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title: "Quem é Doum, o terceiro da imagem de Cosme e Damião"
description: "Quem é Doum: o nome vem de Ìdòwú, que em iorubá nomeia quem nasce depois de gêmeos. Veja o que é documentado, o que é devoção e o que não tem fonte nenhuma."
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published: 2026-09-22
category: "Candomblé"
tags: ["quem é doum", "doum", "idowu", "cosme e damião", "ibeji", "candomble"]
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author: "Joice Mística"
site: "Joia Mística Laroyê"
language: pt-BR
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# Quem é Doum, o terceiro da imagem de Cosme e Damião

> Quem é Doum: o nome vem de Ìdòwú, que em iorubá nomeia quem nasce depois de gêmeos. Veja o que é documentado, o que é devoção e o que não tem fonte nenhuma.

![Três figuras de madeira lado a lado sobre pano branco, duas do mesmo tamanho e uma menor no meio, iluminadas por luz suave.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-doum.webp)

## Resumo

Doum é a terceira figura que aparece entre Cosme e Damião em boa parte das imagens brasileiras. O nome vem de Ìdòwú, que na família iorubá nomeia quem nasce logo depois de um parto de gêmeos, para menino e para menina.

A parte do nome é documentada. A parte do irmão é tradição devocional brasileira: pesquisadores que estudam o tema escrevem irmãos entre aspas ou dizem segundo a crença popular.

A Legenda Áurea, do século XIII, nomeia Ántimo, Leôncio e Euprépio como irmãos dos gêmeos, e nenhum Doum. A versão de que ele teria morrido criança por falta de médico não aparece em nenhuma das fontes consultadas.

**Doum** é a terceira figura que aparece entre Cosme e Damião em boa parte das imagens brasileiras. O nome vem de **Ìdòwú**, que na família iorubá nomeia quem nasce logo depois de um parto de gêmeos.

Essa parte é documentada. Já a parte do irmão é outra história: pesquisadores que estudam a devoção escrevem "irmãos" entre aspas, ou dizem "segundo a crença popular". Vale separar as camadas uma a uma, porque quase tudo que circula sobre Doum vem sem fonte.

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## Ìdòwú: o nome iorubá por trás de Doum

Na tradição iorubá existe um conjunto de nomes dados pela circunstância do nascimento, e não pela escolha da família. Os gêmeos são **Táíwò**, o primeiro a nascer, e **Kẹ́hìndé**, o segundo. Quem vier depois deles recebe **Ìdòwú**. Depois de Ìdòwú vem **Àlàbá**.

Dois detalhes que costumam se perder pelo caminho. Ìdòwú **vale para menino e para menina**, e é assim que a linguística registra o nome. E ele carrega fama de criança danada: a expressão corrente entre os nagôs é *esu lehin ibeji*, que se pode traduzir como o travesso que vem depois dos gêmeos. Na fonte, é elogio brincalhão.

A etimologia é incerta. O pesquisador baiano Vivaldo da Costa Lima levantou a hipótese de que o nome viesse de *owú*, ciúme, e é assim que ela deve ser lida: como hipótese de um autor, não como fato fechado.

Há ainda uma crença registrada em várias pesquisas: entre os iorubás tradicionais, o terceiro precisa vir ao mundo depois do parto duplo. A antropologia recolhe a formulação forte de que, sem ele, a mãe dos gêmeos enlouqueceria. É crença registrada sobre o peso que recai sobre a mãe de gêmeos, e assim ela precisa ser lida.

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## De Ìdòwú a Doum: como o nome atravessou

Atravessou pela boca do povo. O pesquisador de arte sacra Tadeu Mourão, num capítulo do livro *[Doces Santos](https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/15413)*, do Museu Nacional da UFRJ, resume a passagem numa frase seca: "Aqui, Idoú virou Doum".

As grafias variam. **Doum** é a forma mais corrente hoje. **Doú** aparece em boa parte da bibliografia. **Dohú** consta de registro baiano antigo. E há ainda **Dois-Dois**, que em algumas fontes nomeia Doum e em outras a própria dupla, o que recomenda cuidado com o termo.

O nome também já estava fora do terreiro há bastante tempo. Em 1951, uma valsinha chamada "Cosme e Damião", de Roberto Martins e Ari Monteiro, gravada por Gilberto Alves, cantava: "Cosme, Damião, Doum / Crispim, Crispiniano / Caboclinho da mata / Doces pra vocês eu dei".

