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title: "Quem é Obaluaê (Omulu): o orixá da cura celebrado em 16 de agosto"
description: "Quem é Obaluaê (Omulu), o orixá da cura e da terra: os nomes, a roupa de palha, os itãs da pipoca, os santos de cada casa e o paralelo com Kavungo na angola."
url: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu/
canonical: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu/
published: 2026-06-11
category: "Orixás"
tags: ["obaluaê", "omulu", "orixás", "atotô", "candomblé", "umbanda"]
image: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu.webp
author: "Joice Mística"
site: "Joia Mística Laroyê"
language: pt-BR
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# Quem é Obaluaê (Omulu): o orixá da cura celebrado em 16 de agosto

> Quem é Obaluaê (Omulu), o orixá da cura e da terra: os nomes, a roupa de palha, os itãs da pipoca, os santos de cada casa e o paralelo com Kavungo na angola.

![Xaxará de palha e um alguidar de pipoca branca sobre a terra ao pôr do sol, o orixá da cura Obaluaê.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu.webp)

## Resumo

Obaluaê, Omulu ou Omolu é o orixá da varíola, das doenças e da cura, ligado à terra e aos cemitérios. Para Agenor Miranda Rocha e para a FUCESP, são dois nomes do mesmo orixá, o moço e o velho.

Veste palha da costa, com o filá cobrindo o rosto, e leva o xaxará, cetro de fibras de dendezeiro com búzios. Os itãs reunidos por Prandi dão três versões de quem o cobriu: Nanã, Iemanjá ou Ogum.

Come pipoca com coco, estourada na areia e sem sal nas casas de Salvador. O santo muda de casa para casa (São Lázaro, São Roque, São Bento, São Cipriano), e na angola o paralelo é Kavungo.

**Obaluaê**, também chamado **Omulu** ou Omolu, é o orixá da varíola, das doenças e da cura. Na tabela do sociólogo Reginaldo Prandi, ele "é relacionado com todo o tipo de mal físico e suas curas" e é "associado aos cemitérios, solos e subsolos". Veste palha da costa da cabeça aos pés, come pipoca, tem a segunda-feira como dia e é saudado com *Atotô!*.

O nome já pede cuidado. Pierre Verger, citado por Gildeci Leite, escreve que o verdadeiro nome do orixá "é perigoso demais pronunciar" e que, por prudência, se diz Obaluaê, "O Rei, Senhor da Terra", ou Omulu, "o Filho do Senhor". O 16 de agosto, dia de São Roque, é uma das festas dele; há casas que o celebram em 2 de novembro, em 17 de dezembro ou no fim de janeiro, como se vê mais abaixo.

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## Quem é Obaluaê, o orixá da cura

Na tabela das nações de [Prandi, na revista *Horizontes Antropológicos*](https://www.scielo.br/j/ha/a/m3M9vpDWHDNvZzSsyMnWWNK/?lang=pt), Obaluaiê ou Omulu é o "orixá da varíola, pragas e doenças", e a área da vida que ele patrocina é a "cura de doenças físicas". Um trabalho de conclusão de curso da UFJF, de Samuel Novaes Guimarães, o chama de ["o médico entre os orixás"](https://www2.ufjf.br/bach/files/2016/10/SAMUEL-NOVAES-GUIMAR%C3%83ES.pdf).

Como explicamos no [guia sobre os orixás](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-sao-os-orixas/), cada orixá rege uma força da natureza. O domínio de Obaluaê é a terra: o chão que adoece, cura, enterra e faz nascer. Nos itãs, ele é filho de [Nanã, a orixá mais velha](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-nana/), e irmão de Oxumarê.

Porque o tema toca a saúde, vale dizer com todas as letras: a cura de Obaluaê é dimensão espiritual, de acolhimento, fé e axé. A Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina (TUCTVC) escreve na [página do orixá](https://tuctvc.com/AUmbanda_OBALUAE.php): "Sua força não substitui tratamentos médicos ou cuidados de saúde." Nenhuma oferenda, banho ou reza toma o lugar do médico.

