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title: "Racismo religioso: o que é, a lei e os números"
description: "Racismo religioso é o ataque a religiões de matriz africana ligado ao racismo. Veja a diferença para intolerância religiosa, a lei, a denúncia e os números."
url: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/racismo-religioso/
canonical: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/racismo-religioso/
published: 2026-10-02
category: "Candomblé"
tags: ["racismo religioso", "intolerância religiosa", "religiões de matriz africana", "terreiros", "candomblé", "umbanda"]
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author: "Joice Mística"
site: "Joia Mística Laroyê"
language: pt-BR
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# Racismo religioso: o que é, a lei e os números

> Racismo religioso é o ataque a religiões de matriz africana ligado ao racismo. Veja a diferença para intolerância religiosa, a lei, a denúncia e os números.

![Portão de madeira de um terreiro de candomblé entreaberto sobre um quintal de terra varrida, com uma fita branca no mourão, quartinhas de barro e uma vela acesa na soleira, um atabaque encostado no muro caiado e uma árvore frondosa ao fundo](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/racismo-religioso.webp)

## Resumo

Racismo religioso é a discriminação e a violência contra religiões de matriz africana que combinam preconceito racial e intolerância religiosa; a lei pune a discriminação por religião com reclusão de um a três anos e multa.

O Disque 100 recebeu 2.472 denúncias de intolerância religiosa em 2024, e a umbanda lidera entre as religiões informadas, à frente do candomblé.

Terreiros são patrimônio e saber: a Casa Branca foi o primeiro tombado pelo governo federal, e as próprias casas pesquisam e se organizam para cobrar respeito.

O **racismo religioso** é a discriminação e a violência contra religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. Ele reúne preconceito racial e intolerância religiosa no mesmo ato. A lei brasileira trata a discriminação por religião como crime, com reclusão de um a três anos e multa no art. 20 da Lei 7.716/1989. Em 2024, o Disque 100 recebeu 2.472 denúncias de intolerância religiosa, 66,8% a mais que em 2023.

Em 30 de setembro de 2026, a notícia de uma possível onda de ataques a imagens religiosas e a terreiros, em sete estados, chamou atenção para o tema.

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## O que é racismo religioso e qual a diferença para intolerância religiosa

**Racismo religioso** é o preconceito e a discriminação que combinam racismo e intolerância religiosa, dirigidos principalmente às religiões de matriz africana. **Intolerância religiosa** é a atitude de desrespeito, discriminação ou violência contra indivíduos ou grupos em razão de suas crenças, práticas ou símbolos religiosos. A diferença está em quem é atacado e por quê. No racismo religioso, a religião é rejeitada por causa da origem negra que ela carrega.

**Intolerância religiosa:** desrespeito, discriminação ou violência contra pessoas ou grupos por suas crenças | **Racismo religioso:** racismo somado à intolerância, voltado às religiões de matriz africana | **Na lei:** art. 20 da Lei 7.716/1989, que fala em religião

O babalorixá Sidnei Nogueira escreve que o racismo é o componente nuclear da violência contra as comunidades tradicionais de terreiro. Para ele:

> "O racismo religioso condena a origem, a existência, a relação entre uma crença e uma origem preta."
>
> Sidnei Nogueira, *Intolerância religiosa*, 2020

Há quem prefira a palavra intolerância e há quem a ache curta. O afroteólogo Jayro Pereira, citado por Nogueira, diz que ela reduz a dimensão da violência contra os terreiros. A pesquisa acadêmica já descreve esse deslocamento de uma expressão para a outra. Um estudo da *Revista Direito GV* analisou boletins de ocorrência de Minas Gerais, de 2016 a 2018, e encontrou "intolerância religiosa" em apenas 14 de 168 registros. Quem registra costuma escrever discriminação, preconceito ou violência. Este texto usa racismo religioso porque é a expressão que a Lei 14.532/2023 traz na ementa.

