste, uma chance de exercitar virtudes e vencer fraquezas. Dificuldades aceitas de propósito, para amadurecer.
- Expiação: a razão mais comum. O Espírito reencarna para resgatar dívidas do passado, reparando pelo bem o mal que fez em outras vidas.
Entender isso muda o olhar sobre o sofrimento. Uma dor que parece sem sentido pode ser uma prova aceita pelo próprio Espírito, ou um resgate que ele mesmo pediu para fazer. Não como quem paga uma condenação, mas como quem quer se libertar de um peso antigo.
A lei de causa e efeito
Ligada à reencarnação está a lei de causa e efeito, também chamada de lei de ação e reação, ou, na linguagem popular, de plantio e colheita. Ela diz que toda ação tem uma consequência: o bem que fazemos retorna como bem, o mal que fazemos retorna como aprendizado a reparar. Nesta vida ou em outra.
É essa lei que dá sentido às desigualdades que tanto revoltam. Por que uma criança nasce em berço de ouro e outra na miséria? Por que uns têm saúde e outros carregam doenças desde cedo? Sem a reencarnação, isso pareceria injustiça de Deus. Com ela, cada situação passa a ser entendida como etapa de um caminho longo, em que ninguém é privilegiado nem esquecido.
A lei de causa e efeito não é fatalismo. Ela não anula o livre-arbítrio: escolhemos o que plantar, embora colhamos o que plantamos. O que a vida nos apresenta é ponto de partida, não sentença. O que fazemos com isso é sempre nossa escolha.
Quem quiser aprofundar esse ponto encontra muito na obra mediúnica de Chico Xavier, especialmente nos livros psicografados que narram os bastidores das reencarnações.
Por que não lembramos das vidas passadas
Se já vivemos antes, por que não nos lembramos? O Espiritismo vê nesse esquecimento uma misericórdia, não uma falha. Imagine carregar, a cada nascimento, todas as mágoas, culpas e rancores de vidas anteriores. Seria um peso insuportável, e impediria os recomeços.
O véu sobre o passado permite começar de novo com o coração leve, ao lado, muitas vezes, das mesmas pessoas com quem tivemos contas a acertar, agora numa nova chance de fazer diferente. A consciência, ainda assim, guarda em silêncio as lições aprendidas, e é por isso que sentimos afinidades e repulsas que a razão não explica.
É prudente, aqui, um cuidado: o Espiritismo sério não promete revelar vidas passadas em sessões, nem trata “regressão” como fórmula de cura. O foco da doutrina é o presente, a reforma íntima e a caridade. E, como em todo tema espiritual, ela soma ao cuidado médico e psicológico, nunca o substitui.
Perguntas frequentes
O que é reencarnação no espiritismo?
É a lei natural pela qual o Espírito imortal renasce em um novo corpo para continuar sua evolução. O corpo é uma vestimenta temporária; o Espírito é o ser eterno. Segundo Kardec, uma única vida não bastaria para o Espírito aprender tudo e alcançar a perfeição moral, por isso ele reencarna muitas vezes.
Por que reencarnamos segundo o espiritismo?
Reencarnamos por causa da lei do progresso: para aprender, reparar erros e servir, evoluindo pouco a pouco rumo à perfeição. As encarnações acontecem por missão, provação ou expiação. Quando o Espírito atinge a plenitude e não precisa mais da matéria, cessa a necessidade de reencarnar.
Qual a diferença entre reencarnação e ressurreição?
Na reencarnação, o Espírito volta em um corpo novo, em outra vida. Na ressurreição, ele voltaria ao mesmo corpo que havia morrido. O Espiritismo defende a reencarnação e não aceita a ressurreição no sentido literal, por entender que o corpo antigo já cumpriu seu papel.
O ser humano pode reencarnar em animal?
Não. O Espiritismo rejeita a metempsicose, a crença de que alguém poderia renascer como bicho. A evolução espiritual só avança, nunca retrocede. Um Espírito humano jamais reencarna em corpo de animal, porque isso seria um retrocesso incompatível com a lei do progresso.
Por que não lembramos das vidas passadas?
O esquecimento é uma misericórdia. Se carregássemos todas as mágoas e culpas de outras vidas, o peso seria insuportável e os recomeços, impossíveis. O véu sobre o passado permite recomeçar com o coração leve, ainda que a consciência guarde, em silêncio, as lições já aprendidas.
Onde encontrar livros espíritas
Na Joia Mística Laroyê, você encontra apoio para o seu estudo da doutrina:
- Obras de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, O Céu e o Inferno e O Evangelho Segundo o Espiritismo
- Livros psicografados: clássicos de Chico Xavier sobre reencarnação e vida após a morte
- Velas brancas: para os momentos de prece e concentração
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Referências
- Wikipédia: O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec
- Wikipédia: verbete sobre reencarnação