![Três figuras de madeira lado a lado sobre pano branco, duas do mesmo tamanho e uma menor no meio, iluminadas por luz suave.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-doum-imagem.webp)

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## Doum na imagem: a miniatura, e às vezes um vaso

As esculturas brasileiras mais conhecidas mostram Cosme e Damião como meninos rechonchudos, vestidos de forma idêntica, com gorro e capa à moda do século XVIII. Quando aparece uma terceira figura, ela é **idêntica aos dois, em miniatura, sempre colocada entre eles**.

A antropóloga Stefania Capone registra uma variante que quase ninguém conta: às vezes Doum não é uma figura, e sim **um pequeno vaso** posto entre os gêmeos. Na mesma passagem, ela o chama de "guardião" dos Ibejis, e não de terceiro gêmeo.

> No Brasil, as imagens dos santos rejuvenesceram e se infantilizaram, ao contrário das europeias. A terceira figura nasceu dessa mesma transformação.

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## O que se diz de Doum, e o que cada versão tem atrás

Esta é a parte que falta em todo lugar. Separando o que sustenta cada afirmação, fica assim:

| O que se diz | O que sustenta |
|---|---|
| Ìdòwú é o nome de quem nasce depois dos gêmeos | documentado em linguística iorubá e na bibliografia baiana |
| Doum e Doú vêm de Ìdòwú | documentado; as fontes mais sérias escrevem "parece derivar" |
| Doum recebe a primeira parte da oferenda | documentado, em duas pesquisas independentes |
| Na imagem, é uma miniatura idêntica entre os dois | documentado como iconografia |
| Doum é o terceiro irmão de Cosme e Damião | devoção brasileira; os pesquisadores marcam "segundo a crença popular" |
| Doum é orixá, ou Doum é Ibeji | não se sustenta: a pesquisa o trata como guardião, não como orixá |
| Doum morreu criança por falta de médico | **não foi encontrado em nenhuma fonte consultada** |

Vale abrir a última linha. *Doces Santos* tem 534 páginas, reúne dez pesquisadores e é a maior pesquisa de campo publicada sobre esta devoção. O livro inteiro foi varrido nesta apuração cruzando as menções a Doum, Doú e Idowu com palavras ligadas a morte. **Zero ocorrências.** As 64 menções ao nome tratam de nome de nascimento, iconografia, ritual e música.

Isso não desmerece quem conta a história. Ela circula, tem valor para quem a guarda e faz parte da devoção. Só não é documento, e não deve ser apresentada como tal.

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## Doum não está na hagiografia católica

E quem diz isso é um pesquisador que foi lá procurar. A *Legenda Áurea*, compilação do século XIII que espalhou as vidas de santos pela Europa medieval, narra a história de Cosme e Damião e nomeia três irmãos deles: **Ántimo, Leôncio e Euprépio**. Nenhum Doum, nem nome parecido. O livro também não traz nenhum milagre ligado a criança.

Faz sentido: na Europa, a função dos dois santos nunca esteve ligada à infância, e sim à prática médica. A infância entrou aqui.

E, para deixar claro que essa régua não é dura só com o lado africano, vale olhar os outros dois nomes da lista baiana. Sobre Crispim e Crispiniano, a *[Catholic Encyclopedia](https://www.newadvent.org/cathen/04491a.htm)* escreve: "It is stated that they were brothers, but the fact has not been positively proved". **Nem gêmeos eram, e nem a irmandade está provada.** A própria Igreja chama a narrativa de legenda, com detalhes de pouca probabilidade histórica.

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## Os sete irmãos do caruru

No caruru baiano, sete meninos comem primeiro, e eles representam sete irmãos: Cosme, Damião, Doú, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi. O preceito está em [os sete meninos do caruru](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/caruru-de-cosme-e-damiao/).

Repare de onde vêm os nomes. **Alabá** é o Àlàbá iorubá, o que nasce depois de Ìdòwú. E **Talabi** é o Tàlàbí do mesmo sistema: a criança nascida empelicada, com a cabeça coberta pela membrana. Em registro nigeriano, aliás, aparece como nome feminino. Ou seja: a lista baiana não preservou só a sequência dos gêmeos, preservou o sistema iorubá de nomes de nascimento quase inteiro. Crispim e Crispiniano vêm do outro lado, do santoral católico, e têm dia próprio em 25 de outubro, celebrado também em terreiro de umbanda.