Esse racismo atinge casas e pessoas do [candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-candomble/), nas nações ketu, jeje e angola, e da [umbanda](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-umbanda/). A pesquisa do caderno ouviu também terreiros de [quimbanda](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-quimbanda/) e de [batuque](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-batuque/). São religiões diferentes, como mostra o texto sobre a [diferença entre umbanda e candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/diferenca-umbanda-candomble/). Nas denúncias do Disque 100, umbanda e candomblé aparecem lado a lado, com a umbanda à frente.

O glossário do caderno inclui a demonização de expressões religiosas de matriz africana entre as formas do racismo religioso. Para conhecer [Exu](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-exu/) e [Pombagira](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-pombagira/) como a religião os apresenta, há um texto sobre cada um.

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## O que a lei diz sobre racismo religioso

A Constituição protege a crença e os lugares de culto:

> "[...] é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias"
>
> [Constituição Federal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm), art. 5º, VI

O crime está na [Lei 7.716/1989](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm). O art. 20 pune praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de religião, com reclusão de um a três anos e multa. A mesma pena vale para quem obstar, impedir ou usar violência contra práticas religiosas, sem prejuízo da pena da violência. Se o crime é cometido por meios de comunicação, redes sociais ou internet, a pena sobe para dois a cinco anos. A [Lei 14.532/2023](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14532.htm) é a que menciona "racismo religioso", na ementa.

O [Código Penal](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm) traz dois artigos que costumam aparecer nas ocorrências. O art. 140, §3º, trata da injúria com elementos de religião. A pena é de reclusão de um a três anos e multa, e a ação depende da representação da vítima. O art. 208 trata do ultraje a culto. Ele inclui escarnecer de alguém por crença, perturbar cerimônia e vilipendiar objeto de culto, com detenção de um mês a um ano ou multa.

Nos atos do processo, a vítima de crime de racismo deve estar acompanhada de advogado ou defensor público. A lei não diz qual enquadramento vale em cada situação: isso depende de um advogado, de um defensor público ou do Ministério Público. Artigo por artigo, com as penas, o assunto está no texto sobre [a lei contra intolerância religiosa](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/lei-contra-intolerancia-religiosa/).

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## Onde denunciar: Disque 100, delegacia e Defensoria

**Crime em curso:** 190 | **Disque 100:** ligação 100, gratuita, 24 horas, pode ser anônima | **WhatsApp do Disque 100:** (61) 99611-0100

Quando o crime está acontecendo, o caminho é o 190, segundo a [Agência Gov](https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202608/disque-100-a-denuncia-pode-ser-anonima-tire-suas-principais-duvidas). Depois vem o boletim de ocorrência. O caderno do Ministério dos Direitos Humanos orienta procurar a delegacia especializada em crimes raciais e, na falta dela, uma delegacia comum. Em Minas, a [Decrin](https://www.mg.gov.br/instituicao_unidade/delegacia-especializada-de-investigacao-de-crimes-de-racismo-xenofobia-lgbtfobia-e-intolerancias-correlatas-decrin), em Belo Horizonte, é a delegacia de crimes de racismo, xenofobia, LGBTfobia e intolerâncias correlatas. A delegada titular disse ao [BHAZ](https://bhaz.com.br/noticias/minas-gerais/intolerancia-religiosa-minas-gerais-sensacao-impunidade/) que o boletim pode ser registrado em qualquer delegacia do estado.

O Disque 100 aceita denúncia anônima, não exige prova e gera número de protocolo. Na internet, o caderno manda salvar o link e capturar a tela. A pesquisa em boletins mineiros mostra a dificuldade de traduzir esse tipo de ocorrência para o direito. O caderno também indica as Defensorias Públicas de cada estado para quem precisa de orientação.

O caminho é registrar e acionar o órgão competente. O passo a passo completo está no texto sobre [como denunciar intolerância religiosa](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/como-denunciar-intolerancia-religiosa/).

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## Os números das denúncias de intolerância religiosa

O Disque 100 registra esses casos como intolerância religiosa, de qualquer religião. É essa a categoria dos números abaixo.