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## Ficha técnica de Obaluaê

**Cores:** vermelho, branco e preto no candomblé (Prandi); preto e branco na umbanda (FUCESP) | **Dia:** segunda-feira | **Elemento:** terra | **Símbolo:** xaxará, cetro de fibras de dendezeiro com búzios | **Vestimenta:** roupa de palha da costa, com o filá cobrindo o rosto | **Comida:** doburu, a pipoca com fatias de coco | **Saudação:** Atotô! | **Santos:** São Lázaro e São Roque, com variação por casa | **Família mítica:** filho de Nanã, irmão de Oxumarê | **Tabu dos filhos:** ir a funerais

**Agosto é o mês de Obaluaê em muitas casas.** O Olubajé, o banquete do orixá, é comemorado em agosto "na maioria dos terreiros de candomblé do Brasil", segundo a [reportagem da Alma Preta](https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/o-que-o-olubaje-representa-para-quem-e-de-candomble/). Mas não é regra: Lucas Barreto de Souza fotografou um Olubajé em 15 de janeiro de 2017, no Ilê Axé Akaraizô, em Salvador ([*Fotocronografias*, UFRGS](https://seer.ufrgs.br/index.php/fotocronografias/article/download/126260/85730/535438)). O mês está em [mês de Obaluaê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/mes-de-obaluae/) e a festa, em [Olubajé, o banquete de cura de Omolu](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/olubaje-banquete-de-omolu/).

Entre as ervas, a FUCESP lista "Folha de Omulu (canela de cachorro) pariparoba, mamona, cambará", e Guimarães escreve que "A folha ritual de Obaluaê é a mamona". Duas plantas que casas de umbanda ligam a Omulu têm artigo próprio: a [losna, a erva de Omulu](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/losna-erva-de-omulu/), e o [mastruz](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/mastruz-para-que-serve/).

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## Obaluaê e Omulu: as duas faces do mesmo orixá

A resposta mais ouvida é que **são o mesmo orixá com dois nomes**. Agenor Miranda Rocha, citado na [dissertação de Samuel Abrantes (UFRJ)](https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/6043/1/188438.pdf), diz que se costuma chamar Obaluaê de moço e Omolu de velho, "mas são apenas dois nomes para uma mesma entidade". Ildásio Tavares, entrevistado na mesma pesquisa, vai além: "todos são ORIKI do mesmo santo, que é uma forma de saudação, de reverência".

Não há consenso. O [verbete Obaluaiê da Wikipédia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Obaluai%C3%AA) defende que seriam orixás distintos, e que Obaluaiê é "constantemente confundido" com Omolu. A [Prefeitura de Salvador](https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/marcada-pelos-pedidos-de-cura-e-pelo-sincretismo-festa-de-sao-lazaro-ocorre-neste-domingo-28/) registra as duas leituras: "em algumas casas são tratados como o mesmo orixá, e em outras como entidades distintas".

A divisão entre o moço e o velho tem uma versão muito citada, a da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo ([FUCESP](https://www.fucesp.com.br/obaluae)), que abre dizendo que "falar em Obaluaê ou Omulú é falar no mesmo Orixá":

| | **Obaluaê** | **Omulu** |
|---|---|---|
| Face | jovem | velha |
| Caráter, segundo a FUCESP | guerreiro, caçador e lutador | sábio, feiticeiro e guardião |
| Santo no imaginário baiano, segundo Leite | São Roque | São Lázaro |

A última linha não vale para todo lugar: a TUCTVC faz o inverso, como se vê no H2 do sincretismo.

No candomblé, o orixá se desdobra em **qualidades**, e as listas não batem. Abrantes avisa que "há muita contradição e informação errada quanto aos nomes e funções", e Roger Bastide, citado por Monique Augras e Angela Maria Correa nos [*Arquivos Brasileiros de Psicologia* (FGV)](https://periodicos.fgv.br/abp/article/download/18014/16764/33902), contou 14 subdivindades de Omolu.

