O passe espírita é uma das práticas mais conhecidas das casas espíritas, e também uma das mais mal compreendidas. Em poucas palavras, é a transmissão de energias, os fluidos, de um passista preparado para quem recebe, sempre em clima de prece e com a assistência dos bons Espíritos. É o nome que o Espiritismo dá à antiga imposição de mãos.
Este guia explica o que é o passe na doutrina de Allan Kardec, para que ele serve, como funciona na prática e, igualmente importante, o que ele não é. Sem promessa de cura, sem misticismo, com base na própria literatura espírita.
O que é o passe espírita
Na doutrina kardecista, o passe é a transferência de energias fluídicas que reequilibram a pessoa que o recebe. Quem aplica é o passista, um trabalhador da casa espírita que serve de canal. Quem dá o impulso de cura, no fundo, são os Espíritos benfeitores que atuam junto com ele.
A raiz histórica está no magnetismo animal estudado por Mesmer no século XVIII, ideia que Kardec recolheu e reinterpretou. Para o Espiritismo, não se trata só de magnetismo humano: há também a ação direta dos Espíritos. O passe é, portanto, ao mesmo tempo uma prática de energia e um ato de caridade, descrito por Kardec em obras como A Gênese e O Livro dos Médiuns.
Se você ainda está conhecendo a doutrina, vale ler antes o que é o Espiritismo para entender onde o passe se encaixa.
Para que serve o passe (e o que ele não é)
O passe serve para reequilibrar. Ele atua sobre o corpo físico e também sobre o emocional, o mental e o espiritual, ajudando a aliviar o cansaço, a angústia, o desânimo e a sensação de peso. É um apoio, um revigoramento, oferecido de graça a quem procura a casa espírita.
Mas aqui está o ponto mais importante deste artigo, e a própria literatura espírita faz questão de repetir:
O passe não substitui o tratamento médico. Ele é um complemento à medicina, nunca um substituto. Quem tem um problema de saúde deve procurar o médico, e pode também buscar o passe como apoio. As duas coisas caminham juntas.
Por isso, desconfie de qualquer lugar que prometa cura garantida ou “passe que cura tal doença”. O próprio Kardec, em A Gênese, classifica a cura instantânea pela imposição das mãos como algo excepcional, não como regra. O passe não é magia, não é milagre sob encomenda e jamais se cobra por ele.
Os fluidos: magnético, espiritual e misto
Para entender como o passe funciona, é preciso conhecer a ideia de fluido, central na doutrina. A literatura espírita descreve três situações:
- Fluido magnético: é o fluido do próprio passista, o magnetismo humano. Sua força depende não só da quantidade, mas sobretudo da qualidade moral de quem o emite.
- Fluido espiritual: é o fluido derramado diretamente pelos Espíritos superiores, sem intermediário. Sua qualidade vem da elevação desses Espíritos.
- Passe misto: a combinação dos dois. Os Espíritos derramam seus fluidos sobre o passista, que serve de veículo, e o fluido espiritual aperfeiçoa o fluido humano. É a forma mais comum nas casas espíritas.
Essa é a razão de o preparo moral do passista importar tanto. Não basta a técnica: a prece, a concentração e a boa intenção é que dão qualidade ao fluido transmitido.
Como funciona o passe na prática
Na rotina de um centro espírita, o passe é discreto e rápido. Veja como costuma acontecer:
- Quem aplica: o passista não precisa ter um “dom” especial. É uma pessoa de boa vontade, ligada a uma casa espírita, com estudo, preparo e compromisso com a caridade. A mediunidade curadora se desenvolve com trabalho, não nasce pronta. Para entender melhor esse ponto, veja o que é mediunidade.
- Em geral sem toque: ao contrário do que muita gente imagina, o passe costuma ser dado sem encostar na pessoa. O passista faz gestos com as mãos sobre a cabeça e os ombros, a uma curta distância. O toque não é necessário.
- Em clima de prece: tudo acontece em silêncio ou com uma prece, com a mente do passista voltada para o bem. A concentração é parte essencial.
- Rápido: o passe dura poucos minutos, em geral de um a três. Não é demorado.
Tudo isso ocorre na sala de passes da casa, normalmente junto da reunião pública, e de forma totalmente gratuita.
Tipos de passe e a conversa sobre “técnicas”
Pela origem do fluido, já vimos os três tipos: magnético, espiritual e misto. Além dessa classificação doutrinária, existe uma literatura técnica sobre o assunto, sendo a obra Passes e Radiações, de Edgard Armond, a referência mais conhecida no Brasil, muito usada em cursos de formação de passistas.
Vale uma ressalva honesta: há divergência dentro do próprio movimento espírita sobre padronizar gestos e “técnicas” de passe (longitudinais, transversais e afins). Parte das federações entende que esse detalhamento foge ao que Kardec ensinou, e que o que conta de verdade é a sintonia moral e a prece, não a coreografia das mãos. Não existe, portanto, “o jeito certo” único: cada casa segue a orientação de sua federação, como a Federação Espírita Brasileira.