Em 2024, segundo a [Agência Brasil](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-01/intolerancia-religiosa-disque-100-registra-24-mil-casos-em-2024), foram 2.472 denúncias, alta de 66,8% sobre as 1.481 de 2023. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram 2.774, segundo nota do Ministério dos Direitos Humanos reproduzida pelo [Click Guarulhos](https://www.clickguarulhos.com.br/2026/01/21/intolerancia-religiosa-segue-como-violacao-recorrente-em-2026-apontam-dados-do-disque-100/). Nos dois períodos, a umbanda lidera entre as religiões informadas, e o candomblé vem em seguida:

| Religião | 2024 | Jan/2025 a jan/2026 |
|---|---|---|
| Umbanda | 151 | 228 |
| Candomblé | 117 | 161 |
| Evangélica | 88 | 72 |
| Católica | 53 | 37 |
| Total de denúncias | 2.472 | 2.774 |

A tabela é um recorte: a fonte traz ainda outras categorias, como espírita e outras religiosidades afro-brasileiras, e por isso as linhas não somam o total. Os períodos têm 12 e 13 meses. Em 2024, a maioria das denúncias, 1.842, não informou a religião. No período mais recente, Minas Gerais aparece em terceiro entre os estados, com 323 registros, atrás de São Paulo (667) e do Rio de Janeiro (446).

O Censo 2022 mostra o tamanho da população envolvida. Segundo os resultados preliminares da amostra, divulgados pelo [IBGE](https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/3f1708b5d315aca50d5a7d8764469c45.pdf), o grupo umbanda e candomblé, que inclui outras religiões afro-brasileiras, passou de 0,3% em 2010 para 1,0% em 2022. O [ISER](https://iser.org.br/en/noticia/um-brasil-mais-plural-um-primeiro-olhar-sobre-os-dados-de-religiao-do-censo-2022/) avalia que pode haver subregistro considerável de seguidores dessas religiões, ligado ao racismo religioso.

Os terreiros também contam a própria história. O caderno [Respeite o meu terreiro](https://direitoshumanos.dpu.def.br/wp-content/uploads/2025/12/CADERNO_RESPEITE_digital_compressed.pdf), de novembro de 2025, ouviu 511 terreiros. A coleta foi de 30 de abril a 5 de agosto de 2024, por formulário online. O caderno não descreve amostra estatística, por isso os percentuais valem para os terreiros que responderam, não para o país inteiro. Segundo o caderno, só 26% dos casos de racismo religioso foram registrados em boletim de ocorrência. Só 12% de quem sofreu racismo religioso usou o Disque 100, e 38% desse grupo teve percepção negativa do atendimento.

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## A onda de ataques noticiada em 30 de setembro de 2026

Em 30 de setembro de 2026, o [ConJur](https://conjur.com.br/2026-set-30/dino-manda-investigar-aparente-onda-de-ataques-a-imagens-religiosas-no-pais) noticiou que um ministro do STF notificou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. O pedido é para apurar uma "aparente onda de ataques" a imagens religiosas. Os estados citados são Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Pará, Alagoas e Paraná. O ministro mencionou ultraje a culto, do art. 208 do Código Penal, e discriminação religiosa, do art. 20 da Lei 7.716/1989.

Os alvos são imagens católicas e terreiros. Em Minas, a reportagem do [O Tempo](https://otempo.com.br/politica/judiciario/2026/9/30/dino-manda-pf-abrir-inquerito-sobre-ataques-a-imagens-religiosas-em-minas-e-outros-6-estados) lista a depredação de um terreiro de umbanda na Grande Belo Horizonte. O jornal também relaciona crimes possíveis: ultraje a culto, preconceito religioso, injúria por motivo religioso, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio.

Investigação aberta não indica culpados, e as informações aqui vêm das reportagens, não da decisão. O que a notícia mostra é que a mesma lei protege a imagem de santa e o objeto de culto do terreiro. O art. 208 alcança qualquer ato ou objeto de culto religioso. O art. 20 fala em religião sem distinguir qual.

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## O terreiro como patrimônio, saber e organização

A Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, foi o primeiro terreiro tombado pelo governo federal, segundo [Ferreira e Santos](https://redalyc.org/journal/3211/321158843004/html/). Os [Anais do Museu Paulista](https://www.scielo.br/j/anaismp/a/SgdSPHCSphDDXtwp7cT87Tp/?format=html&lang=pt&ilang=en) registram as duas datas. O Conselho Consultivo decidiu em 31 de maio de 1984, e a inscrição nos Livros do Tombo veio em 1986.

