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title: "Quem é Nanã: a orixá mais velha e a lama da criação"
description: "Quem é Nanã, a orixá mais velha? Conheça a senhora da lama e da ancestralidade, suas cores, a saudação Saluba Nanã, as oferendas e a data de 26 de julho."
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canonical: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-nana/
published: 2026-06-22
category: "Orixás"
tags: ["quem é nanã", "nanã buruquê", "nanã orixá", "orixá mais velha", "saluba nanã", "dia de nanã"]
image: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-nana.webp
author: "Joice Mística"
site: "Joia Mística Laroyê"
language: pt-BR
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# Quem é Nanã: a orixá mais velha e a lama da criação

> Quem é Nanã, a orixá mais velha? Conheça a senhora da lama e da ancestralidade, suas cores, a saudação Saluba Nanã, as oferendas e a data de 26 de julho.

![Barro úmido e lama às margens de um lago com flores lilases e um cajado de palha, a ancestral orixá Nanã.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-nana.webp)

## Resumo

Nanã Buruku é a mais velha, sábia e respeitada divindade feminina do panteão afro-brasileiro, a grande matriarca ancestral associada à lama primordial da criação do mundo e às águas paradas dos pântanos e lagoas.

Mãe de Obaluaê, Oxumaré e Ewá, Nanã rege a transmutação serena dos ciclos da vida, o desapego moral e a desintegração da matéria para que a alma retorne limpa ao mundo espiritual.

Veste roxo, lilás e branco, empunhando o ibiri — um cetro de palha da costa encurvado adornado com búzios que representa seus filhos. Sua saudação solene é "Saluba Nanã!", invocando o acolhimento das mães ancestrais.

Saber **quem é Nanã** é voltar ao começo de tudo. Antes do ferro, antes das cidades, antes mesmo de muitos dos orixás mais conhecidos, já existia a senhora da lama, das águas paradas e do barro do fundo do mangue. **Nanã Buruquê** é a mais velha das iabás, a avó dos orixás, aquela que guarda a memória da criação e os portais por onde a vida entra e por onde ela retorna à terra.

Este guia apresenta o perfil completo da orixá: sua origem antiquíssima no antigo Daomé, os domínios da lama e da ancestralidade, a ficha técnica (cores, saudação, oferendas), o porquê da sua quizila com o ferro, seus filhos e o sentido do dia 26 de julho, quando a umbanda a saúda no sincretismo com Sant'Ana.

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## Quem é Nanã, a mais velha dos orixás

**Nanã** é reverenciada como a mais antiga das divindades femininas, a iabá que existia antes das outras. Sua origem não é iorubá pura: ela vem do povo **fon**, do antigo reino do **Daomé** (atual Benin), e só mais tarde foi incorporada ao panteão nagô cultuado no Brasil. Por isso é tratada como uma das divindades mais ancestrais de todas, ligada a um tempo anterior à própria Idade do Ferro, leitura que o etnógrafo Pierre Verger sustenta ao colocar a orixá e seu filho Obaluaê entre os cultos mais arcaicos da África ocidental.

Seu domínio é a **água parada**: o lago, o pântano, o brejo e, sobretudo, a **lama** do fundo do mangue. Onde a água corrente de Oxum é movimento e a água salgada de Iemanjá é vastidão, a água de Nanã é profundidade quieta, repouso, o barro fértil onde a vida se forma e para onde a vida volta. Essa lama não é sujeira: é matéria-prima sagrada, o limo primordial que carrega ancestralidade e sabedoria.

Há um itan muito difundido que explica essa centralidade. Conta a tradição que, quando Olodumare quis criar o ser humano, Oxalá não conseguia dar forma à criatura até que **Nanã trouxe do fundo das águas o barro** com que o homem foi modelado. Por isso ela é vista como a matéria de que somos feitos e o destino para onde a carne retorna. Para situar a orixá no conjunto das divindades afro-brasileiras, vale ler o panorama sobre [o que são os orixás](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-sao-os-orixas/).