Passe espírita e passe na umbanda: a diferença
Como a Joia Mística reúne públicos de tradições diferentes, vale esclarecer uma confusão comum. O passe espírita não é o passe da umbanda, embora os dois usem as mãos e a energia.
| Passe espírita (kardecista) | Passe na umbanda | |
|---|---|---|
| Quem aplica | Passista, sem incorporação | Médium incorporado pela entidade |
| Recursos | Prece, gestos de mãos, sobriedade | Defumação, velas, ervas, pontos cantados |
| Base | Fluidos e prece, doutrina de Kardec | Ação da entidade (caboclo, preto-velho) |
| Clima | Sóbrio, coletivo, rápido | Ritualístico e individualizado |
No espiritismo, o passista permanece consciente e não incorpora orixás nem guias. Na umbanda, é a própria entidade, incorporada no médium, quem trabalha. São tradições distintas, cada uma com sua riqueza, e nenhuma é superior à outra.
E a água fluidificada?
Junto do passe, muitas casas oferecem a água fluidificada, água magnetizada pelos fluidos do passista ou dos Espíritos. Ela é tomada como recurso complementar, para prolongar em casa o efeito do passe. Vale a mesma regra de ouro: é um apoio, não um remédio, e não substitui qualquer tratamento de saúde.
Como se preparar para receber o passe
Receber o passe não exige nada de especial, mas alguns cuidados simples ajudam a aproveitar melhor o momento:
- Vá com tranquilidade. Chegue com alguns minutos de antecedência e procure aquietar a mente antes de entrar na sala de passes.
- Tenha uma intenção sincera. Não é preciso “pedir” nada em voz alta. Basta abrir o coração e estar disposto a receber o que for para o seu bem.
- Respire e relaxe. Durante o passe, mantenha os olhos fechados, respire com calma e evite ficar tenso. O relaxamento favorece a troca de fluidos.
- Não espere sensações. Algumas pessoas sentem calor, leveza ou arrepio; outras não sentem nada de imediato. Os dois casos são normais. O efeito do passe não se mede pela sensação física.
- Cuide-se depois. Beba água, descanse e mantenha bons pensamentos. E lembre: o passe acompanha, mas não substitui, os seus tratamentos de saúde.
Frequentar com regularidade, estudar a doutrina e exercitar a caridade ampliam o benefício de cada passe, porque o reequilíbrio é também fruto de uma mudança interior.
Perguntas frequentes
O que é o passe espírita em poucas palavras?
É a transmissão de energias, chamadas fluidos, de um passista preparado para quem recebe, em clima de prece e com a ajuda dos bons Espíritos. É a forma que o Espiritismo dá à imposição de mãos, com o objetivo de reequilibrar a pessoa nos planos físico, emocional e espiritual.
Para que serve o passe?
Serve para reequilibrar e aliviar, ajudando em cansaço, angústia, desânimo e peso emocional. É sempre um complemento ao tratamento médico, nunca um substituto. Não promete cura garantida: é um apoio espiritual oferecido com caridade e de forma gratuita nas casas espíritas.
Quem pode dar passe espírita?
Não é preciso ter um dom raro. Pode ser passista a pessoa de boa vontade que estuda a doutrina, se prepara e está ligada a uma casa espírita, assumindo o compromisso com a caridade. O que faz diferença é o preparo moral e a prece, mais do que qualquer técnica.
O passe precisa de toque nas mãos?
Na maioria das casas, não. O passe costuma ser dado sem encostar na pessoa, com gestos das mãos sobre a cabeça e os ombros, a curta distância. O toque não é necessário, e os centros costumam evitá-lo justamente para não gerar mal-entendidos.
Qual a diferença entre passe espírita e passe na umbanda?
No passe espírita o passista não incorpora: ele transmite fluidos em prece, de forma sóbria. Na umbanda, é a entidade incorporada no médium, como um caboclo ou preto-velho, que trabalha, com defumação, ervas e pontos cantados. São práticas de tradições diferentes, sem hierarquia entre elas.
Onde encontrar artigos espíritas e de apoio
Na Joia Mística Laroyê, você encontra itens que acompanham a vida espiritual de quem frequenta a casa espírita:
- Livros da doutrina: obras de Allan Kardec e de autores espíritas
- Copos e moringas: para a água fluidificada em casa
- Velas brancas: para momentos de prece e concentração
- Incensos suaves: para harmonizar o ambiente de estudo
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Referências
- Wikipédia: verbete sobre o passe espírita e o magnetismo animal
- AEFC: artigo sobre o passe na visão espírita
- Federação Espírita Brasileira: página oficial sobre o passe