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title: "Iansã e Xangô: o casal, os mitos e o raio, com fontes"
description: "Iansã e Xangô são marido e mulher nos mitos. Veja a poção do fogo, quem ficou com o raio, o que os separa (os mortos) e por que Santa Bárbara está com os dois."
url: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/iansa-e-xango/
canonical: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/iansa-e-xango/
published: 2026-10-06
category: "Orixás"
tags: ["iansã e xangô", "oiá e xangô", "mitos de iansã", "itã de xangô", "poção do fogo", "orixás casal"]
image: https://joiamisticalaroye.com.br/blog/iansa-e-xango.webp
author: "Joice Mística"
site: "Joia Mística Laroyê"
language: pt-BR
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# Iansã e Xangô: o casal, os mitos e o raio, com fontes

> Iansã e Xangô são marido e mulher nos mitos. Veja a poção do fogo, quem ficou com o raio, o que os separa (os mortos) e por que Santa Bárbara está com os dois.

![Duas velas acesas, uma vermelha e uma branca, ao lado de um machado duplo de madeira e uma espada de cobre sobre pano escuro, sob um céu de tempestade na janela.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/iansa-e-xango.webp)

## Resumo

Nas fontes abertas, Iansã (Oiá) é esposa de Xangô: Verger a chama de primeira mulher, e Prandi a descreve como a esposa que o acompanha na guerra. Os dois dividem a quarta-feira e o acarajé.

Os mitos contam a poção do fogo, que Xangô manda Iansã buscar e ela prova, e o pedido a Olodumare para que ele vire orixá. Sobre quem ficou com o raio, as fontes dão versões diferentes.

O que os separa são os mortos e o carneiro: Iansã domina os eguns, e Xangô não lida com eles. As fontes divergem no motivo. Santa Bárbara foi associada aos dois, em épocas e lugares diferentes.

**Iansã e Xangô** são marido e mulher nos mitos: nos livros e estudos consultados, Iansã (Oiá) é a esposa de Xangô que o acompanha na guerra. Ele tem três esposas, Iansã, Oxum e Obá, e Verger chama Iansã de primeira mulher.

O que as fontes registram do casal é a poção do fogo, o raio, a fuga, o pedido a Olodumare e uma diferença sobre os mortos.

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## Iansã e Xangô são um casal?

Sim, nos mitos. Verger escreve que Iansã "foi a primeira mulher de Xangô". Bianca Purcino, da UFSB, repete a mesma ficha, citando Verger, em sua dissertação sobre as plantas de dois terreiros ketu e ijexá da Bahia. Em Verger, as três esposas são Oiá, Oxum e Obá. Na casa de batuque Ilé Àsé Odé, do Rio Grande do Sul, as três são Oiá, Obá e Oxum.

Nenhum dos estudos consultados os dá como irmãos. Rita Segato, antropóloga da UnB, registra que, nos mitos do Xangô do Recife, de nação Nagô, os dois são descritos como "os únicos casados formalmente". Nos mitos reunidos por Prandi, Iansã e Oxum "aparecem freqüentemente como rivais", escreve Andreas Hofbauer numa resenha da *Revista de Antropologia*.

Na angola e no jeje, o par não foi localizado em fonte aberta. Na tabela de Prandi, a linha de Iansã traz o vodum jeje Sobô e os inquices bantos Matamba e Bumburucema, e a de Xangô traz os voduns Badé e Queviosô e o inquice Zázi. A ficha de cada um está em [quem é Iansã](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-iansa/) e em [quem é Xangô](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-xango/).

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## A poção do fogo: como Iansã aprendeu a cuspir fogo

Segundo Verger, Xangô enviou Iansã à terra dos baribas "a fim de buscar um preparado" que lhe permitiria "lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz". Segundo Verger e Verônica Costa, da UFRJ, ela desobedeceu às instruções dele e experimentou o preparado. Em Prandi e Vallado, ela provou a poção na volta, por curiosidade, e "cuspiu fogo".

As versões diferem no desfecho. Em Couto, da UFBA, Iansã "dele roubou o poder de controlar o fogo". Numa variante que Carina Dias, da UCS, recolhe de "alguns praticantes" do batuque cabinda, ele "não a castiga pela desobediência e divide com ela o poder de cuspir fogo", porque ela é "a amada de Xangô". Em Verger, a descoberta é "para grande desgosto de Xangô".

Santos, da UFBA, liga a poção à origem do acará: a poção explica por que, "nos rituais dos deuses do fogo", Xangô e Iansã "disputam para engolir os acarás", que ali são mechas acesas, e não o bolinho. O texto não descreve o rito.

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## O raio: quem ficou com o quê

As fontes dão três respostas para o raio, e elas não coincidem.