Na umbanda, a conta é outra. As sete linhas de [Leal de Souza, em 1933](https://www.mataverde.org/arquivos/livro_leal_souza.pdf), não têm Omulu: a sétima "é a linha de Santo, também chamada de Linha das Almas". O Núcleo Umbandista São Sebastião ([NUSS](https://umbandanuss.com.br/a-umbanda/linhas-da-umbanda/)) põe "Omulú e Ibeji na Linha de Oxalá", e a FUCESP fala de entidades ligadas a ele "que chegam curvadas" e que geralmente têm a cabeça "coberta por um pano branco". Quem desce na gira, a cor, a vela e as datas da umbanda estão em [Omolu na umbanda](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/omolu-na-umbanda/). A FUCESP lembra ainda que "sempre que se adentra em um cemitério se saúda Obaluaê", e o lugar onde isso se faz está em [cruzeiro das almas](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/cruzeiro-das-almas/).

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## A palha que cobre o corpo

A roupa de Obaluaê é de **palha da costa**. Guimarães chama a vestimenta de axóicó e dá o nome da parte de cima: "A primeira parte que cobre todo o seu rosto e desce até boa parte do seu dorso é chamada de filá." Na tabela de Prandi, a roupa é "vermelho, branco e preto, com capuz de palha". O **xaxará** não é o capuz: é o cetro que ele leva na mão, "feito de fibras das folhas do dendezeiro com búzios".

Por que a palha? Nos itãs, ela cobre as marcas da doença (veja abaixo). Gildeci Leite, da UNEB, lê a palha também como riqueza: "Para Omolu, vestir-se com suas palhas da cabeça aos pés, além de adequar-se à sua realidade física, deve ser entendido como riqueza, uma outra riqueza." E cita Edison Carneiro: o pai de santo Paim fez para Omolu uma toalha de seda bordada, "tudo inutilmente, porque o santo não a queria de maneira alguma" ([Leite, *Fragmentos de Cultura*](https://seer.pucgoias.edu.br/index.php/fragmentos/article/download/7748/4555/29895)). Verger, citado por Leite, conta que na África o orixá "rejeita a utilização de utensílios de metal em alguns de seus rituais", porque aceitar o metal seria entrar no território de Ogum.

O rosto fica coberto. No [Santuário Nacional da Umbanda](https://santuariodeumbanda.com.br/site/locais-para-oferendas/vale-dos-orixas/abaluaie/), a imagem do orixá "é um homem que não mostra o rosto, curvo e geralmente esconde-se embaixo de um pano quando incorpora nos templos". Isso não quer dizer que não exista imagem: o acervo *Sacred Arts of the Black Atlantic*, da Duke University, cataloga uma [estátua de gesso de Omolú](https://sacredart.caaar.duke.edu/artifacts/plaster-statue-of-the-candomble-god-omolu/), com xaxará de contas e búzios.

> **Atotô!** A saudação pede silêncio. É "Atotô, que significa silêncio, ele está entre nós", explicam os sacerdotes ouvidos pela Alma Preta. Na FUCESP, a saudação longa é "Atotô Ajuberú".

Uma cantiga do ketu para ele, com letra e comentário, está em [cantiga de Obaluaê Ejì Bará Loko](https://joiamisticalaroye.com.br/cantigas/obaluae-igan-igan/).

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## Os itãs: Nanã, Iemanjá, Ogum e a pipoca

Os itãs reunidos por Prandi em [*Mitologia dos orixás*](https://books.google.com/books/about/Mitologia_dos_orix%C3%A1s.html?hl=pt-BR&id=Jp7aDwAAQBAJ) (2001) contam a palha de mais de um jeito. As versões abaixo vêm com a página do livro, citadas por quem o leu.

### Nanã cobre o filho de palha

Na página 197, citada por Nágila Oliveira dos Santos na [*Revista África e Africanidades*](https://www.africaeafricanidades.com.br/documentos/Orixas_no_diva.pdf), Nanã teve dois filhos: "Oxumarê era o filho belo e Omulu, o filho feio." E "Nanã tinha pena do filho feio e cobriu Omulu com palhas, para que ninguém o visse e para que ninguém zombasse dele."