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## Ficha técnica de Nanã

Antes de aprofundar a ancestralidade e os itans, vale fixar os elementos que identificam a orixá. As correspondências abaixo seguem o que é mais consensual entre as casas, com as variações mais comuns sinalizadas.

- **Domínios:** ancestralidade, lama primordial, águas paradas, sabedoria, memória, os portais da vida e da morte
- **Cores:** roxo e lilás, quase sempre acompanhados do branco; algumas casas incluem o anil
- **Elemento:** água parada e lama, o pântano, o brejo e o mangue
- **Símbolo:** o **ibiri**, cetro de palha-da-costa enfeitado com búzios e contas, que ela carrega curvado como quem ampara
- **Saudação:** **"Saluba, Nanã!"**, algo como "salve, Nanã" ou "nós nos refugiamos em Nanã"
- **Oferendas:** feijão-fradinho, canjica branca (mungunzá), batata-doce, camarão e caruru, servidos em **alguidar de barro**, nunca em vasilha de metal
- **Origem:** jeje-fon, do antigo Daomé (atual Benin); na nação angola, sua energia aparece sob o nome do inquice **Nzumbarandá**
- **Sincretismo:** **Sant'Ana**, celebrada em 26 de julho na umbanda

> **Saluba, Nanã!** A saudação é um gesto de quem busca colo e amparo na mais velha das mães. Diante de Nanã, costuma-se baixar a cabeça com reverência, no respeito que se tem pela avó que tudo viu e tudo perdoa.

Sobre o **dia da semana**, é honesto dizer que as fontes divergem: a segunda-feira é a mais citada em muitos terreiros de umbanda, mas há casas que dedicam a ela o domingo ou a terça. O ponto firme é a **data anual**, o 26 de julho. Quando o assunto é cor, o roxo é o consenso mais forte, presente nas guias, nas velas e nas roupas usadas para honrá-la.

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## Senhora dos portais da vida e da morte

Um dos aspectos mais mal compreendidos da orixá é a sua ligação com a morte. **Nanã rege os portais por onde as almas chegam ao mundo e por onde elas partem.** Ela recebe quem desencarna, acolhe o espírito de volta ao barro de onde veio e o prepara para um novo ciclo. Não há aqui nada de sombrio ou assustador: é o contrário do medo.

Para a tradição afro-brasileira, a morte não é fim, é passagem, e a senhora dessa passagem é a mesma avó amorosa que ampara o nascimento. Por isso Nanã é também a orixá do **luto sereno** e da reconciliação com o tempo. Quem a procura num momento de perda costuma buscar nela o acolhimento de quem entende que tudo tem sua estação. Ela ensina paciência, aceitação e a sabedoria que só os mais velhos carregam.

Essa serenidade é o oposto da pressa do mundo. Nanã não age com o ímpeto de uma guerreira nem com o brilho de uma orixá das águas vivas. Sua força está na quietude profunda, naquilo que amadurece devagar, no que precisa de tempo para se transformar.

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## Por que Nanã não aceita ferro

Uma marca característica do culto de Nanã é a **quizila com o ferro**: em muitas casas, nada que toca a orixá ou suas oferendas pode ser de metal. Cortes e preparos rituais para ela se fazem com instrumentos de **madeira ou bambu**, e suas comidas são servidas em barro, não em alumínio.

A explicação está num itan que envolve **Ogum**, o orixá do ferro e da tecnologia. Conta a tradição que, numa assembleia em que os orixás iam reconhecer Ogum como o mais importante por ter forjado a faca e os instrumentos de metal, **Nanã discordou**. Para mostrar que a vida não dependia da invenção do ferro, ela teria realizado seu sacrifício sem usar lâmina alguma. Desde então, o metal de Ogum ficou excluído do seu culto.

Há também a leitura histórica, defendida por Verger: como divindade anterior à chegada do ferro à África ocidental, Nanã pertence a um tempo em que esse material simplesmente não existia, e seu culto preservou essa antiguidade. Vale uma ressalva importante: **quizilas variam de casa para casa e de nação para nação.** O ferro afastado do culto de Nanã é uma tradição amplamente seguida, não um dogma único, e cada terreiro guarda seus próprios fundamentos. O [verbete da Wikipédia sobre Nanã](https://pt.wikipedia.org/wiki/Nan%C3%A3) registra essa origem daomeana e o itan do ferro para quem quiser aprofundar.