- **Os dois dividem.** "Iansã divide com o marido o controle do fogo e o domínio dos raios", escreve Santos.
- **Ela lhe dá as pedras de raio.** No relato de Jacutá, uma qualidade de Xangô, em Prandi e Vallado, os raios de Iansã caem "como pedras do céu", e a "eterna amante" dá a Xangô "o poder sobre as pedras de raio, o edun-ará".
- **Ela fica com o raio, ele com o som.** Um alabê da casa cabinda estudada por Dias conta: "ela ficaria com o raio e ele com o som do raio".

Dias registra a crença de que, ao cair um raio numa tempestade, se deve gritar "eparrei, Oiá!", saudação "ligada ao grande amor de Xangô".

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## Ogum, a fuga e o pedido a Olodumare

Antes de Xangô, Iansã "tinha vivido com Ogum", escreve Verger. Num itã que Dias cita de Prandi (2001), Ogum, ao ver a mulher cuspir fogo, "repudiou Oiá e a entregou a Xangô", que "cinicamente recusou a oferta" porque "tinha enganado Ogum". É uma fonte só, e as palavras são as do mito.

No fim do reinado de Xangô, Iansã foi "a única das mulheres" que o seguiu na fuga para Tapa. Prandi e Vallado contam o que veio depois:

> "No momento da morte de Xangô, Iansã chegou ao Orum e, antes que Xangô se tornasse um egum, pediu a Olodumare que o transforme num orixá."

Dias cita ainda dois itãs de Prandi (2001). Num, Oiá liberta Xangô da prisão "com o raio" e "com o vento". No outro, ao saber da morte dele, ela se transforma no rio Níger. Os dois são de segunda mão, a partir de Prandi.

![Pintura sacra de três figuras vistas de costas, de vestes vermelhas e brancas e espadas, sob um céu de tempestade cortado por raios](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/iansa-e-xango-raio.webp)

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## O que os separa: os mortos e o carneiro

Iansã é a dona dos mortos. Para Verger, é "o único orixá capaz de enfrentar e de dominar os Egúngún", e a carne de carneiro lhe é proibida. Na tabela de Prandi, os tabus dos filhos de Iansã incluem comer carneiro e comer abóbora, e os dos filhos de Xangô incluem o "contato com mortos e cemitérios". O guia dos eguns está em [egum no candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/egum-no-candomble/).

Segato, no Xangô do Recife, diz que os dois "discordam ferozmente" sobre o carneiro e que Xangô "tem aversão à morte e aos eguns". Nesse mito, Xangô é barrado do quarto de balé dos mortos. Na descrição dos filhos de Iansã que Segato recolhe, aparece: "Xangô não tem coragem de ir até onde Iansã vai". O texto não reconta o que ele viu lá, porque Segato o dá como o aspecto mais secreto da tradição nagô e não o revela.

Na casa de batuque cabinda de Dias, o pai de santo diz outra coisa: Xangô "não tem medo de egun" e "não dá trela pra egun". As fontes concordam que Xangô não lida com egum e divergem no motivo. A prática está em [oferenda para Xangô](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/oferenda-para-xango/).

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## O que os dois partilham: quarta-feira, acarajé e quiabo

A quarta-feira é o dia dos dois. Verger a dá a Iansã e a Xangô, e Prandi e Purcino a repetem. No batuque, a casa Ilé Àsé Odé dá a terça para os dois, e a mesma casa lista Xangô entre os adjuntós de Iansã. É uma casa, não a regra do batuque. Veja [Oiá no batuque](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/oia-no-batuque/) e [Xangô no batuque](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/xango-no-batuque/).

O acarajé é "o alimento ritual de Xangô e Iansã", escreve Couto. O IPHAN registra que, nas cerimônias do candomblé, ele é oferecido a Xangô e Oiá "sem recheios". Santos diz que Iansã e os Ibejis, os filhos, comem quiabo pelo "vínculo familiar e real" com Xangô. O quiabo do amalá está em [amalá de Xangô](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/amala-de-xango/).

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## Santa Bárbara e São Jerônimo: por que a santa aparece com os dois

Na tabela de Prandi, dos terreiros paulistas de ketu, o santo de Xangô é São Jerônimo ou São João, e o de Iansã é Santa Bárbara. Verger diz que, em Cuba, o par de Xangô é Santa Bárbara. Santos escreve que, até a década de 1930, a santa também aparecia com Xangô, e só depois ficou com Iansã. Em Alagoas, o santo de madeira Xangô-Bomim, exposto depois do Quebra de 1912, "no sincretismo religioso também podia ser tomado por Santa Bárbara", segundo se dizia, conta Ulisses Neves Rafael.

