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Espiritismo 8 min de leitura

Passe espírita: o que é, para que serve e como funciona

Passe espírita: o que é, para que serve e como funciona a imposição de mãos no Espiritismo, os tipos de fluido e por que não substitui o médico.

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Sala tranquila de centro espírita preparada para o passe, com copo de água fluidificada e luz suave entrando pela janela.

Resumo

O passe espírita é a transfusão de energias fluídicas e magnéticas canalizadas de benfeitores espirituais e doadas pelo médium passista através da imposição das mãos, visando restaurar o equilíbrio físico, psíquico e perispiritual do necessitado.

Atua diretamente sobre os centros vitais (chakras), dispersando fluidos doentios acumulados por estresse, depressão, pensamentos negativos ou influências obsessivas, e reabastecendo o organismo com fluidos salutares de paz e vitalidade.

É um ato gratuito, silencioso e desprovido de encenações teatrais, toques físicos invasivos ou fórmulas mágicas. Para melhor aproveitamento do passe, o receptor deve manter-se em recolhimento interior, oração sincera e atitude receptiva ao bem.

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O passe espírita é uma das práticas mais conhecidas das casas espíritas, e também uma das mais mal compreendidas. Em poucas palavras, é a transmissão de energias, os fluidos, de um passista preparado para quem recebe, sempre em clima de prece e com a assistência dos bons Espíritos. É o nome que o Espiritismo dá à antiga imposição de mãos.

Este guia explica o que é o passe na doutrina de Allan Kardec, para que ele serve, como funciona na prática e, igualmente importante, o que ele não é. Sem promessa de cura, sem misticismo, com base na própria literatura espírita.


O que é o passe espírita

Na doutrina kardecista, o passe é a transferência de energias fluídicas que reequilibram a pessoa que o recebe. Quem aplica é o passista, um trabalhador da casa espírita que serve de canal. Quem dá o impulso de cura, no fundo, são os Espíritos benfeitores que atuam junto com ele.

A raiz histórica está no magnetismo animal estudado por Mesmer no século XVIII, ideia que Kardec recolheu e reinterpretou. Para o Espiritismo, não se trata só de magnetismo humano: há também a ação direta dos Espíritos. O passe é, portanto, ao mesmo tempo uma prática de energia e um ato de caridade, descrito por Kardec em obras como A Gênese e O Livro dos Médiuns.

Se você ainda está conhecendo a doutrina, vale ler antes o que é o Espiritismo para entender onde o passe se encaixa.


Para que serve o passe (e o que ele não é)

O passe serve para reequilibrar. Ele atua sobre o corpo físico e também sobre o emocional, o mental e o espiritual, ajudando a aliviar o cansaço, a angústia, o desânimo e a sensação de peso. É um apoio, um revigoramento, oferecido de graça a quem procura a casa espírita.

Mas aqui está o ponto mais importante deste artigo, e a própria literatura espírita faz questão de repetir:

O passe não substitui o tratamento médico. Ele é um complemento à medicina, nunca um substituto. Quem tem um problema de saúde deve procurar o médico, e pode também buscar o passe como apoio. As duas coisas caminham juntas.

Por isso, desconfie de qualquer lugar que prometa cura garantida ou “passe que cura tal doença”. O próprio Kardec, em A Gênese, classifica a cura instantânea pela imposição das mãos como algo excepcional, não como regra. O passe não é magia, não é milagre sob encomenda e jamais se cobra por ele.


Os fluidos: magnético, espiritual e misto

Para entender como o passe funciona, é preciso conhecer a ideia de fluido, central na doutrina. A literatura espírita descreve três situações:

  • Fluido magnético: é o fluido do próprio passista, o magnetismo humano. Sua força depende não só da quantidade, mas sobretudo da qualidade moral de quem o emite.
  • Fluido espiritual: é o fluido derramado diretamente pelos Espíritos superiores, sem intermediário. Sua qualidade vem da elevação desses Espíritos.
  • Passe misto: a combinação dos dois. Os Espíritos derramam seus fluidos sobre o passista, que serve de veículo, e o fluido espiritual aperfeiçoa o fluido humano. É a forma mais comum nas casas espíritas.

Essa é a razão de o preparo moral do passista importar tanto. Não basta a técnica: a prece, a concentração e a boa intenção é que dão qualidade ao fluido transmitido.


Como funciona o passe na prática

Na rotina de um centro espírita, o passe é discreto e rápido. Veja como costuma acontecer:

  • Quem aplica: o passista não precisa ter um “dom” especial. É uma pessoa de boa vontade, ligada a uma casa espírita, com estudo, preparo e compromisso com a caridade. A mediunidade curadora se desenvolve com trabalho, não nasce pronta. Para entender melhor esse ponto, veja o que é mediunidade.
  • Em geral sem toque: ao contrário do que muita gente imagina, o passe costuma ser dado sem encostar na pessoa. O passista faz gestos com as mãos sobre a cabeça e os ombros, a uma curta distância. O toque não é necessário.
  • Em clima de prece: tudo acontece em silêncio ou com uma prece, com a mente do passista voltada para o bem. A concentração é parte essencial.
  • Rápido: o passe dura poucos minutos, em geral de um a três. Não é demorado.