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## Os filhos de Nanã

A maternidade é parte central da identidade da orixá. Nanã é tida como mãe de divindades ligadas à terra, à transformação e ao mistério. O mais célebre dos seus filhos é **Obaluaê (Omulu)**, o orixá da terra, das doenças e da cura, que aprendeu com a mãe o domínio sobre os ciclos de morrer e renascer. Conhecer o filho ajuda a entender a mãe: vale ler o perfil de [quem é Obaluaê (Omulu)](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu/), o orixá curador coberto pelo seu manto de palha.

A tradição também lhe atribui outros filhos. **Oxumarê**, o orixá-serpente do arco-íris, senhor dos ciclos e da renovação, e **Iroko (Loko)**, a divindade da árvore sagrada e do tempo. Em alguns itans, Nanã aparece ainda como mãe de Ewá e ligada a Ossaim, o senhor das folhas. Em boa parte das narrativas, ela é apontada como a **primeira mulher de Oxalá**, o que a coloca na raiz das grandes linhagens de orixás.

Esse lugar de avó e matriarca reforça por que ela é invocada em questões de família, ancestralidade e linhagem. Quem busca Nanã busca, no fundo, a sabedoria das origens.

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## Nanã na umbanda e no candomblé

Embora seja a mesma orixá, Nanã não é vivida da mesma forma nas duas tradições, e confundi-las apaga o que cada uma tem de próprio.

No **candomblé**, Nanã é uma iabá cultuada com seus assentamentos, seus fundamentos e suas comidas específicas, variando conforme a nação. Na **ketu** e na **jeje** preserva-se com força a origem daomeana e a quizila do ferro; na nação **angola**, de raiz bantu, a energia da senhora da lama e da ancestralidade é cultuada sob o nome do inquice **Nzumbarandá**. Mencionar a nação não é detalhe: tratar o candomblé como um bloco único apaga a diversidade real das casas.

Na **umbanda**, Nanã atua sobretudo como uma **vibração ou linha de trabalho** ligada à ancestralidade, à sabedoria dos mais velhos e ao amparo no luto. É comum que sua energia seja associada à dos pretos-velhos, guias da sabedoria ancestral, pela proximidade dos temas. O sincretismo com Sant'Ana, mais presente na umbanda do que no candomblé de raiz, completa esse retrato da orixá-avó.

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## Dia de Nanã: 26 de julho e o sincretismo com Sant'Ana

Quem procura a data de Nanã encontra o **26 de julho**, e a razão está na história do Brasil. Durante a colonização, diante da proibição de cultuar os orixás, os africanos escravizados associaram suas divindades a santos católicos para continuar reverenciando sob outro nome. Foi **estratégia de sobrevivência**, não declaração de que orixá e santo seriam a mesma coisa.

Nanã foi associada a **Sant'Ana**, mãe de Maria e avó de Jesus segundo a tradição cristã. A ligação é transparente: assim como Sant'Ana é a avó venerada, **Nanã é a avó dos orixás**, a matriarca mais velha, guardiã da ancestralidade. As duas carregam o mesmo arquétipo da anciã sábia que ampara as gerações. Como explica o material das [Raízes Espirituais sobre o sincretismo de 26 de julho](https://www.raizesespirituais.com.br/26-julho-sincretismo/), é nessa data que muitos terreiros saúdam a senhora das águas paradas e da ancestralidade.

Por isso, ao se aproximar o fim de julho, casas de umbanda e de candomblé preparam homenagens à orixá mais velha. Para acompanhar as celebrações de cada divindade ao longo do ano, consulte o [calendário dos orixás](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/calendario-dos-orixas/).

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## Como reverenciar Nanã

A devoção a Nanã se faz com a calma e o respeito que se tem pelos mais velhos. O que segue é uma **referência devocional**, lembrando que cada casa tem suas orientações e que oferendas de fundamento se fazem sob a condução de um pai ou mãe de santo.