### Iemanjá lava Omulu e lhe dá as pérolas

Nas páginas 215 e 216, transcritas por Leite, a história é outra. Nanã abandona o filho doente: "Abandonou-o numa gruta perto da praia." Então "Iemanjá recolheu Omulu e o lavou com a água do mar", "confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia" e lhe deu as pérolas: "Serás assim chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas". O historiador Murilo Melo, ouvido pela Prefeitura de Salvador, conta uma versão em que Omulu é salvo por Iemanjá "utilizando folhas de bananeira".

![Pintura sacra de uma gruta à beira-mar ao amanhecer, com roupa de palha dobrada, tigela de pipoca com coco e um colar de pérolas.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu-gruta.webp)

### Ogum, Iansã e as feridas que viraram pipoca

Na versão resumida por Guimarães, Ogum vê Obaluaê espiando a festa e "o cobriu com uma roupa de palha". Iansã então "deu um sopro que levantou a sua roupa e fez com que todas as feridas de Obaluaê pulassem para o alto e fossem transformadas em pipocas". Os dois, Obaluaê e Iansã, "compartilharam o poder de reinar sobre o mundo dos espíritos e dos mortos". O Santuário Nacional da Umbanda conta o mesmo itã: "Ogum, ao perceber sua angústia, cobre todo o corpo dele com palha da costa (mariô)." O lado de Iansã está em [quem é Iansã](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-iansa/).

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## Doburu: por que a pipoca é a comida de Obaluaê

Na tabela de Prandi, a comida de Obaluaê é "pipoca com fatias de coco". Leite descreve o deburu de Salvador: "torrada em uma panela com areia branca. Obrigatoriamente sem gorduras de quaisquer espécies", servida "sem sal" e com "tiras de coco seco". E acrescenta: "A pipoqueira elétrica facilita o trabalho e não retira o Axé." Ele registra ainda que, lá, "o mês de agosto é povoado por filhas e filhos de santo a pé, nas ruas, com balaios cheios de pipoca", pedindo esmola para as obrigações de Omolu, e que o deburu é chamado de "a flor do Velho".

Na umbanda, a FUCESP dá a pipoca "estourada no azeite de dendê e sem sal". Num itã resumido por Guimarães, a pipoca já é remédio antes de ser ferida transformada: a mãe "pegou um punhado de pipoca" e "jogou no seu corpo, fazendo com que as feridas desaparecessem". O banho de pipoca, para o Santuário Nacional da Umbanda, é "o principal ritual que se faz para Abaluaiê". Na festa de São Lázaro, em Salvador, a Prefeitura registra uma ialorixá que "há oito anos" oferece banhos de pipoca em frente à Igreja de São Lázaro. Banho ritual é fundamento de casa: quem sente o chamado procura a orientação de um pai ou mãe de santo.

O significado, a receita e o banho estão em [pipoca de Obaluaê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/pipoca-de-obaluae/). O prato que a FUCESP lista além da pipoca (feijão preto com dendê, carnes em fatias, banana-da-terra frita, cuscuz e milho) e onde cada tradição entrega estão em [oferenda para Omolu](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/oferenda-para-omolu/).

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## Sincretismo: São Lázaro, São Roque e os santos de cada casa

Prandi dá os dois santos juntos, sem separar face: Obaluaiê ou Omulu é "Sincretizado com São Lázaro e São Roque". A divisão por face é uma leitura de lugar. Leite registra que, "no imaginário popular baiano", "se associa Omolu a São Lázaro e Obaluaê a São Roque". Outras casas fazem diferente:

- **TUCTVC, de São José dos Campos:** "Omulu é sincretizado com São Roque e Obaluaê com São Lázaro", o inverso da leitura baiana.
- **Tambor de mina de São Paulo:** no terreiro estudado por Prandi em ["Nas pegadas dos voduns"](https://www.reginaldoprandi.fflch.usp.br/sites/reginaldoprandi.fflch.usp.br/files/inline-files/Nas_pegadas_dos_voduns.pdf), cada vodum tem o seu santo: Acóssi é São Lázaro, Azile é São Roque, Polibogi é São Manoel e o nagô Xapanã é São Sebastião.
- **Santuário Nacional da Umbanda:** "Pode ser sincretizado também com São Roque e São Bento."
- **NUSS:** além de São Lázaro, "Outros o sincretizam a São Roque e outros a São Cipriano" ([página de Omulú](https://umbandanuss.com.br/a-umbanda/os-orixas/omulu/)).