![Pátio de terreiro de candomblé com casa caiada, árvore sagrada com pano branco na base, quartinhas, velas e atabaque, em pintura de arte sacra](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/racismo-religioso-portao-de-terreiro.webp)

O tombamento traz regras para o bem protegido. O [Decreto-Lei 25/1937](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm) proíbe destruir, demolir ou mutilar o bem tombado. Ele exige autorização prévia do órgão de patrimônio, hoje o IPHAN, para repará-lo, pintá-lo ou restaurá-lo (art. 17). A mesma autorização vale para construir na vizinhança de modo que reduza a visibilidade do bem (art. 18).

Até 2018, eram pelo menos onze terreiros tombados pelo IPHAN, segundo [Souza](https://www.copene2018.eventos.dype.com.br/resources/anais/8/1538194453_ARQUIVO_ArtigoOSTERREIROSDEMATRIZAFRICANANOSPROCESSOSDOIPHANLuciane.pdf), nos anais do COPENE 2018. A lista seguiu crescendo. Em 26 de novembro de 2025, o Conselho Consultivo do IPHAN aprovou o tombamento do Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, em Lençóis (BA), segundo o [Bahia Notícias](https://www.bahianoticias.com.br/municipios/noticia/48358-iphan-aprova-tombamento-do-terreiro-palacio-de-ogum-e-caboclo-sete-serra-em-lencois). É o templo de jarê mais antigo ainda em funcionamento no país.

Há proteção estadual e municipal também. Em São Paulo, o Condephaat tombou em 2019 o Santuário Nacional da Umbanda, em Santo André, segundo o [Jornal da USP](https://jornal.usp.br/diversidade/baixe-gratuitamente-livro-que-detalha-tombamentos-de-terreiros-paulistas/). Em Belo Horizonte, o município tombou em 1995 o Ilê Wopo Olojukan. Em julho de 2020, segundo o [O Tempo](https://www.otempo.com.br/cidades/primeiro-terreiro-de-bh-sera-protegido-por-pano-verde-para-garantir-privacidade-1.2364456), o conselho municipal de patrimônio publicou regras de proteção que incluem o plantio de árvores nos limites do terreno, o chamado "pano verde", para manter a privacidade dos rituais. A lista dos terreiros tombados e o que tombar significa estão no texto sobre [os terreiros tombados pelo IPHAN](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/terreiros-tombados-pelo-iphan/).

A comunidade produz conhecimento sobre si mesma. O caderno Respeite o meu terreiro foi idealizado pela Renafro e pelo Ilê Omolu Oxum, em parceria com o ministério e a UNIRIO, com apoio da DPU. A Polícia Militar do Paraná decidiu, em reunião no início de junho de 2026, revisar os protocolos de atendimento em terreiros de umbanda e candomblé. O Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana participa de todas as etapas, segundo o [Brasil de Fato](https://www.brasildefato.com.br/2026/06/23/policia-militar-do-parana-revisara-protocolos-de-abordagens-em-terreiros-apos-denuncias-de-intolerancia-religiosa/) de 23 de junho. A medida seguiu a repercussão de uma operação em Curitiba, em 8 de maio. Segundo lideranças religiosas, a operação teria interrompido uma gira de umbanda de 13 pessoas com 14 viaturas.

O que está em jogo é uma tradição viva, com [nações](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/nacoes-do-candomble-ketu-jeje-angola/) próprias, o toque dos [atabaques](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/atabaques-no-candomble/) e o cuidado com as folhas e com os fundamentos de cada casa. Para quem chega agora, [o que é candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-candomble/) e [o que é umbanda](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-umbanda/) são o ponto de partida.

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## 21 de janeiro: o dia de combate à intolerância religiosa

A Lei 11.635, de 27 de dezembro de 2007, instituiu o [Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11635.htm) em 21 de janeiro. A data entrou no Calendário Cívico da União. Ela lembra a ialorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda de Ogum, do [Ilê Axé Abassá de Ogum](https://ileabassadeogum.wixsite.com/oficial/mae-gilda), em Salvador. Ela morreu em 21 de janeiro de 2000. A lei não cita o nome dela.