- **Acenda uma vela roxa ou lilás** em local limpo e tranquilo, mentalizando gratidão pela ancestralidade e pedindo sabedoria e paciência
- **Ofereça em barro**, nunca em metal, comidas como o feijão-fradinho ou a canjica branca, respeitando a quizila do ferro
- **Saúde a orixá** com o "Saluba, Nanã!", de cabeça baixa, como quem fala com a avó mais velha da família
- **Honre os seus antepassados**, porque cultuar Nanã é cultuar a memória de quem veio antes de nós

> **Dica de devoção:** procure Nanã para pedir serenidade diante das mudanças, força no luto e sabedoria para amadurecer decisões. A orixá da lama trabalha no tempo das raízes, devagar e fundo, e ensina que algumas coisas só florescem quando se respeita o tempo certo.

A escolha consciente das velas faz parte da reverência. Para entender o significado de cada cor, veja o guia de [velas rituais e seus significados](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/velas-rituais-cores-significados/).

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## Perguntas frequentes

### Quem é Nanã na umbanda?

Nanã é a orixá mais velha, senhora da lama, das águas paradas e da ancestralidade. Na umbanda, ela atua como uma vibração ligada à sabedoria dos mais velhos, ao amparo no luto e à memória dos antepassados, sendo sincretizada com Sant'Ana e celebrada em 26 de julho.

### Qual é o dia de Nanã?

A data anual de Nanã é **26 de julho**, no sincretismo com Sant'Ana. Já o dia da semana varia conforme a casa: a segunda-feira é a mais citada, mas há terreiros que dedicam a ela o domingo ou a terça. A data de julho é o ponto de maior consenso.

### Nanã é mãe de qual orixá?

Nanã é tida como mãe de **Obaluaê (Omulu)**, o orixá da cura, e também de **Oxumarê** e **Iroko**. Em alguns itans, é ligada a Ewá e a Ossaim. Em muitas narrativas, aparece ainda como a primeira mulher de Oxalá.

### Por que Nanã não aceita ferro?

A tradição conta um itan em que Nanã se recusou a reconhecer a supremacia de Ogum, o orixá do ferro, realizando seu sacrifício sem usar metal. Por isso, em muitas casas, o ferro fica excluído do seu culto, com instrumentos de madeira no lugar. As quizilas, porém, variam de casa para casa.

### O que significa Saluba Nanã?

**"Saluba, Nanã!"** é a saudação tradicional da orixá. A expressão é entendida como "salve, Nanã" ou "nós nos refugiamos em Nanã", um pedido de amparo e proteção dirigido à mais velha e mais sábia das mães.

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## Onde comprar artigos para Nanã

Na [Joia Mística Laroyê](https://wa.me/5535991565228), você encontra tudo para honrar a orixá mais velha com respeito e devoção:

- **Imagens de Nanã** com o ibiri, para o seu altar ou assentamento
- **Velas roxas, lilases e brancas**, nas cores da senhora da ancestralidade
- **Alguidares e vasilhas de barro** para oferendas, respeitando a quizila do ferro
- **Guias e contas** roxas e brancas para devoção
- **Ervas e defumadores** ligados à energia de sabedoria e ancestralidade

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## Referências

- Wikipédia: [verbete sobre Nanã, origem daomeana e o itan do ferro](https://pt.wikipedia.org/wiki/Nan%C3%A3)
- Raízes Espirituais: [artigo sobre o sincretismo de 26 de julho entre Nanã e Sant'Ana](https://www.raizesespirituais.com.br/26-julho-sincretismo/)

## Leia também

- [Quem é Obaluaê (Omulu): o orixá da cura](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-obaluae-omulu/)
- [O que são os orixás: guia completo](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-sao-os-orixas/)
- [Calendário dos orixás: as datas do ano](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/calendario-dos-orixas/)
- [Descubra seu Orixá: faça o teste](https://joiamisticalaroye.com.br/descubra-seu-orixa/)

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Fonte: [Joia Mística Laroyê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-nana/) · Extrema (MG) · WhatsApp +55-35-99156-5228
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