Tudo isso ocorre na sala de passes da casa, normalmente junto da reunião pública, e de forma totalmente gratuita.


Tipos de passe e a conversa sobre “técnicas”

Pela origem do fluido, já vimos os três tipos: magnético, espiritual e misto. Além dessa classificação doutrinária, existe uma literatura técnica sobre o assunto, sendo a obra Passes e Radiações, de Edgard Armond, a referência mais conhecida no Brasil, muito usada em cursos de formação de passistas.

Vale uma ressalva honesta: há divergência dentro do próprio movimento espírita sobre padronizar gestos e “técnicas” de passe (longitudinais, transversais e afins). Parte das federações entende que esse detalhamento foge ao que Kardec ensinou, e que o que conta de verdade é a sintonia moral e a prece, não a coreografia das mãos. Não existe, portanto, “o jeito certo” único: cada casa segue a orientação de sua federação, como a Federação Espírita Brasileira.


Passe espírita e passe na umbanda: a diferença

Como a Joia Mística reúne públicos de tradições diferentes, vale esclarecer uma confusão comum. O passe espírita não é o passe da umbanda, embora os dois usem as mãos e a energia.

Passe espírita (kardecista)Passe na umbanda
Quem aplicaPassista, sem incorporaçãoMédium incorporado pela entidade
RecursosPrece, gestos de mãos, sobriedadeDefumação, velas, ervas, pontos cantados
BaseFluidos e prece, doutrina de KardecAção da entidade (caboclo, preto-velho)
ClimaSóbrio, coletivo, rápidoRitualístico e individualizado

No espiritismo, o passista permanece consciente e não incorpora orixás nem guias. Na umbanda, é a própria entidade, incorporada no médium, quem trabalha. São tradições distintas, cada uma com sua riqueza, e nenhuma é superior à outra.


E a água fluidificada?

Junto do passe, muitas casas oferecem a água fluidificada, água magnetizada pelos fluidos do passista ou dos Espíritos. Ela é tomada como recurso complementar, para prolongar em casa o efeito do passe. Vale a mesma regra de ouro: é um apoio, não um remédio, e não substitui qualquer tratamento de saúde.


Como se preparar para receber o passe

Receber o passe não exige nada de especial, mas alguns cuidados simples ajudam a aproveitar melhor o momento:

  • Vá com tranquilidade. Chegue com alguns minutos de antecedência e procure aquietar a mente antes de entrar na sala de passes.
  • Tenha uma intenção sincera. Não é preciso “pedir” nada em voz alta. Basta abrir o coração e estar disposto a receber o que for para o seu bem.
  • Respire e relaxe. Durante o passe, mantenha os olhos fechados, respire com calma e evite ficar tenso. O relaxamento favorece a troca de fluidos.
  • Não espere sensações. Algumas pessoas sentem calor, leveza ou arrepio; outras não sentem nada de imediato. Os dois casos são normais. O efeito do passe não se mede pela sensação física.
  • Cuide-se depois. Beba água, descanse e mantenha bons pensamentos. E lembre: o passe acompanha, mas não substitui, os seus tratamentos de saúde.

Frequentar com regularidade, estudar a doutrina e exercitar a caridade ampliam o benefício de cada passe, porque o reequilíbrio é também fruto de uma mudança interior.


Perguntas frequentes

O que é o passe espírita em poucas palavras?

É a transmissão de energias, chamadas fluidos, de um passista preparado para quem recebe, em clima de prece e com a ajuda dos bons Espíritos. É a forma que o Espiritismo dá à imposição de mãos, com o objetivo de reequilibrar a pessoa nos planos físico, emocional e espiritual.

Para que serve o passe?

Serve para reequilibrar e aliviar, ajudando em cansaço, angústia, desânimo e peso emocional. É sempre um complemento ao tratamento médico, nunca um substituto. Não promete cura garantida: é um apoio espiritual oferecido com caridade e de forma gratuita nas casas espíritas.

Quem pode dar passe espírita?

Não é preciso ter um dom raro. Pode ser passista a pessoa de boa vontade que estuda a doutrina, se prepara e está ligada a uma casa espírita, assumindo o compromisso com a caridade. O que faz diferença é o preparo moral e a prece, mais do que qualquer técnica.

O passe precisa de toque nas mãos?

Na maioria das casas, não. O passe costuma ser dado sem encostar na pessoa, com gestos das mãos sobre a cabeça e os ombros, a curta distância. O toque não é necessário, e os centros costumam evitá-lo justamente para não gerar mal-entendidos.

Qual a diferença entre passe espírita e passe na umbanda?

No passe espírita o passista não incorpora: ele transmite fluidos em prece, de forma sóbria. Na umbanda, é a entidade incorporada no médium, como um caboclo ou preto-velho, que trabalha, com defumação, ervas e pontos cantados. São práticas de tradições diferentes, sem hierarquia entre elas.


Onde encontrar artigos espíritas e de apoio

Na Joia Mística Laroyê, você encontra itens que acompanham a vida espiritual de quem frequenta a casa espírita:

  • Livros da doutrina: obras de Allan Kardec e de autores espíritas
  • Copos e moringas: para a água fluidificada em casa
  • Velas brancas: para momentos de prece e concentração
  • Incensos suaves: para harmonizar o ambiente de estudo

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Referências

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