E a lista varia. Nos anos 1940, Edison Carneiro registrou **seis** nomes, sem Talabi: Cosme, Damião, Crispim, Crispiniano, Doú e Alabá. A lista de sete que virou padrão veio depois.

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## Doum, os Ibejis e as Crianças

São coisas diferentes, e a confusão é comum. **Ibeji** é o orixá duplo da infância, com ficha e itan próprios em [quem é Ibeji](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-ibeji/). **Doum não é orixá**: a pesquisa o trata como o terceiro que acompanha os gêmeos, aquele que come primeiro nas festas. Na umbanda, ele aparece ligado à linha das Crianças, e o [dia de Cosme e Damião](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/dia-de-cosme-e-damiao/) é quando isso fica mais visível.

Uma ressalva honesta para fechar. A própria ligação entre Ibeji e os santos gêmeos é tema de debate acadêmico aberto: há pesquisa recente sugerindo que a devoção afro-baiana do século XIX funcionava como devoção agregadora de vários grupos africanos, em vez de um culto a Ibeji sincretizado. Sincretismo, aqui como sempre, não é equivalência.

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## Perguntas frequentes

### Quem é Doum?

É a terceira figura que aparece entre Cosme e Damião nas imagens brasileiras. O nome vem de Ìdòwú, que na família iorubá nomeia quem nasce logo depois de um parto de gêmeos, menino ou menina.

### Doum é irmão de Cosme e Damião?

Na devoção brasileira, sim. Historicamente, não há documento que sustente isso: a hagiografia católica nomeia outros três irmãos dos gêmeos e nenhum Doum. Pesquisadores costumam escrever "irmãos" entre aspas ou marcar "segundo a crença popular".

### O que significa Idowu?

É o nome dado a quem nasce logo depois de gêmeos, dentro do conjunto iorubá de nomes ligados à circunstância do nascimento. A etimologia é incerta, e uma das hipóteses levantadas liga o nome a *owú*, ciúme.

### Doum é orixá?

Não. A pesquisa não o trata como orixá nem como terceiro gêmeo dos Ibejis. Ele aparece ao lado deles, como guardião, e recebe a primeira parte das oferendas nas festas.

### Doum morreu criança?

Essa versão circula bastante, mas não foi encontrada em nenhuma das fontes consultadas nesta apuração, incluindo um livro de 534 páginas do Museu Nacional dedicado só a essa devoção. É tradição devocional, não registro histórico.

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## Referências

- MENEZES, Renata; FREITAS, Morena; BÁRTOLO, Lucas (orgs.). *Doces Santos: devoções a Cosme e Damião*. Museu Nacional/UFRJ, 2020. [Acesso aberto](https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/15413)
- FAKUADE, Gbenga; FRIDAY-OTUN, Joseph; ADEOSUN, Hezekiah. "Yoruba personal naming system". *Sociolinguistic Studies*, v. 13, n. 2-4, 2019. [PDF](https://www.almendron.com/tribuna/wp-content/uploads/2021/08/37825-120274-1-pb.pdf)
- BÁRTOLO, Lucas. "Cosme e Damião: o enredo de uma cidade". *Ponto Urbe*, n. 23, 2018. [Artigo](https://journals.openedition.org/pontourbe/5839)
- MEIER, Gabriel. "Sts. Crispin and Crispinian". *The Catholic Encyclopedia*, v. 4, 1908. [Verbete](https://www.newadvent.org/cathen/04491a.htm)
- SIMAS, Luiz Antônio. [O menino no cavalo de Jorge](https://luizantoniosimas.com.br/blog/o-menino-no-cavalo-de-jorge/)
- FREITAS, Morena B. M. *Religião & Sociedade*, v. 42, n. 2, 2022. [Comida de Criança](https://www.scielo.br/j/rs/a/Q6bJ5Kczs4xz5STbMncHL9H/?lang=pt)

## Leia também

- [Dia de Cosme e Damião: 26 ou 27, e o que fazer no dia](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/dia-de-cosme-e-damiao/)
- [Quem é Ibeji: os orixás gêmeos da infância](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-ibeji/)
- [Caruru de Cosme e Damião: o preceito dos sete meninos](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/caruru-de-cosme-e-damiao/)

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Fonte: [Joia Mística Laroyê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-doum/) · Extrema (MG) · WhatsApp +55-35-99156-5228
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