A desobsessão é o tratamento espiritual que o Espiritismo oferece para os casos de obsessão, quando um Espírito desencarnado passa a influenciar negativamente uma pessoa. Esquecida nos filmes de terror e nas histórias de exorcismo, a desobsessão real é o oposto da violência: ela trata pela palavra, pela prece e pelo amor, cuidando tanto de quem sofre a influência quanto do Espírito que a exerce.
Este artigo explica o que é a obsessão na doutrina de Allan Kardec, os seus graus, quem é o obsessor e como funciona uma reunião de desobsessão. E deixa claro, desde já, um ponto essencial: a desobsessão não substitui o médico, e nem todo sofrimento é obsessão.
O que é obsessão no Espiritismo
No Espiritismo, obsessão é a ação persistente de um Espírito sobre uma pessoa encarnada, dominando-a em maior ou menor grau. Allan Kardec dedicou ao tema todo o capítulo “Da Obsessão” em O Livro dos Médiuns, e a definiu como o domínio que certos Espíritos conseguem adquirir sobre alguém.
É importante separar isso do imaginário popular. A obsessão espírita não é a possessão dos filmes de terror, em que um corpo é “tomado” e a pessoa desaparece. No Espiritismo, o Espírito influencia, perturba e induz, mas não rouba o corpo de ninguém. E o obsessor não é um demônio: a doutrina ensina que não existem entidades más por natureza, apenas Espíritos ainda imperfeitos, que sofrem e que também precisam de ajuda.
Os graus da obsessão
Kardec descreveu três graus de obsessão, que vão do mais brando ao mais intenso. Entender essa diferença ajuda a desfazer muito medo desnecessário.
- Obsessão simples: o Espírito importuna, atrapalha e se impõe, mas a pessoa tem consciência de que está sob uma influência estranha. É o grau mais leve, e o mais fácil de tratar.
- Fascinação: mais perigosa justamente porque é silenciosa. O Espírito produz uma ilusão no pensamento da pessoa, que passa a acreditar nas ideias dele como se fossem suas, sem perceber a influência. Aqui o julgamento fica paralisado.
- Subjugação: o grau mais intenso, em que a vontade da pessoa é constrangida, levando-a a agir contra si mesma. Pode ser moral, afetando decisões, ou física, com movimentos involuntários. Os casos extremos de subjugação são o que a tradição popular chamaria de “possessão”.
Mesmo na subjugação, o Espiritismo não fala em corpo “tomado” por uma força do mal. Fala em uma influência intensa que pode e deve ser desfeita pelo esclarecimento, pela reforma da pessoa e pela ajuda fraterna.
Quem é o obsessor
O obsessor é, quase sempre, um Espírito sofredor, imperfeito ou movido por mágoa e desejo de vingança. Muitas vezes existe um laço antigo entre ele e a pessoa obsidiada, uma conta do passado, desta ou de outra vida, que os mantém ligados.
Aqui entra uma lei central do Espiritismo, a lei de sintonia: atraímos aquilo que vibramos. Pensamentos repetidos de ódio, medo, inveja ou desânimo criam uma espécie de campo que sintoniza e atrai Espíritos em estado parecido. Não se trata de culpa nem de castigo, mas de afinidade.
Por isso o olhar espírita sobre o obsessor é de compaixão, não de ódio. Ele não é um inimigo a ser destruído, e sim alguém que se perdeu na própria dor e que carrega o seu próprio sofrimento. O tratamento, como veremos, cuida dos dois lados, porque libertar o obsidiado passa, quase sempre, por ajudar também aquele que o perturba.
Como funciona a desobsessão
A desobsessão acontece, sobretudo, na reunião mediúnica de desobsessão, um trabalho reservado e doutrinário realizado dentro da casa espírita, conduzido por uma equipe preparada. O processo é sereno e segue uma lógica de acolhimento, não de combate.
Funciona assim: o Espírito obsessor é acolhido por um médium e esclarecido pela palavra, num diálogo fraterno conduzido pelo doutrinador. Com a ajuda da prece, do passe e dos bons fluidos, busca-se levar aquele Espírito à reflexão, ao arrependimento e à luz. O objetivo é convencer pelo amor, nunca expulsar pela força. Não há gritos, não há luta, não há violência.
A reunião costuma reunir um dirigente, um doutrinador, quem sustenta pela prece, um passista e o médium que dá voz ao Espírito. Esse trabalho mediúnico exige preparo, e por isso é feito por equipes estudadas, como explica o artigo sobre o que é mediunidade.
Mas há um detalhe que muita gente esquece: o obsidiado não é passivo. A casa espírita ajuda, porém a parte mais importante cabe à própria pessoa. A reforma íntima, a vigilância dos pensamentos e a elevação moral são o que de fato retira a sintonia que alimentava a ligação. Sem essa mudança interior, o tratamento fica incompleto.