Como em todo sincretismo afro-brasileiro, a aproximação nasceu da necessidade de cultuar escondido. "São Lázaro e São Roque são santos que nossos ancestrais foram inteligentes em associar aos orixás, para cultivar e reverenciar de forma escondida", disse a ialorixá Tania Pereira de Jesus à Prefeitura de Salvador. E a TUCTVC lembra que o sincretismo "não significa que as duas figuras sejam exatamente a mesma divindade". A história de cada santo está em [São Roque e Obaluaê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/sao-roque-e-obaluae/) e em [São Lázaro e Obaluaê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/sao-lazaro-e-obaluae/); o mecanismo em geral, em [santos católicos e orixás](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/santos-juninos-orixas-sincretismo/).

As datas acompanham os santos e as casas. A FUCESP dá o 2 de novembro, "juntamente com o dia de finados", o 17 de dezembro, "em razão do sincretismo com São Lázaro", e o 16 de agosto, de São Roque. Em Salvador, a festa de São Lázaro "é celebrada todo ano no último domingo de janeiro, na Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação". A casa de mina de São Paulo festeja Xapanã em 20 de janeiro, dia de São Sebastião, e Acóssi em 11 de fevereiro. Como o 2 de novembro é vivido nos terreiros está em [dia de Finados na umbanda](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/dia-de-finados-na-umbanda/).

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## Xapanã, Sakpata e Kavungo: os nomes nas outras nações

**Xapanã** é o nome que se evita. Leite resume Verger: "Xapanã é um nome perigoso e, portanto, chamá-lo de Obaluaê, Senhor da Terra, ou de Omolu, Filho do Senhor são formas de cumprir alguns de seus tabus." Guimarães registra o mesmo: é nome que, "segundo os adeptos, é perigoso de ser pronunciado".

No **jeje**, de origem fon, a divindade próxima é o vodum **Sakpata**, que o [verbete Sapatá da Wikipédia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Sapat%C3%A1) descreve como "vodum da terra", "intitulado Ayinon (o dono da terra)". A tabela de Prandi põe entre os voduns jejes Acóssi-Sapatá e Xapanã. No tambor de mina, o terreiro paulista estudado por Prandi cultua a **família de Dambirá**, que "reúne os voduns da terra, ligados às doenças e às curas", com Acóssi Sapatá, "curador e cientista", que "conhece o remédio para todas as doenças".

Na **angola**, o paralelo é o inquice **Kavungo**. Prandi dá Cafunã e Cavungo como inquices bantos. Veridiana Silva Machado, em [dissertação na USP](https://teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-11052016-110936/publico/DissertacaoVeri.pdf), registra os nomes "Kavungo, Nsumbo, Tingongo, Impanzo ou panzo, Ntoto" e o domínio: "a força que atua na terra, no solo, assim como as doenças epidêmicas, as pestes e a cura". Kavungo é o patrono de um terreiro de angola da Bahia, o nkisi de Maria Genoveva do Bonfim, Maria Neném. No [Inzo Tumbansi](https://inzotumbansi.org/bankisi-cultuados/), casa de angola de Itapecerica da Serra (SP), a comida de Kavungu é "Masangu (Pipoca)". A FUCESP usa a palavra certa: Obaluaê é "associado com Kavungo, divindade da nação Bantu, e com Sakpata, divindade da Nação Jeje". Associado, não igual. Os outros inquices estão em [inquices do candomblé de angola](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/inquices-do-candomble-de-angola/).

No **batuque** do Rio Grande do Sul, o orixá é chamado de Xapanã, sem o cuidado de não dizer o nome: veja [Xapanã no batuque](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/xapana-no-batuque/).