O par tem história e não é identidade. A prefeitura de Salvador registra que adeptos do candomblé "fazem questão de enfatizar a distinção entre Santa Bárbara e Iansã". A festa de 4 de dezembro está em [Santa Bárbara e Iansã](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/santa-barbara-e-iansa/) e a outra associação, em [São Jerônimo e Xangô](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/sao-jeronimo-e-xango/).

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## Perguntas frequentes

### Iansã e Xangô são casados?

Nos mitos, sim: Iansã é a primeira esposa de Xangô nas fontes abertas, ao lado de Oxum e Obá. Segato registra que, no Xangô do Recife, eles são descritos como "os únicos casados formalmente". Na angola e no jeje, o par não foi localizado em fonte aberta.

### Iansã e Xangô têm o mesmo dia da semana?

Sim: a quarta-feira é o dia dos dois em Verger e Prandi, e Purcino repete a ficha de Verger. No batuque, uma casa do Rio Grande do Sul dá a terça-feira para os dois. O dia da sua casa vale mais que o de qualquer lista.

### Santa Bárbara é de Iansã ou de Xangô?

Das duas, em épocas diferentes. No Brasil, Santa Bárbara é o santo dado a Iansã, e São Jerônimo, a Xangô. Santos conta que, até a década de 1930, a santa também aparecia com Xangô, e Verger registra a ligação em Cuba. O par tem história e varia de casa para casa.

### Quem é filho de Iansã com Xangô?

Orixá de frente e de junto quem define é a casa, e não um texto de internet. As fontes abertas não trazem traço de personalidade para essa combinação. A explicação do juntó está em [orixá de frente e de junto](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/orixa-de-frente-e-de-junto/).

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## Referências

- Reginaldo Prandi e Armando Vallado, Edusp: [Xangô, rei de Oió](https://www.reginaldoprandi.fflch.usp.br/sites/reginaldoprandi.fflch.usp.br/files/inline-files/Xango_rei_de_Oio.pdf)
- Reginaldo Prandi, *Horizontes Antropológicos*: [Deuses africanos no Brasil contemporâneo](https://www.scielo.br/j/ha/a/m3M9vpDWHDNvZzSsyMnWWNK/?lang=pt)
- Pierre Verger, Corrupio: [Orixás, ficha da obra](https://books.google.com/books/about/Orix%C3%A1s.html?id=RRURAQAAIAAJ)
- Carina Monteiro Dias, UCS: [dissertação sobre o batuque sul-rio-grandense](https://repositorio.ucs.br/11338/5111)
- Vagner José Rocha Santos, *Revista Ingesta* (USP): [O acará de Iansã na festa de Santa Bárbara](https://revistas.usp.br/revistaingesta/article/view/161992)
- Edilece Souza Couto, ANPUH: [Festa de Santa Bárbara e Iansã](https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RbhrAnpuh/article/download/41541/751375137644)
- Rita Laura Segato, *Anuário Antropológico*: [Inventando a natureza, Xangô do Recife](https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7389590.pdf) e [Iemanjá em família](https://periodicos.unb.br/index.php/anuarioantropologico/article/view/6394)
- Ulisses Neves Rafael, *Etnográfica*: [Muito barulho por nada ou o xangô rezado baixo](https://www.redalyc.org/pdf/3723/372339165004.pdf)
- Andreas Hofbauer, *Revista de Antropologia* (USP): [Resenha de Mitologia dos orixás, de Reginaldo Prandi](https://biblat.unam.mx/hevila/RevistadeantropologiaSaoPaulo/2001/vol44/no2/15.pdf)
- Verônica Costa, UFRJ: [Oyà-Iansã e a potência do Feminino](https://revistas.ufrj.br/index.php/FilosofiaClassica/article/view/66552)
- Bianca Purcino, UFSB: [dissertação sobre as plantas dos orixás](https://sigconteudo.ufsb.edu.br/arquivos/2022071134a2d383547269543ed59e79/Dissertao_-_Bianca_Cristina_de_Lima_Conceio_Purcino.pdf)
- IPHAN: [Ofício das Baianas de Acarajé](https://bcr.iphan.gov.br/bens-culturais/oficio-das-baianas-de-acaraje/)
- Prefeitura de Salvador: [Festa de Santa Bárbara simboliza fé e resistência](https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/com-tres-seculos-de-existencia-festa-de-santa-barbara-simboliza-fe-e-resistencia-do-povo-baiano/)

## Leia também

- [Quem é Iansã: a orixá que domina os ventos e os mortos](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-iansa/)
- [Quem é Xangô: o orixá da justiça e do trovão](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/quem-e-xango/)
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Fonte: [Joia Mística Laroyê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/iansa-e-xango/) · Extrema (MG) · WhatsApp +55-35-99156-5228
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