Os recursos da casa espírita
A reunião de desobsessão é reservada e mediúnica, mas o tratamento espírita não se resume a ela. Quem busca uma casa espírita encontra um conjunto de recursos abertos a todos:
- Atendimento fraterno: uma conversa de escuta e orientação, muitas vezes o primeiro passo de quem chega aflito.
- Passe e água fluidificada: a transmissão de bons fluidos que reequilibra e fortalece.
- Palestra e estudo: o esclarecimento que aos poucos muda a forma de pensar e de sentir.
- Prece em grupo: a vibração coletiva do bem, que ampara quem precisa.
Esses recursos sustentam a pessoa no dia a dia, enquanto a reforma íntima faz o seu trabalho silencioso. Nenhum deles tem hora marcada para “resolver” um caso: são apoio contínuo, não fórmula de resultado rápido. E a casa espírita não cobra por nada disso, porque a caridade é o fundamento de tudo.
Obsessão não é doença mental
Este é o ponto mais delicado e mais importante de todo o tema, e precisa ser dito com clareza.
Obsessão não é um diagnóstico médico, e nem todo sofrimento psíquico é obsessão. O tratamento espiritual deve caminhar lado a lado com o tratamento médico e psicológico, nunca no lugar dele.
Ansiedade, depressão, transtornos e outras condições de saúde mental têm causas e tratamentos próprios, e exigem médico, psiquiatra e psicólogo. Atribuir todo sofrimento a um Espírito é um erro grave, que afasta as pessoas do cuidado de que precisam. O Espiritismo sério reconhece isso e orienta sempre a procurar ajuda profissional. A espiritualidade soma, ela não substitui.
Como se prevenir da obsessão
Mais do que tratar, o Espiritismo ensina a prevenir. E a prevenção não está em amuletos ou rituais de proteção, mas no trabalho interior de cada um:
- Reforma íntima: conhecer e corrigir as próprias imperfeições é a base de tudo.
- Vigilância dos pensamentos: cultivar pensamentos elevados e evitar alimentar mágoas e medos.
- Prece: o hábito sincero da oração harmoniza e protege.
- Evangelho no Lar: a reunião de estudo do Evangelho em casa atrai bons Espíritos ao ambiente.
- Estudo e caridade: entender a doutrina e praticar o bem fortalecem a pessoa por dentro.
Quem deseja se aprofundar encontra muito sobre o tema na obra mediúnica de Chico Xavier, especialmente nos livros psicografados que tratam dos processos obsessivos com profundidade.
Perguntas frequentes
O que é desobsessão no Espiritismo?
Desobsessão é o tratamento espiritual para os casos de obsessão, quando um Espírito influencia negativamente uma pessoa. Ela acontece numa reunião mediúnica em que o Espírito obsessor é esclarecido pela palavra, pela prece e pelo passe, com o objetivo de levá-lo à reflexão e libertar quem sofria a influência.
Quais são os graus de obsessão segundo Kardec?
Kardec descreveu três graus. A obsessão simples, em que a pessoa percebe a influência. A fascinação, em que ela acredita nas ideias do obsessor sem perceber. E a subjugação, o grau mais intenso, em que a vontade é constrangida. Cada um exige acolhimento e reforma íntima para ser superado.
Desobsessão é a mesma coisa que exorcismo?
Não. O exorcismo, do imaginário cristão, tenta expulsar um “demônio” pela força. A desobsessão espírita faz o contrário: acolhe o Espírito obsessor, que é visto como alguém que sofre, e o esclarece pela palavra e pelo amor. Não há luta, expulsão nem violência, e sim diálogo e compaixão.
Obsessão espiritual é doença mental?
Não. Obsessão não é um diagnóstico médico, e nem todo sofrimento psíquico tem causa espiritual. Condições como ansiedade e depressão exigem acompanhamento de médico e psicólogo. O tratamento espiritual pode somar, mas nunca substitui o cuidado profissional de saúde. Na dúvida, procure um médico.
Como me prevenir da obsessão?
A melhor prevenção é a reforma íntima: cultivar bons pensamentos, praticar a prece e a caridade, estudar a doutrina e manter o Evangelho no Lar. Essas atitudes elevam a sintonia da pessoa e afastam naturalmente as influências negativas, sem necessidade de rituais de proteção.
Onde encontrar livros espíritas
Na Joia Mística Laroyê, você encontra apoio para o seu estudo da doutrina:
- Obras de Allan Kardec: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo e mais
- Livros psicografados: clássicos de Chico Xavier sobre mediunidade e obsessão
- Velas brancas: para os momentos de prece e concentração
- Copos e moringas: para a água fluidificada em casa
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Referências
- Kardecpedia: capítulo “Da Obsessão”, em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec
- Wikipédia: artigo sobre obsessão no espiritismo
- Wikipédia: artigo sobre a desobsessão espírita