Em outubro de 1999, uma reportagem expôs a imagem de Mãe Gilda, com tarja nos olhos, sob um título que chamava praticantes de charlatões, segundo a página da casa. A família levou o caso à Justiça. Em 2008, a Quarta Turma do STJ condenou, por danos morais, a instituição responsável pela publicação, segundo [A Tarde](https://atarde.com.br/bahia/bahiasalvador/iurd-recebe-condenacao-inedita-por-intolerancia-religiosa-280230). O jornal registra que a sentença ainda cabia recurso. Profissionais da área de direito, diz a reportagem, consideraram a decisão a primeira do tribunal sobre intolerância cometida por uma instituição. O texto sobre o [dia nacional de combate à intolerância religiosa](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/dia-nacional-de-combate-a-intolerancia-religiosa/) conta essa história com mais detalhe.

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## Perguntas frequentes

### Racismo religioso e intolerância religiosa são a mesma coisa?

Não exatamente. Intolerância religiosa é o desrespeito, a discriminação ou a violência contra pessoas ou grupos por suas crenças. Racismo religioso combina racismo e intolerância e se dirige principalmente às religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda. A Lei 7.716/1989 fala em discriminação por religião, sem separar os dois termos.

### Racismo religioso é crime? Qual é a pena?

Sim. O art. 20 da Lei 7.716/1989 prevê reclusão de um a três anos e multa para discriminação ou preconceito de religião. Na internet ou em redes sociais, a pena é de dois a cinco anos. A injúria com elementos de religião, art. 140, §3º do Código Penal, tem pena de um a três anos e multa.

### Onde denunciar racismo religioso?

Em crime em curso, ligue 190. Depois, registre boletim de ocorrência em delegacia, de preferência especializada em crimes raciais. O Disque 100 recebe denúncias 24 horas, de graça e de forma anônima, e gera protocolo. O caderno do ministério indica as Defensorias Públicas para orientação. Cada caso depende de um profissional.

### Quais religiões mais aparecem nas denúncias do Disque 100?

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a umbanda teve 228 denúncias e o candomblé, 161. Religiões evangélicas somaram 72 e católicas, 37. Em 2024, a ordem entre as que informaram a religião foi umbanda, candomblé, evangélico e católico. São denúncias registradas, não o total de casos.