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## Os filhos de Obaluaê

Quem tem Obaluaê de cabeça é chamado **omolussi**, segundo Guimarães. O retrato que circula é um **estereótipo**, e Prandi o descreve assim: "Seus filhos aparentam um aspecto deprimido", mas eles "parecem pouco amigos, mas é porque são tímidos e envergonhados". O preceito mais citado é o tabu de "ir a funerais", na tabela de Prandi e em Guimarães. Augras e Correa testaram três filhos de Omolu e descreveram o orixá como "agressivo, mas controlado".

O retrato completo, as quizilas registradas por casa e a dúvida sobre comer pipoca estão em [filhos de Omolu](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/filhos-de-omolu/). Só o jogo de um pai ou mãe de santo confirma o orixá de cabeça; o teste do site serve para começar a conversa.

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## Perguntas frequentes sobre Obaluaê

### Quem é Obaluaê?

É o orixá da varíola, das doenças e da cura, ligado à terra e aos cemitérios, segundo Prandi. Também é chamado Omulu ou Omolu; o nome Xapanã se evita em muitas casas de candomblé. Veste palha da costa, come pipoca com coco, tem a segunda-feira como dia e é saudado com Atotô.

### Qual a diferença entre Omulu e Obaluaê?

Para Agenor Miranda Rocha e para a FUCESP, nenhuma de fundo: são dois nomes do mesmo orixá, o moço (Obaluaê) e o velho (Omulu). A Wikipédia defende que seriam orixás distintos, e a Prefeitura de Salvador registra as duas leituras entre as casas.

### Qual santo é sincretizado com Obaluaê?

São Lázaro e São Roque, na tabela de Prandi. No imaginário baiano, Omolu é São Lázaro e Obaluaê é São Roque; a TUCTVC faz o inverso; o Santuário Nacional da Umbanda acrescenta São Bento, e a NUSS, São Cipriano. Sincretismo é aproximação, não igualdade.

### Por que a pipoca é a comida de Obaluaê?

Porque, num itã resumido por Guimarães, as feridas do orixá pularam para o alto e viraram pipoca quando Iansã soprou a roupa de palha. Leite registra o deburu de Salvador feito na areia, sem gordura e sem sal, com tiras de coco seco, chamado de "a flor do Velho".

### Quais são as cores de Obaluaê?

Depende da tradição. No candomblé, a roupa é vermelho, branco e preto, na tabela de Prandi. Na umbanda, a FUCESP dá preto e branco e diz que no candomblé "usa-se também o vermelho"; a NUSS dá branco e preto; o Santuário dá a cor preta e a vela branca e preta. O dia é a segunda-feira, que em muitas casas é também o dia da [linha das almas](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/linha-das-almas-na-umbanda/).

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## Onde comprar produtos para honrar Obaluaê

Na [Joia Mística Laroyê](https://wa.me/5535991565228), você encontra artigos preparados com respeito ao fundamento:

- **Velas pretas, brancas e vermelhas:** as [cores rituais](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/velas-rituais-cores-significados/) do orixá para a segunda-feira
- **Guias e fios de contas** nas cores de Obaluaê
- **Milho para doburu e pipoca ritual:** para oferendas e banhos de limpeza
- **Losna e ervas de Omulu:** frescas ou secas, para banhos de proteção
- **Imagens com a palha tradicional:** representações respeitosas, sempre com o rosto coberto