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## Referências

- Presidência da República: [Constituição Federal, art. 5º](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm)
- Presidência da República: [Lei 7.716/1989, arts. 20 e seguintes](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm)
- Presidência da República: [Lei 14.532/2023](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14532.htm)
- Presidência da República: [Código Penal, arts. 140 e 208](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm)
- Presidência da República: [Decreto-Lei 25/1937, arts. 17 e 18](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0025.htm)
- Presidência da República: [Lei 11.635/2007](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11635.htm)
- IBGE: [Religiões, resultados preliminares da amostra do Censo 2022](https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/3f1708b5d315aca50d5a7d8764469c45.pdf)
- ISER, 06/06/2025: [Um Brasil mais plural, primeiro olhar sobre os dados de religião do Censo 2022](https://iser.org.br/en/noticia/um-brasil-mais-plural-um-primeiro-olhar-sobre-os-dados-de-religiao-do-censo-2022/)
- MDHC, Renafro e Ilê Omolu Oxum: [caderno Respeite o meu terreiro, 2ª edição, novembro de 2025](https://direitoshumanos.dpu.def.br/wp-content/uploads/2025/12/CADERNO_RESPEITE_digital_compressed.pdf)
- Agência Brasil, 21/01/2025: [Disque 100 registra 2,4 mil casos de intolerância religiosa em 2024](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-01/intolerancia-religiosa-disque-100-registra-24-mil-casos-em-2024)
- Click Guarulhos, 21/01/2026: [dados do Disque 100 sobre intolerância religiosa](https://www.clickguarulhos.com.br/2026/01/21/intolerancia-religiosa-segue-como-violacao-recorrente-em-2026-apontam-dados-do-disque-100/)
- Agência Gov, 26/08/2026: [Disque 100, a denúncia pode ser anônima](https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202608/disque-100-a-denuncia-pode-ser-anonima-tire-suas-principais-duvidas)
- Governo de Minas Gerais: [Decrin, Polícia Civil](https://www.mg.gov.br/instituicao_unidade/delegacia-especializada-de-investigacao-de-crimes-de-racismo-xenofobia-lgbtfobia-e-intolerancias-correlatas-decrin)
- BHAZ, 15/09/2026: [intolerância religiosa em Minas e a sensação de impunidade](https://bhaz.com.br/noticias/minas-gerais/intolerancia-religiosa-minas-gerais-sensacao-impunidade/)
- Camila Silva Nicácio, *Revista Direito GV*, 2021: [intolerância religiosa em Minas Gerais a partir de boletins de ocorrência](https://www.scielo.br/j/rdgv/a/RpWyFKJKwHKc5ZLF4bbwPxM/?format=pdf&lang=pt)
- Sidnei Nogueira: [Intolerância religiosa, Pólen, 2020](https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1154/o/Intolerancia_Religiosa_Feminismos_Plurais_Sidnei_Nogueira.pdf?1599239392=)
- ConJur, 30/09/2026: [investigação de ataques a imagens religiosas](https://conjur.com.br/2026-set-30/dino-manda-investigar-aparente-onda-de-ataques-a-imagens-religiosas-no-pais)
- O Tempo, 30/09/2026: [investigação em Minas e outros seis estados](https://otempo.com.br/politica/judiciario/2026/9/30/dino-manda-pf-abrir-inquerito-sobre-ataques-a-imagens-religiosas-em-minas-e-outros-6-estados)
- Ferreira e Santos, *Revista de Políticas Públicas* (UFMA), 2018: [proteção e preservação do patrimônio cultural das religiões afro-brasileiras](https://redalyc.org/journal/3211/321158843004/html/)
- *Anais do Museu Paulista*, 2022: [o tombamento do Terreiro da Casa Branca](https://www.scielo.br/j/anaismp/a/SgdSPHCSphDDXtwp7cT87Tp/?format=html&lang=pt&ilang=en)
- Luciane Barbosa de Souza, COPENE 2018: [os terreiros de matriz africana nos processos do IPHAN](https://www.copene2018.eventos.dype.com.br/resources/anais/8/1538194453_ARQUIVO_ArtigoOSTERREIROSDEMATRIZAFRICANANOSPROCESSOSDOIPHANLuciane.pdf)
- Bahia Notícias, 26/11/2025: [Iphan aprova tombamento do Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra](https://www.bahianoticias.com.br/municipios/noticia/48358-iphan-aprova-tombamento-do-terreiro-palacio-de-ogum-e-caboclo-sete-serra-em-lencois)
- Brasil de Fato, 23/06/2026: [revisão de protocolos da PM do Paraná em terreiros](https://www.brasildefato.com.br/2026/06/23/policia-militar-do-parana-revisara-protocolos-de-abordagens-em-terreiros-apos-denuncias-de-intolerancia-religiosa/)
- Jornal da USP: [livro sobre tombamentos de terreiros paulistas](https://jornal.usp.br/diversidade/baixe-gratuitamente-livro-que-detalha-tombamentos-de-terreiros-paulistas/)
- O Tempo, 2020: [o pano verde do primeiro terreiro tombado de Belo Horizonte](https://www.otempo.com.br/cidades/primeiro-terreiro-de-bh-sera-protegido-por-pano-verde-para-garantir-privacidade-1.2364456)
- Ilê Axé Abassá de Ogum: [Mãe Gilda](https://ileabassadeogum.wixsite.com/oficial/mae-gilda)
- A Tarde, 19/09/2008: [condenação por intolerância religiosa](https://atarde.com.br/bahia/bahiasalvador/iurd-recebe-condenacao-inedita-por-intolerancia-religiosa-280230)

## Leia também

- [Diferença entre Umbanda e Candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/diferenca-umbanda-candomble/)
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Fonte: [Joia Mística Laroyê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/racismo-religioso/) · Extrema (MG) · WhatsApp +55-35-99156-5228
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