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**Atotô, Obaluaê!**

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## Referências

- Reginaldo Prandi, "Deuses africanos no Brasil contemporâneo", *Horizontes Antropológicos* (UFRGS), 1995: [SciELO](https://www.scielo.br/j/ha/a/m3M9vpDWHDNvZzSsyMnWWNK/?lang=pt)
- Reginaldo Prandi, *Mitologia dos orixás*, Companhia das Letras, 2001: [ficha no Google Livros](https://books.google.com/books/about/Mitologia_dos_orix%C3%A1s.html?hl=pt-BR&id=Jp7aDwAAQBAJ)
- Reginaldo Prandi, "Nas pegadas dos voduns: um terreiro de tambor-de-mina em São Paulo", 2005: [PDF no site do autor](https://www.reginaldoprandi.fflch.usp.br/sites/reginaldoprandi.fflch.usp.br/files/inline-files/Nas_pegadas_dos_voduns.pdf)
- Gildeci de Oliveira Leite (UNEB), "Omolu, Obaluaê, São Lázaro, São Roque, a fé, a medicina do pobre", *Fragmentos de Cultura* (PUC Goiás), 2019: [PDF](https://seer.pucgoias.edu.br/index.php/fragmentos/article/download/7748/4555/29895)
- Nágila Oliveira dos Santos, "Orixás no divã", *Revista África e Africanidades*, 2010: [PDF](https://www.africaeafricanidades.com.br/documentos/Orixas_no_diva.pdf)
- Samuel Novaes Guimarães, *Obaluaê, o médico entre os orixás*, trabalho de conclusão de curso, UFJF, 2017: [PDF](https://www2.ufjf.br/bach/files/2016/10/SAMUEL-NOVAES-GUIMAR%C3%83ES.pdf)
- Samuel Sampaio Abrantes, *Atotô Obaluayê Ajuberu*, dissertação, UFRJ, 1996: [PDF](https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/6043/1/188438.pdf)
- Monique Augras e Angela Maria Correa, *Arquivos Brasileiros de Psicologia* (FGV), 1979: [PDF](https://periodicos.fgv.br/abp/article/download/18014/16764/33902)
- Veridiana Silva Machado, *O cajado de Lemba: o tempo no candomblé de nação Angola*, dissertação, USP, 2015: [PDF](https://teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-11052016-110936/publico/DissertacaoVeri.pdf)
- Lucas Barreto de Souza, "Atotô Obaluayê! Olubajé no Ilê Axé Akaraizô", *Fotocronografias* (UFRGS), 2021: [PDF](https://seer.ufrgs.br/index.php/fotocronografias/article/download/126260/85730/535438)
- Leal de Souza, *O espiritismo, a magia e as sete linhas de Umbanda*, 1933: [PDF](https://www.mataverde.org/arquivos/livro_leal_souza.pdf)
- FUCESP: [página de Obaluaê](https://www.fucesp.com.br/obaluae)
- TUCTVC: [página de Obaluaê e Omulu](https://tuctvc.com/AUmbanda_OBALUAE.php)
- NUSS: [Linhas da Umbanda](https://umbandanuss.com.br/a-umbanda/linhas-da-umbanda/) e [Omulú](https://umbandanuss.com.br/a-umbanda/os-orixas/omulu/)
- Santuário Nacional da Umbanda: [Abaluaiê](https://santuariodeumbanda.com.br/site/locais-para-oferendas/vale-dos-orixas/abaluaie/)
- Inzo Tumbansi: [Bankisi cultuados](https://inzotumbansi.org/bankisi-cultuados/)
- Duke University, *The Sacred Arts of the Black Atlantic*: [estátua de gesso de Omolú](https://sacredart.caaar.duke.edu/artifacts/plaster-statue-of-the-candomble-god-omolu/)
- Alma Preta: [O que o Olubajé representa para quem é de candomblé?](https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/o-que-o-olubaje-representa-para-quem-e-de-candomble/)
- Prefeitura de Salvador: [festa de São Lázaro e o banho de pipoca](https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/marcada-pelos-pedidos-de-cura-e-pelo-sincretismo-festa-de-sao-lazaro-ocorre-neste-domingo-28/)
- Wikipédia: [Obaluaiê](https://pt.wikipedia.org/wiki/Obaluai%C3%AA) e [Sapatá](https://pt.wikipedia.org/wiki/Sapat%C3%A1)

## Leia também

- [Omolu na umbanda: cor, vela, dia e quem desce na gira](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/omolu-na-umbanda/)
- [Oferenda para Omolu: o que se leva além da pipoca e onde](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/oferenda-para-omolu/)
- [Filhos de Omolu: como são e o que eles não podem fazer](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/filhos-de-omolu/)
- [Descubra seu Orixá: faça o teste](https://joiamisticalaroye.com.br/descubra-seu-orixa/)

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Fonte: [Joia Mística Laroyê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu/) · Extrema (MG) · WhatsApp +55-35-99156-5228
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